Um jogo de interpretação


Descubra como um professor melhorou a capacidade dos alunos de assimilar conteúdo escolar com o RPG

Já pensou ensinar seus alunos de uma forma que eles adoram: jogando, por exemplo? Imagine que um professor de geografia está discutindo sobre países e capitais, mas deseja ressaltar sobre as condições climáticas que esses locais enfrentam. E, na turma ao lado, um professor de Português quer falar sobre as variações da língua no Brasil, em Portugal e em Angola. À primeira vista, nada em comum entre as duas situações. Mas a cena nas salas é a mesma: alunos lançam dados e recebem instruções de um colega, resolvem enigmas relacionados ao conteúdo curricular e debatem entre si. Parecem entretidos e interessados na atividade. Estão jogando RPG.

A sigla vem do nome em inglês role playing game que em português quer dizer “jogos de interpretação de papéis”. Surgidos nos anos 1970, os RPGs funcionam como uma espécie de dramatização: os jogadores são transferidos para um lugar e uma época imaginários e encarnam personagens ficcionais, seguindo um enredo predefinido e contado por um narrador. Enquanto os acontecimentos são descritos, todos precisam imaginar o que está ocorrendo e são instigados a resolver os enigmas. Das respostas e decisões depende o desfecho da história.

O professor de geografia Leandro Martins apostou na atividade lúdica e está ganhando a atenção da garotada que estuda na Escola Estadual Abdias Nascimento em Nova Iguaçu. Neste jogo um grupo se reúne para construir uma história, uma aventura, em um teatro improvisado. Existe um jogador especial que dirige a história conforme ela vai acontecendo, chamado de “narrador” ou “mestre”. Ele é o responsável pelo desenrolar dos acontecimentos no cenário. Os outros jogadores modificam a história com suas ações enquanto interpretam seus personagens. Existem inúmeros sistemas de regras e ambientações para os jogos de RPG, e muitos artigos e livros criados para demonstrar como o RPG é uma ferramenta na educação, para alunos e professores, podendo colocar a disputa em muitos níveis de ensino.

De acordo com Leandro, uma das histórias ocorreu com uma turma do terceiro ano do Ensino Médio, utilizando o sistema de regras norte-americano Storyteller, famoso pelo RPG de horror pessoal “Vampiro: A máscara”. A aventura narrada visava apresentar o Haiti e a narrativa ocorreu no recorte histórico da revolução dos escravos nesta região. Durante a aventura foram apresentados, além do divertimento, aspectos físicos, culturais e históricos do país insular. “É certo que o RPG pode proporcionar um estímulo único aos professores e alunos, desenvolvendo práticas pedagógicas inovadoras. O RPG sempre teve destaque em sua influência na minha vida pessoal, e, com certeza, teve em muitas outras pessoas, desde jovens afoitos por aventuras e jogos inerentes às ações dos seres humanos até escritores que podem testar suas histórias, possuindo uma infinita fonte de referências”, enfatiza o docente.

Para que o RPG esteja a serviço do aprendizado, sua transposição do universo adolescente para a sala de aula não pode ser direta. O fundamental é que a ação esteja ancorada num conteúdo específico que sirva de base para a aventura. A partir daí, os estudantes discutem e fazem pesquisas para descobrir como seus personagens devem agir. Cabe ao professor analisar se as propostas da turma são possíveis e coerentes de modo que se possa desenvolver o conteúdo em questão.

Para o professor Leandro Martins, em função da possibilidade de conhecer outros modos de pensar, agir e sentir, essa atividade amplia o conhecimento. “Observando outra realidade, e se inserindo nela, é possível estimular o hábito da pesquisa e da leitura”, ratifica.


Por Richard Günter
Escola Estadual Abdias Nascimento
Rua Alexandre Fleming s/nº – Vila Nova – Nova Iguaçu/RJ
CEP: 26225-490
Tel.: (21) 2797-8148
E-mail: ceabdiasn@gmail.com
Fotos cedidas pela escola

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