O inglês que atravessa a sala de aula
Entre receitas, projetos e apresentações, o inglês vira experiência

Foto por Vitalii Petrushenko via Getty Images #1329915354
Aprender uma segunda língua pode significar muito mais do que ampliar o vocabulário ou desenvolver novas habilidades de comunicação. No ambiente escolar, o contato com outro idioma também pode abrir caminhos para diferentes formas de pensar, conhecer outras culturas e estabelecer conexões com os conteúdos aprendidos em sala de aula. É a partir dessa perspectiva que o Programa Bilíngue Pensi desenvolve o ensino da língua inglesa de maneira contextualizada, significativa e integrada ao currículo.
Da Educação Infantil aos Anos Finais do Ensino Fundamental, o inglês aparece em diferentes situações de aprendizagem. Em vez de ficar restrito ao estudo de regras e vocabulário, o idioma entra em cena para investigar, criar, resolver situações e se comunicar. É essa integração entre língua e conteúdo que está na base da abordagem Clil – Content and Language Integrated Learning, adotada pelo Pensi.
Para Carla Tavares, coordenadora do Ensino Bilíngue, essa experiência ultrapassa o aprendizado de uma nova língua e contribui para o desenvolvimento dos estudantes. “Eu acredito que o ensino de inglês na escola vai muito além de aprender um novo idioma”. Segundo ela, ao transitar entre duas línguas, o aluno entra em contato com diferentes estruturas, formas de expressão e maneiras de organizar o pensamento, experiência que contribui para o desenvolvimento da flexibilidade cognitiva.
De acordo com a coordenação do Ensino Bilíngue, essa aprendizagem acontece de forma gradual e acompanha o estudante ao longo de sua trajetória escolar. À medida que avança, ele amplia o domínio do inglês e ganha mais segurança para utilizar o idioma em diferentes situações, enquanto também desenvolve o vocabulário acadêmico e habilidades como pensamento crítico, colaboração e resolução de problemas.
Inglês em situações que fazem sentido
Uma receita pode virar aula de matemática. Um palco pode se transformar em espaço para praticar inglês. É assim que algumas das experiências do Programa Bilíngue Pensi aproximam o idioma de situações que fazem parte do cotidiano dos estudantes. Na Cooking Class, por exemplo, os alunos aprendem o vocabulário de ingredientes e procedimentos culinários em inglês enquanto trabalham conceitos como frações, proporções, números e quantidades. Já no Pensi’s Got Talent, o desafio é outro, subir ao palco, apresentar um talento e utilizar o idioma para se comunicar com o público.
A essas experiências se juntam projetos, atividades colaborativas, apresentações e debates, que colocam em prática as habilidades de fala, escuta, leitura e escrita. Em vez de aprender a língua apenas por meio de exercícios, os estudantes são estimulados a utilizá-la em diferentes situações e com diferentes propósitos. Para Carla Tavares, essa proximidade com o idioma também incentiva a relação dos alunos com outras culturas e formas de pensar. “Ao mesmo tempo, o contato com outras referências culturais amplia o repertório dos estudantes e favorece a empatia, o respeito e a tolerância”.
Acompanhamento da aprendizagem
Aprender uma língua também significa perceber o quanto já se avançou e o que ainda precisa ser desenvolvido. No Programa Bilíngue Pensi, esse acompanhamento começa com os chamados Mock Tests. O primeiro simulado funciona como um diagnóstico, que mostra em quais habilidades os estudantes apresentam maior dificuldade e ajuda a escola a definir os próximos passos, que podem incluir aulas de apoio, revisões e atividades específicas. Depois, um segundo simulado permite colocar esse percurso em perspectiva. Os resultados são comparados para identificar a evolução dos alunos e verificar se as estratégias adotadas ao longo do processo estão produzindo os efeitos esperados.
O acompanhamento se estende por diferentes etapas da trajetória escolar. Do 4º ao 6º ano, os estudantes realizam as avaliações de nivelamento linguístico de Oxford. A partir do 7º ano e até o 9º, entram em cena as certificações internacionais da Michigan Language Assessment. Ao longo desse percurso, a proficiência pode avançar do nível Pre-A1 ao B2, de acordo com o CEFR – Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas.
A preparação para essas avaliações acontece de forma contínua, com atividades voltadas tanto ao desenvolvimento das habilidades linguísticas quanto à familiarização dos estudantes com os formatos das provas. Assim, a certificação deixa de ser apenas um momento de avaliação e passa a fazer parte de um processo acompanhado ao longo dos anos.
Resultados que revelam uma trajetória
Os resultados de 2025 dão a dimensão desse percurso. O número de certificações internacionais cresceu 430%, com 515 alunos aprovados. Nas avaliações de nivelamento de Oxford, os estudantes do 4º e 5º anos tiveram 100% de aprovação. Já nas certificações da Michigan Language Assessment, o índice geral chegou a 93%, alcançando 100% entre os alunos do 7º ano.
Para Carla Tavares, os resultados fazem parte de uma formação que vai além do domínio do idioma. “Por isso, ensinar inglês é também contribuir para a formação de cidadãos mais críticos, autônomos, abertos ao diálogo e preparados para conviver com diferentes realidades”, avalia.
Por Antônia Figueiredo
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