Você viu o que aconteceu na novela?


Saiba como exercitar o pensamento crítico dos seus alunos através das séries e telenovelas

A narrativa televisiva usa ação, imagens e sons especialmente selecionados para prender a atenção de crianças e adolescentes, pois ela contribui na formação de memórias de longa duração. É capaz de desenvolver a imaginação dos jovens, e as histórias que ela conta são tema de conversas e debates frenéticos entre eles. Agora, a pergunta que não quer calar: dá para descartar uma ferramenta pedagógica com essas peculiaridades?

Esse meio de comunicação tão importante quanto controverso já despertou o amor e o ódio de muitos educadores, psicólogos e sociólogos. Alguns dizem que a TV aliena e emburrece. Outros a acusam de promover a violência e o consumismo. A programação que é veiculada em diversos canais abertos e por assinatura segue, sim, a lógica do entretenimento e do mercado. Ficam mais tempo no ar as novelas, seriados, telejornais e outros gêneros que dão  Audiência, e, portanto, são patrocinados.

Com a fartura de canais, a televisão oferece programas para todas as faixas etárias. Noticiários, novelas, minisséries, seriados, talk shows, documentários, programas de auditório, desenhos animados, filmes, clipes… Eles podem ser usados para inserir conteúdos ou para debates sobre comportamento e ética. Além do mais, pode ser um grande projeto para desenvolver e aprimorar o pensamento crítico dos estudantes. Selecione os que se encaixam em seus objetivos e fique atento para constatar o interesse do seu aluno. E, antes de tudo, deixe de lado o pensamento que rotula a telinha como a pioneira de todos os males e procure assisti-la sem preconceito. Esse passo é fundamental.

As novelas, minisséries, seriados ou episódios contam histórias do cotidiano. Ao abordar conflitos pessoais ou sociais comuns, eles prendem a atenção pela previsibilidade ou pelo humor. Essa relação entre o real e o imaginário atrai os Telespectadores, que se identificam com situações ou personagens. A aproximação com a vida real fornece rico material para discutir valores e comportamentos.

Em um projeto sobre discriminação, uma das atividades sugeridas pela professora Maria da Glória Pereira de Miranda à sua turma da 8ª série do Colégio Estadual Aurelino Leal, em Niterói, foi fazer o levantamento dos programas que mais apresentam situações de preconceitos racial, social ou de gênero. Os alunos pesquisaram em casa e concluíram que Chaves, seriado mexicano exibido pelo SBT, era o campeão. O personagem do título é maltratado pelos colegas por ser órfão, pobre e andar malvestido. Os estudantes começaram então a reparar como eles mesmos julgavam as pessoas pela aparência e, depois de um debate, concluíram que eles próprios são preconceituosos e que precisavam mudar de atitude. Tratando-se de ficção, é possível estimular a imaginação da turma solicitando que escreva desfechos diferentes para as telenovelas ou seriados ou proponha outros começos para a trama. Pode-se ainda propor que a produção do texto seja em uma versão em língua estrangeira.

“Deixe de lado o pensamento que rotula a telinha como a pioneira de todos os males e procure assisti-la sem preconceito.”

Utilizando o conteúdo televisivo em sala de aula

Para que o uso produza resultados positivos na aprendizagem, lembre-se:

  1. Selecione as cenas que serão exibidas aos alunos, fazendo o recorte dentro dos seus objetivos. No caso das novelas e séries é possível utilizar os episódios que estão on-line nos canais oficiais das emissoras.
  2. Planeje as aulas propondo exercícios e atividades relacionadas ao vídeo: eles não podem ser exibidos como se fossem autoexplicativos.
  3. Confira a qualidade da imagem e do som.
  4. Pare a exibição sempre que necessário para comentários ou explicações.
  5. Peça para os alunos anotarem as cenas mais importantes, as falas e os detalhes que foram marcantes.
  6. Reveja as cenas mais importantes.
  7. Observe as reações do grupo para voltar aos pontos da exibição em que a turma mais se deteve.

Desenvolvendo e aprimorando o pensamento crítico

O primeiro tópico para incentivar o pensamento crítico de seus estudantes é tornar-se alguém questionador. Esse processo não acontece de uma hora para outra, então comece devagar, com perguntas encorajadoras. Nas primeiras fases você deve apenas mostrar os tipos de questão que podem surgir, mas com o tempo será preciso elevar o nível. Isso vai fazer com que seus alunos reflitam sobre os temas discutidos.

