O que esperamos para daqui a 50 anos?


Saiba como trabalhar o pensamento crítico dos seus alunos através do raciocínio lógico do filme “De volta para o futuro”

Refletir sobre o passado é uma ótima forma para analisar os processos de desenvolvimento de uma nação, seja no aspecto econômico, social, político, ambiental ou cultural. Mas imaginar sobre o futuro é oportunizar pensamentos que podem conduzir a humanidade à criação de novos patamares. Assim, a trilogia do filme “De volta para o futuro”, sucesso estrondoso nos anos 1980 e 90, concebida pelo cineasta Robert Zemeckis e produzida por Steven Spielberg, mostrou cientificamente nas telas hipóteses de como o presente estaria projetado no futuro. Ou seja, como a nossa sociedade estará daqui a 30 ou 60 anos?

Através de um automóvel transformado em uma máquina do tempo, os protagonistas do longa-metragem iniciam um experimento com uma viagem de volta aos anos 1950. Eram os anos da invenção do rock’n’roll, dos filmes de James Dean e de Marlon Brando, de forte expansão econômica no país e do estilo de vida norte-americano mais afastado de suas raízes.

O filme foi produzido em Hollywood em 1985, dez anos após o fim da Guerra do Vietnã, conflito que marcou profundamente a opinião pública, e 12 anos após o início da crise do petróleo, catalisador de um severo recesso na economia internacional. Era pertinente, então, ao escrever o roteiro e compor o plano de fundo da história, que Zemeckis ressaltasse pontos para relembrar os anos gloriosos do país.

Mas como era o futuro visto há 30 anos? Quais aspectos do mundo poderiam ser previstos e quais poderiam ser inventados? E mais importante: quais são as imagens de futuro que queremos? O cinema de ficção científica é um campo artístico, que na maior parte das vezes termina por nos revelar mais sobre onde estamos e o que de fato queremos do que necessariamente sobre aonde chegaremos.

O futuro de Marty McFly, o protagonista da história, é o mundo do consumo da informação. Em uma das cenas de “De Volta para o futuro II”, McFly depara-se com uma enorme tela digital com diversos canais simultâneos transmitindo notícias do mundo todo. Dados atualizados instantaneamente, fomentados à velocidade da luz, tornando-se um catálogo infinito de canais de TV à disposição do consumidor.

O cinema é uma das formas artísticas de compreender e interpretar o mundo em que vivemos, seja por meio de um filme de arte, seja por meio de uma comédia. “De Volta para o Futuro” propôs uma intrigante questão: como queremos os nossos próximos anos? E, a partir daí, outra ainda maior se impõe: o que podemos fazer agora para que este futuro aconteça?

Para a sua aula de Língua Portuguesa, a cineasta e mestranda em Estudos Contemporâneos da Arte pela UFF Letícia Simões propõe aos alunos pensar no futuro pela ótica da sétima arte e criar roteiros de ficção científica sobre os próximos 50 anos.

• Em primeiro lugar, faça com seus alunos um mapeamento das questões atuais. Partimos do princípio de que um adolescente de 17 anos entra em uma máquina do tempo para visitar o futuro. Em grupos, os estudantes vão discutir quais as principais questões da nossa sociedade: ambientais, de preconceito, de mobilidade urbana, conflitos políticos. Cada grupo deve eleger um aspecto para trabalhar no presente e no futuro.

• Os alunos podem buscar essas questões entrevistando pais, colegas, parentes, vizinhos; em recortes de revistas e jornais ou notícias da TV ou da internet. O que os incomoda atualmente no mundo em que vivemos? É possível também propor que os alunos entrevistem pessoas nas ruas sobre o que elas gostariam que mudasse no mundo daqui a cinco décadas.

• Com os assuntos determinados por grupos, é hora de criar pequenas cenas de filme. Estabeleça que elas devem ter entre duas e cinco páginas, apresentar ao menos dois personagens (o personagem principal e mais alguém com quem ele encontra pelo caminho) e conter uma invenção ou solução para um aspecto do presente. Estimule a descrição do cenário: como é este ambiente, com que cores, como as pessoas se comportam. Por exemplo: em “De Volta para o Futuro”, de 1985, Marty McFly quer saber como será a sua lanchonete predileta em 2015. Assim, ele e Doc Brown vão até lá e, enquanto conversam, os dois observam um casal que estranhamente se exercita na bicicleta de spinning enquanto janta. Há um objetivo (Marty, partindo de 1985, deseja ver como está no futuro o lugar que tanto frequenta), uma descrição do cenário, um diálogo entre dois personagens e a introdução de um aparato técnico para uma questão estética e comportamental.

• Por fim, cada grupo apresenta a sua ideia de futuro. Caso a turma se sinta interessada, pode-se filmar um pequeno ato de ficção científica com telefones e/ou câmeras digitais. O objetivo principal é provocar uma discussão sobre que tipo de futuro alcançaremos.


Fontes: Carta Educação | Letícia Simões (Cineasta e mestranda da UFF)


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