Um continente multifacetado


Projeto revela a face africana no mundo

Compreender a história da África e seus desafios no mundo globalizado, descartando a visão eurocêntrica e lançando novos olhares sobre esse continente, com o compromisso de educadores e alunos de revelar o que existe de africano no Brasil. Essa foi a proposta do projeto África: da terra dos orixás ao Brasil – um passeio cultural, desenvolvido por alunos do Ensino Médio do Colégio Estadual Professora Terezinha de Carvalho Machado, na Praça Seca, Jacarepaguá.

Durante dois dias nos três turnos, as 45 turmas da escola promoveram a releitura da história africana e apresentaram as suas contribuições para a formação cultural brasileira. “Ao desenvolvermos esse projeto, tivemos a pretensão de valorizar a nossa identidade cultural, através do cotidiano escolar, objetivando a igualdade racial e o respeito pela diversidade dos nossos alunos e da comunidade escolar. Sabemos que a cultura africana é de grande relevância na formação do nosso povo, o que é comprovado nos traços culturais, na própria religiosidade e na musicalidade. Porém, essas características ainda não são tão valorizadas pela educação brasileira”, reconhece a diretora adjunta Sônia Suely Fernandes Ribeiro.

De acordo com as coordenadoras do projeto, docentes de História Maria Angélica Amâncio e Regina Célia Bonelli Rodrigues, cada etapa do processo representou objetivos específicos, buscando promover o trabalho coletivo e a cooperação entre alunos e professores, com o intuito de despertar a africanidade brasileira em diferentes manifestações culturais. Foram desenvolvidas atividades de integração pedagógica entre os conteúdos programáticos e as práticas pertinentes ao projeto.

“Procuramos sensibilizar o aluno para a necessidade de se pensar e buscar soluções para os problemas sociais, culturais e econômicos dos afro-brasileiros em seu cotidiano. À medida que o projeto transcorria, proporcionamos condições para que eles conhecessem e valorizassem as manifestações africanas na culinária, nas artes, nos esportes, na língua e na religião, como elementos formadores da cidadania brasileira”, justifica a professora Maria Angélica. “O nosso desafio foi levar os alunos a uma interpretação clara e desprovida de preconceito ou ideias pré-assimiladas em relação aos assuntos ligados à religião ou hábitos sociais e culturais dos povos africanos, buscando minimizar essas visões preestabelecidas ou pejorativas”, complementa Regina Célia.

Durante a culminância do projeto, cada turma montou estandes para apresentar à comunidade escolar variados subtemas: a criação do mundo na visão africana (contos e lendas); a herança cultural dos escravos; miscigenação genética e preconceito; medicina africana; mandalas e máscaras; designer e vestimentas, entre outros. Para o professor de Língua Portuguesa, Sidnei da Silva, o trabalho de pesquisa possibilita ao aluno, além do enriquecimento cultural, o aprimoramento das habilidades de leitura, escrita e oralidade.

“O projeto é uma oportunidade fabulosa para que o profissional de Língua Portuguesa possa trabalhar com seus alunos praticamente todo o ciclo da língua. Ele orienta o estudante na leitura, em busca da pesquisa, e na etapa seguinte, quando terá que ser interpretado o material pesquisado e transformá-lo em linguagem escrita”, afirma. Os professores Marco Antonio Fonseca, de Sociologia, e Helena Correa, de Filosofia, também destacam pontos positivos no projeto. “Muito mais do que conciliar o conteúdo da disciplina com os subtemas propostos, o projeto fez com que o aluno mergulhasse na sociedade africana e traçasse paralelos com o cotidiano do brasileiro, dando visibilidade a determinados aspectos que lhes propiciaram o desenvolvimento de um senso crítico mais apurado”, garante Marco. “O estudo da África é um componente curricular novo que aos poucos está sendo implantado e possibilita ao educador abordar também a parte de cidadania e expressar o desenvolvimento político do país”, completa Helena.

A professora Mary Lúcia da Silva faz parte do grupo de trabalho para implementação de gestão integrada na Regional Metropolitana VI. Segundo ela, romper com as barreiras que existem entre as raças é o maior benefício que o projeto pode propiciar. “Somos uma nação diversificada e qualquer forma de preconceito racial é fruto do desconhecimento e deve ser combatido. Quando a escola oportuniza esse tipo de discussão, todos saem ganhando”, argumenta. A coordenadora pedagógica da escola, Sandra Araújo, concorda e finaliza: “O projeto é uma ação educativa que busca investir numa mudança de comportamento dos alunos e das comunidades atendidas pela escola, incentivando as múltiplas linguagens. Ao resgatar nossas raízes, podemos conhecer o passado para projetar um futuro melhor”.


Por: Tony Carvalho
Colégio Estadual Professora Terezinha de Carvalho Machado
Rua Cândido Benício, 826 – Praça Seca – Rio de Janeiro/RJ
CEP: 21320-060
Tels.: (21) 2333-5609 / 2333-6242
E-mail: cemat@ig.com.br
Diretor: Paulo César Magalhães
Fotos: Marcelo Ávila

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