Um lugar cheio de lendas e histórias


Projeto faz com que os alunos conheçam um pouco da herança indígena no município onde moram

Você sabia que os primeiros habitantes de Magé foram indígenas? Isso mesmo, por volta do ano 1000, índios que habitavam o litoral foram expulsos para o interior do continente devido à chegada de povos procedentes da Amazônia. Quando os primeiros colonizadores portugueses chegaram ao Brasil, no século XVI, encontraram várias etnias indígenas, entre elas os tupinambás, pertencentes ao tronco tupi. Para conhecer essas e outras histórias da região, os professores Miriam Soares, Roberto, Aderine e Kelcilene do Centro de Ensino Integrado Agroecológico (Ceia) Barão de Langsdorff, localizado em Magé, criaram o projeto Dia de Valorização da Cultura Indígena: revisitando a história e lendas dos primeiros habitantes de Magé.

Segundo os educadores, o trabalho visou levar até os alunos da turma 1.001, do Ensino Médio Integrado Técnico em Agropecuária, um pouco da herança indígena no município onde moram. “Através de uma palestra realizada no local da visitação (Morro do Bonfim), no centro da cidade de Magé, conversamos sobre o passado e o presente da população indígena brasileira. Também recontamos a lenda de Mirindiba”, explicam.

Lenda de Mirindiba

Uma das mais belas lendas de Magé é sobre a índia Mirindiba. Segundo a história, uma índia do povo Tupinambá (filhos do Pai Supremo) foi encantada pelo pajé de sua tribo, utilizando seu maracá (instrumento mágico), e transformada numa árvore. Essa índia encantada ficou fixa no Morro do Bonfim no centro de Magé, sobre os olhares de Coaraci (o Sol), de Jaci (a Lua) e de Tupã (o deus do raio e da tempestade). A Mirindiba vive acompanhada de Anhangá (o Espírito da Floresta) e de Curupira (protetor dos seres vivos da floresta). Segundo a lenda, no alto do morro, a índia Mirindiba está protegendo o povo da cidade contra as injustiças e opressões.

 

O intuito do projeto também é conscientizar os alunos das condições atuais e dos desafios que os índios brasileiros enfrentam para se perpetuar no lugar que lhes é de direito. A questão dos conflitos por terras e a situação do nativo também foram abordadas ao longo do projeto. De acordo com Miriam, que é professora de História, a aculturação acontece quando duas culturas distintas se encontram e passam a se influenciar mutuamente. Desse processo as duas culturas sofrem mudanças. Porém as transformações ocorridas com os indígenas, como ler e escrever a língua portuguesa, por exemplo, foi algo muito mais marcante e com forte impacto em seu legado cultural. “Além disso, a cultura indígena perdeu bastante espaço nas transformações vividas pelo Brasil. Resolvemos então apresentar aos alunos alguns termos, expressões, palavras de origem indígena e que fazem parte do nosso cotidiano. Também mostramos dados recentes de mortes e conflitos em várias regiões do país ocupadas por índios em áreas muitas vezes cobiçadas por investidores de dentro e de fora do Brasil”, ressalta a docente.

Durante todo o projeto, o grupo realizou diversas atividades. Entre elas uma palestra e um café comunitário com produtos da terra (batata-doce, aipim, milho cozido, banana-da-terra) e sucos (guaraná e erva-mate). Foi organizada também uma competição, onde a turma se dividiu em 4 equipes. Cada uma foi identificada por nomes de tribos. Ganhou o jogo a que acertou o maior número de significados de palavras de origem indígena existentes no vocabulário. Ao final os alunos realizaram um abraço ao redor da árvore Mirindiba em apoio às causas indígenas.


Centro de Ensino Integrado Agroecológico Barão de Langsdorff
Estrada da Conceição, 4.601 – Fazenda Conceição do Suruí – Magé/RJ
CEP: 25925-000
Tel.: (21) 3632-2801
E-mail: c.e.agricola@hotmail.com
Fotos cedidas pela escola

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