Comer bem vira aprendizado
Projeto transforma hábitos alimentares e leva educação nutricional para dentro das escolas

Foto por FreshSplash via Gettyimages #2090969117
O que faz uma criança trocar o salgadinho por uma fruta? E como um simples canteiro pode mudar a forma como alunos, famílias e professores enxergam a comida no dia a dia? Em uma escola, essa transformação já começou e os resultados têm chamado atenção. Por trás dessa mudança está o projeto NutriAção, uma iniciativa que vem despertando novos hábitos, conectando teoria e prática e mostrando, de forma surpreendente, que comer bem pode ser o primeiro passo para uma vida mais saudável, consciente e cheia de possibilidades.
Idealizado pela professora Joscielly Nunes de Oliveira, do GET Graciliano Ramos, o projeto conta com uma abordagem interdisciplinar e participativa, que busca ir além das orientações tradicionais, estimulando escolhas mais conscientes e equilibradas. A proposta integra palestras, atividades práticas e vivências gastronômicas, com foco na melhoria da qualidade de vida e no desempenho escolar dos estudantes.
Da teoria ao cultivo

Um dos grandes diferenciais do projeto é a utilização da horta escolar como ferramenta pedagógica. A iniciativa permite que os alunos compreendam, na prática, a origem dos alimentos, o ciclo de crescimento das plantas e a importância da sustentabilidade. Ao colocar a mão na terra, os estudantes deixam de ser apenas consumidores e passam a atuar como cultivadores, desenvolvendo senso de responsabilidade e respeito à natureza. As atividades incluem preparação do solo, plantio, acompanhamento do crescimento das plantas por meio de um diário de cultivo e a chamada “Ronda da Rega”, que organiza o cuidado diário com a horta. Outro destaque é a criação do “Espantalho da Nutrição”, atividade que une criatividade, reciclagem e educação ambiental.
Combate aos ultraprocessados e incentivo a escolhas saudáveis
O projeto também atua diretamente na mudança de comportamento alimentar. Por meio de palestras, rodas de conversa e oficinas de leitura de rótulos, os alunos aprendem a identificar a diferença entre alimentos in natura, processados e ultraprocessados. A iniciativa tem contribuído para a redução do consumo de produtos industrializados, como refrigerantes, biscoitos recheados e salgadinhos, dentro do ambiente escolar.
Em contrapartida, há um aumento significativo na aceitação de frutas, legumes e verduras, especialmente aqueles cultivados pelos próprios alunos. A experiência prática tem sido fundamental para quebrar resistências alimentares, principalmente entre os mais novos, promovendo uma relação mais positiva com a alimentação saudável.
Impactos no aprendizado
De acordo com a idealizadora do projeto, os benefícios vão além da alimentação. A melhoria na qualidade nutricional reflete diretamente no desempenho escolar, contribuindo para maior concentração, disposição e participação nas atividades. A proposta também aborda a relação entre alimentação, energia e rendimento físico, integrando conteúdos de Educação Física e Ciências.
Além disso, o projeto promove o desenvolvimento de habilidades em diversas disciplinas. Em Matemática, os alunos trabalham com medidas, proporções e análise de dados nutricionais. Em Língua Portuguesa, produzem textos, relatórios e campanhas educativas. Já em Geografia e História, exploram a origem dos alimentos e os impactos ambientais da produção.
Envolvimento da comunidade

Outro ponto forte do projeto é o engajamento coletivo, que envolve não apenas os alunos, mas também pais, professores e toda a equipe escolar. Palestras voltadas às famílias e ações colaborativas fortalecem o vínculo entre escola e comunidade, ampliando o alcance das práticas saudáveis para além dos muros escolares. A culminância do projeto foi marcada por um evento especial que reuniu a comunidade para a colheita dos alimentos cultivados na horta. Em seguida, uma feira de degustação transformou o conhecimento adquirido em experiências reais, celebrando não apenas o crescimento das plantas, mas também a construção de novos hábitos alimentares.
Transformação de hábitos
Os resultados do projeto já são visíveis. Segundo Joscielly, houve uma redução significativa no consumo de ultraprocessados e um aumento na adoção de alimentos naturais no dia a dia dos alunos. Mais do que isso, o projeto despertou uma consciência crítica sobre a alimentação, incentivando escolhas mais saudáveis também no ambiente familiar. A mudança de comportamento é considerada um dos maiores sucessos da iniciativa, evidenciando que a educação alimentar, quando aliada à prática, tem potencial para gerar impactos duradouros.
A repercussão positiva também pode ser percebida nos relatos da comunidade escolar. A diretora-geral Luciana da Silva Nascimento destacou que o projeto foi algo muito bom para a conscientização de todos, sobre alimentação saudável e diversos outros temas importantes. Com uma proposta educativa, prática e transformadora, o projeto se consolida como uma referência em educação alimentar nas escolas, mostrando que pequenas mudanças no cotidiano podem gerar grandes impactos na saúde, no aprendizado e na formação cidadã dos alunos.
GET Graciliano Ramos
Rua Jorge Lacerda, s/nº – Jardim América – Rio de Janeiro/RJ
CEP: 21240-060
E-mail: ciepgramos@rioeduca.net
Professora responsável: Joscielly Nunes de Oliveira
Direção: Luciana da Silva Nascimento












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