Desenvolver o pensamento crítico é incentivar as controvérsias. O objetivo dos temas polêmicos é fazer com que eles reflitam e formem suas próprias opiniões, de maneira que as divergências devem ser bem acolhidas na tarefa. Seus estudantes têm opiniões diferentes, encoraje-os a demonstrá-las. Ouvir as opiniões dos estudantes é um passo, mas por que não ir além e deixá-los debater em favor de suas próprias ideias? A argumentação é peça fundamental no que se refere ao pensamento crítico, de maneira que um estudante precisa saber reconhecer quando está se apoiando nas justificativas erradas.

Promova debates em sala de aula. Em vez de você dizer como um aluno está se saindo, deixe que os outros façam isso. Peça que os estudantes se reúnam e avaliem o desempenho do seu grupo e dos demais. Isso vai fazer com que eles sejam criteriosos com eles próprios e com seus colegas. O exercício será muito positivo para o conhecimento pessoal. Uma vez que você já ofereceu todos os recursos possíveis para que seus estudantes pensem de maneira crítica, afaste-se e deixe que eles tomem conta da situação. Seu papel será apenas mediar os debates e discussões. Interfira apenas quando a situação fugir do controle. Isso vai dar senso de responsabilidade à turma.

“Desenvolver o pensamento crítico é incentivar as controvérsias. Seus estudantes têm opiniões diferentes, encoraje-os a demonstrá-las.”

Sugestões de novelas para você analisar

CARROSSEL

A criação de Íris Abravanel, baseada na versão mexicana de grande sucesso nos anos 1990, traz no enredo as relações entre as crianças, tendo como pano de fundo a própria escola. O professor pode trabalhar com a  diversidade em sala de aula, ponderando a importância do respeito entre os colegas diante das diferenças. Pode-se também explorar o significado de palavras como: infância, amizade, educação, futuro, entre outras.

Site: sbt.com.br/carrossel


OS DEZ MANDAMENTOS

A obra bíblica de Vivian de Oliveira pode ser trabalhada com os fatos históricos presentes em um dos mais antigos livros da humanidade, escrito há mais de cinco mil anos. Afinal, quem foram Moisés, Ramsés e Nefertiti? Como interpretar a história de Adão e Eva? Qual o impacto da Bíblia Sagrada na atualidade? A partir dessa temática é possível promover um grande desdobramento.

Site: www.r7.com/os-dez-mandamentos


VERDADES SECRETAS

A novela de Walcyr Carrasco pode ser trabalhada com alunos do 3º ano do Ensino Médio explorando as temáticas ligadas ao consumo das drogas, bem como a diferenciação entre o usuário e o traficante e as leis vigentes no Brasil. É possível ainda instigar os alunos a pesquisar sobre a prostituição no país.

Site: globo.com/verdadessecretas


Planeje seu projeto com a atual novela das 9

Se existe algo comum a todo ser humano é que todos temos um sonho, um desejo, um querer, que diz respeito a amor, dinheiro, sucesso, identidade, poder, realização profissional. Os quereres são múltiplos e se interligam, interagem entre si nesse grande painel da convivência humana, harmonizando-se ou chocando-se uns com os outros. Movidos pelo querer, somos o tempo todo desafiados a fazer escolhas. Escolhas que nos fazem bem ou que se voltam contra nós. São questões que nos unem em um mundo em ebulição, no qual as certezas e os valores estão em pleno questionamento. Num tempo em que as distâncias são relativas e a vida de todos é arrebatada por uma enxurrada de informações, onde surgem novas linguagens, novos modelos e novos códigos.

Na atual novela das 9, A Força do Querer, escrita por Glória Perez, essas questões se traduzem através da história de diferentes personagens, seus quereres e suas escolhas. Mais uma vez, como é comum a todos os seus trabalhos, a autora vai falar de diversidade, de tolerância, das dificuldades de compreender e aceitar o que é diferente de nós. E do embate entre o querer (vontade) e os limites éticos e morais que permeiam nossas escolhas. Nesta atividade, o professor pode trabalhar com estudantes a partir de 12 anos, aplicando debates, dissertações, seminários, estimulando à busca de um processo de engajamento ao pensamento crítico.

Site: globo.com/aforcadoquerer


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