Viagem pela imaginação através das artes e livros


Atividades curriculares confirmam sua importância no exame do Enem

Quem conferiu as provas do Enem 2012 pôde comprovar as novas tendências de concursos e exames. A interpretação de texto muito rigorosa, nas ciências humanas e exatas. Questões de Matemática cujo enunciado era uma poesia. Cobrança de conhecimentos em História da Arte. Não havia divisão por áreas do saber, muito pelo contrário, os conhecimentos dialogavam entre si.

O projeto Leu, escreveu…dançou, com o tema “Viagem pela imaginação”, desenvolvido com o Ensino Médio no Colégio Estadual Jardim Meriti, vem de encontro a essa nova realidade e permite que o alunado tenha contato com diferentes linguagens. Dessa forma contribui para que esses estudantes tenham maior chance de ingressar em uma universidade pública.

Segundo a coordenadora pedagógica do Colégio Estadual Jardim Meriti, Regina Loureiro, o Enem é apenas uma das demonstrações da importância das atividades extracurriculares na formação do aluno. A educadora explica que os grandes pensadores em educação estão trabalhando a partir da estética e alerta para a mudança das práticas pedagógicas: “A proposta desse ano preenche uma lacuna da educação, pois poucos alunos sabem ler e interpretar. A ideia é despertar o interesse pela leitura e fazer com que eles possam observar não só as letras, mas também as entrelinhas, as imagens, o mundo. A partir de um todo – pode ser uma poesia, uma peça de teatro –, se parte para as diversas disciplinas. Durante a realização do trabalho cada turma explora uma obra ou temática e se expressa de uma forma diferente”, afirma.

O projeto, que acontece todos os anos, trouxe nessa edição a temática da Lusofonia – conceito que permite o estudo da Língua Portuguesa em todas as ex-colônias de Portugal. A escolha foi uma homenagem à lei do acordo ortográfico, que entra em vigor no final desse ano.

Diversão e arte

São seis dias de mostra. De acordo com a coordenadora Alessandra Caetano, não faltou criatividade no desenvolvimento das tarefas. A partir da coletânea Contos Africanos, os alunos apresentaram uma peça de teatro sobre a criação do mundo, segundo a visão nagô, e sobre os deuses africanos, inspirados em um dos textos que compõem a obra, de autoria do angolano Luandino Vieira. A turma de Jamile dramatizou o livro do Ziraldo “Uma professora muito maluquinha”. A aluna, que protagonizou a peça, encantou a escola inteira com seu personagem: “O mais interessante é que o autor deixa no ar algumas perguntas, como para aonde foge a professora e com quem; além disso, sequer dá um nome a ela, o que deixa algumas questões em aberto. Mas a intenção de Ziraldo era essa: mostrar que só era perfeita porque tinha saído da imaginação das crianças, e essa é a ideia do projeto, aguçar a criatividade”, explica a jovem.

Elisabete Nascimento produziu, com sua turma do 3º ano, um jogral baseado em uma poesia do escritor Jorge de Lima chamada “Essa Negra Fulô”, que foi usada pelos estudantes para dramatizar um diálogo entre ela e a Sinhazinha. A docente aproveitou o conteúdo do 3º ano, que é o diálogo entre as literaturas do Brasil e de Portugal, e sugeriu a adaptação cômica para o poema. “Me senti uma privilegiada por ter conhecido a obra de Jorge de Lima e ter me colocado no lugar de pessoas de outras épocas. A peça foi bem-humorada até porque todos gostamos de rir”, conta Graziela, que “encarnou” a Negra Fulô. Florbela Espanca também foi lembrada em um sarau durante o Chá Literário: “A poetisa é um sucesso aqui no colégio, e até hoje ex-alunos citam a autora nas redes sociais”, acrescenta Regina, que está sempre de olho em todas as etapas.

Simone Santiago, de Educação Artística, organizou uma exposição com seus alunos do 2º ano e as turmas revelaram seus talentos. A educadora destacou a beleza dos trabalhos dos jovens, que produziram telas com várias técnicas de recorte e colagem: “Em uma das atividades eles tiraram cópias de suas fotos, recortaram e colaram, desconstruindo a própria imagem. É uma forma de explorar a identidade de cada um, de fazer uma viagem interior. Em outra, escreveram suas iniciais com um desenho em letra grande e acrescentaram elementos com que se identificavam. Os resultados ficaram muito plásticos”, reconhece. A docente recorda a importância do ensino da disciplina: “No currículo temos todas as escolas de arte desde a Idade da Pedra até os dias atuais, e no Enem caíram questões que citaram pintores como Raphael e Pablo Picasso. Hoje essas noções são importantes para eles”.

Novas visões para a África e para a história

Para o aluno Sávio, do 3º ano, a experiência foi uma oportunidade única de fazer descobertas com os amigos: “Conhecíamos pouco sobre a África além dos estereótipos. A mídia mostra o continente como um país miserável e exótico. Até então sabíamos muito pouco sobre sua história como precursora da escrita e da Matemática e seu potencial. Fiquei encantado com os deuses orixás. Além disso descobri que posso superar minha timidez”, revela.

Quanto a Portugal, o jovem também rompeu com a ideia de “vítima e vilão”, já que todo cuidado é pouco para não se interpretar a História de forma simplista: “Somos o Brasil, essa mistura de índio, negro e branco. Se não tivesse sido assim, não falaríamos a Língua Portuguesa e não seríamos a 5ª economia do mundo, essa foi a nossa história”, concluiu.

Nas salas de aula uma turma do 2º ano expôs maquetes e murais baseados em um livro sobre o filme “Cinco vezes favela por nós mesmos”, em que os próprios moradores das comunidades produzem e atuam no filme. “A ideia é fazer com que as pessoas entendam que podem fazer tudo, inclusive cinema”, afirma a aluna Clarisse. Outra equipe montou uma exposição sobre Moçambique e Angola, representando a literatura desta última, através da obra do escritor Agostinho Neto, primeiro presidente depois que o país se tornou livre. “As cores e as gravuras servem para quebrar a imagem que as pessoas têm da África, pois trata-se na verdade do berço da humanidade, uma cultura diversificada, que é contada por meio da sua literatura”, lembrou.


Por: Claudia Sanches
Colégio Estadual Jardim Meriti
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Direção: Ocineia Martins

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