Ao Mestre, com Carinho

A valorização do professor na educação


O título deste artigo é um drama biográfico que deu origem a um filme e uma música da cantora Lulu, que fez enorme sucesso e até hoje é um hit. Aproveitei o tema para fazer uma homenagem a todos aqueles que fazem da educação algo muito maior do que simplesmente ensinar. 

Estamos em uma época estranha, em que inversões de valores são comuns, e no qual banaliza-se a violência, a corrupção e vários outros males da sociedade. A estranheza estampa-se nos corredores da Escola, por meio de atitudes nada louváveis, como brigas entre alunos e, não raro, destes com os professores, xingamentos, agressões verbais e físicas que muitas vezes envolvem as famílias, degradando a função social e educacional que estão embutidas no espaço escolar. 

Quando os valores morais, que se traduzem em ações, como a honestidade, o respeito, a responsabilidade e a empatia são corrompidas, a própria educação perde o sentido, e vira mera instrução, que na verdade também fica prejudicada, pois, no meio do caos e do desinteresse, pouco se consegue ensinar e aprender. Como bem nos lembra Mário Cortella, a educação e os valores são inseparáveis, pois faz parte da primeira formar a humanidade e a dignidade da pessoa.  

Talvez isso explique parcialmente o porquê de termos acesso à informação e à tecnologia sem precedentes na história humana, e cada vez sabermos menos: a capacidade de retenção e o básico da aprendizagem, como a leitura, a escrita e o próprio conhecimento científico estão em patamares cada vez mais baixos. Junte-se a isso a epidemia da distração, com cada vez menos foco presente nas aulas, com a crise de convivência e o baixo nível de saúde mental, e com os professores cada vez mais sobrecarregados e desvalorizados, e não fica muito difícil entender a crise da educação. 

Mas, como a resiliência e a força fazem parte da vida de uma pessoa que se tornou educador(a), eis que ainda temos milhões de professores neste país que ainda fazem a diferença para outros milhões de crianças e jovens, que ainda teimam em ir além e se tornar os heróis anônimos que sustentam o futuro do país.  

A você, professor, muito obrigado. E mesmo que ele, o futuro, não venha, que você se sinta acariciado e reconhecido. Pois, por mais que tentem te desvalorizar, sem você não existe futuro. Não existirá Brasil.


André Codea é professor do município do Rio de Janeiro e da Universidade Cândido Mendes.

 

Obs.: Toda a informação contida no artigo é de responsabilidade do autor. 


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