Tenho um aluno com diabetes e agora?


Professor, saiba como lidar com um diabético em sala de aula

Classificado como doença crônica, o diabetes atinge quase 900 milhões de pessoas no mundo inteiro. O Brasil, por exemplo, já ocupa o quarto posto como país com mais casos registrados, beirando os 12 milhões. De acordo com a Associação de Diabetes Juvenil (ADJ), estima-se que 1 milhão deste total seja de crianças.

O diagnóstico de diabetes em uma criança traz enormes preocupações aos pais e diversas perguntas do tipo: como se aplica a insulina? Como saber se meu filho está hiperglicêmico? E se o açúcar no sangue subir? E como será na escola?

Até o momento, não há comprovação científica de que o diabetes possa interferir na aprendizagem. O que é preciso ratificar é que o aluno diabético deve ter uma atenção e receber cuidados como qualquer outro.

Na infância e na adolescência, a manifestação mais comum da doença é a do tipo I, que interfere drasticamente na absorção e produção de insulina. Esse hormônio é o responsável pela quebra das moléculas de glicose, que posteriormente se transforma em energia. Assim, o corpo fica impossibilitado de controlar a quantidade de glicose no sangue, o que tende a ser bastante prejudicial à saúde.

Quando está sob controle, o aluno pode realizar qualquer atividade na escola, mas é preciso observá-lo tendo em vista que podem ocorrer alterações por conta da hiperglicemia.

 

O QUE É DIABETES?

No infográfico abaixo, é possível entender por que ele se manifesta no organismo.

Quando o professor está informado sobre o assunto, é muito mais fácil conduzir o aluno que precisa de ajuda. O conhecimento sobre a temática só contribuirá para uma melhor observação da situação.

Por isso, ao receber um aluno com diabetes é de extrema importância que a equipe educacional conheça os fatores de risco e prevenção sobre a doença. Muitas vezes os casos são relatados pelos próprios pais, que por sinal são excelentes informantes por viverem a rotina diária. Mas há também contribuição de equipes de saúde da comunidade, além da área de nutrição responsável pela alimentação escolar.

É imprescindível ficar de olho: na hora do lanche

Atualmente, os diabéticos não têm, em geral, muitas restrições alimentares. Um dos métodos utilizados para planejar a alimentação é a chamada Terapia de Contagem de Carboidratos, por meio da qual se contabilizam os gramas que serão consumidos nas refeições e se calcula a quantidade de insulina a ser aplicada após a pessoa se alimentar.

Algumas recomendações, entretanto, existem. A alimentação deve ser saudável e regulada e devem-se evitar alimentos com alto teor de açúcar. Essa é uma indicação para todas as crianças e adolescentes, mas que no caso dos diabéticos tem importância fundamental.

A orientação do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) é que as especificidades alimentares de crianças e adolescentes com doenças crônicas, como diabetes, pressão e colesterol altos, sejam respeitadas. Entretanto, os sistemas de ensino, tanto municipais quanto estaduais, têm autonomia definida por lei para operar suas redes de ensino, o que inclui a alimentação escolar. A maioria dos estados e municípios não dispõe de regulamentação nesse sentido.

A cidade de São Paulo, por exemplo, tem um grande ponto positivo. A Lei nº 13.205, de 2001, obriga as escolas e creches municipais a manterem alimentação diferenciada aos diabéticos em sua merenda escolar. Existe também a Lei n° 13.285, de 2002, que cria o Programa de Prevenção ao Diabetes e à Anemia Infantil na Rede Municipal de Ensino. Entre outras disposições, o programa determina merenda especial para alunos com diabetes e anemia.

“Quando a criança apresenta qualquer restrição alimentar pedimos que os responsáveis encaminhem para a escola um laudo médico ou de nutricionista contendo o diagnóstico da doença e qual a restrição. Nós, então, adaptamos o cardápio que já é servido na merenda”, explica a nutricionista do Setor de Cardápio do Departamento da Merenda Escolar da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, Helena Novaretti.

Esse cuidado é para tentar minimizar as diferenças entre a alimentação de um aluno com dieta especial e aquela dos outros meninos e meninas. “Existe toda uma preocupação com a inclusão dessa criança na escola para que, mesmo com a restrição alimentar, ela participe daquele momento social sem se sentir diferente do grupo”, afirma a nutricionista.

 

Mas o que fazer quando o aluno está com hipoglicemia?

Quando a criança toma mais insulina ou come menos do que o habitual, é comum acontecer durante ou logo após atividades físicas.

A hipoglicemia pode aparecer de repente. Os sintomas são suor frio, tremor, fraqueza, tontura, sonolência, irritabilidade, dor de cabeça ou qualquer outra alteração de comportamento. