Raízes que ensinam
Projeto valoriza culturas e fortalece identidade, respeito e pertencimento na escola

Promover o respeito às diferenças étnico-raciais, valorizar a ancestralidade e ampliar o reconhecimento das contribuições dos povos africanos e indígenas na formação da sociedade brasileira. Esses são os eixos norteadores do projeto Nossas raízes: valorizando a cultura afro-brasileira e indígena, idealizado pela professora Ariadne Nunes Monteiro Lima.
Desenvolvida com turmas do 4º ano da E. M. Alagoas, no bairro Pilares, no Rio de Janeiro, a iniciativa integra diferentes áreas do conhecimento ao longo do ano letivo, conectando o conteúdo escolar à identidade e à realidade dos estudantes.
Quando conhecer também é reconhecer

Ao longo das atividades, os alunos foram convidados a mergulhar em aspectos históricos, sociais e culturais das populações afro-brasileiras e indígenas. “O objetivo não é só conhecer, mas valorizar e respeitar essas culturas no dia a dia”, explica Ariadne.
Nesse processo, o combate a estereótipos e preconceitos deixou de ser apenas discurso. A valorização da ancestralidade passou a fazer parte das práticas em sala de aula, fortalecendo o reconhecimento de si e do outro.
O projeto envolveu disciplinas como Artes, Literatura, Geografia, História, Matemática, Língua Portuguesa e Ciências. Para a professora, essa integração foi fundamental. “Quando o aluno percebe que o tema está presente em diferentes áreas, ele entende que não é algo isolado, faz parte da vida”, afirma.
Um percurso que atravessa o ano
O trabalho começou com a apresentação de um alfabeto composto por personalidades negras e indígenas, ampliando referências logo no início do ano letivo. A proposta abriu espaço para novas descobertas e diálogos. No mês dedicado aos povos originários, os estudantes pesquisaram costumes, brincadeiras, culinária e saberes tradicionais. Em outro momento, voltaram o olhar para mulheres negras e indígenas que marcaram a história, ampliando o repertório sobre representatividade.
Durante as festas juninas e julinas, investigaram manifestações culturais desses povos, atribuindo novos significados às celebrações escolares. Já nas discussões sobre bullying e racismo, refletiram sobre diferenças e semelhanças entre essas práticas, a partir da leitura do livro “E se fosse você?”. No período da Consciência Negra, o projeto ganhou ainda mais visibilidade. “A ideia foi mostrar que consciência não é algo para um único dia, mas para o ano todo”, ressalta a professora. O mural construído pelos alunos reuniu elementos como capoeira, turbantes, tranças, música e a história de Zumbi, conectando cultura e identidade.
Quando a escola se abre para a comunidade

A culminância do projeto aconteceu em diferentes momentos, ampliando o diálogo com a comunidade escolar. De acordo com Ariadne, cada etapa foi pensada para valorizar o protagonismo dos estudantes. Durante o evento Escola Aberta, os alunos apresentaram um livro coletivo produzido por eles. Cada um assumiu o papel de protagonista de sua própria história e realizou a leitura caracterizado. A atividade contou com a presença da autora Cláudia Gomes Cruz, inspiração para o trabalho desenvolvido.
Outro momento marcante foi a oficina de turbantes, conduzida por uma professora convidada da rede municipal. A atividade trouxe não apenas a prática, mas também reflexões sobre identidade e significado cultural. O projeto incluiu ainda uma aula-passeio pelo Circuito Pequena África, organizada pelo Instituto Pretos Novos. Para muitos estudantes, foi a oportunidade de conhecer de perto espaços históricos e compreender, de forma concreta, parte da história afro-brasileira.
Vozes que revelam o impacto
Os relatos dos alunos ajudam a traduzir o alcance do projeto. “Eu estou amando, estou muito feliz, muito alegre em participar de tudo isso, estou realizando um sonho!”, conta a estudante Maria Flor Moreira Ciciriello da Rocha. Já Jorge Davi Jordão Prata declarou seu amor a sua história. “Eu amei, estou muito feliz e me faz pensar nos meus antepassados!”, afirma o aluno.
A experiência também mobilizou as famílias. “Crianças, aproveitem bastante essa aula passeio. Quem me dera, no meu tempo, ter essa oportunidade de aprender assim sobre os povos escravizados”, destacou a responsável Angélica Vaz Ramos. Outros estudantes reforçam o impacto da vivência. “Eu gostei muito, foi legal, foi maneiro e aprendi mais sobre a cultura africana”, relata Davi Miguel Ferreira Vouga. Já Millena Garcia Ferraz resume o aprendizado com clareza. “Não precisa ter racismo. Somos todos iguais. O que muda é a cor da pele e o cabelo”.
Aprender com as próprias raízes
Os resultados do projeto aparecem na forma como os estudantes passam a se perceber e a perceber o outro. Ao conhecer a própria história, eles se reconhecem como parte dela. Para Ariadne, esse é o principal ganho. “Quando o aluno entende suas raízes, ele passa a valorizar sua identidade e a respeitar as diferenças”, afirma.
Em um contexto em que a educação é desafiada a ser mais inclusiva e representativa, iniciativas como essa mostram que o caminho passa pelo reconhecimento das origens. Valorizar as culturas é ampliar repertórios, fortalecer identidades e construir uma educação mais consciente.
Por Antônia Figueiredo
Escola Municipal Alagoas
Av. Dom Helder Câmara, 6.742 – Pilares – Rio de Janeiro/RJ
CEP: 20751-002
Responsável: Ariadne Nunes Monteiro Lima
E-mail: emalagoas@rioeduca.net
Tel.: (21) 2592-0864
Diretora: Daniele Borges
Fotos cedidas pela professora Ariadne Nunes Monteiro Lima












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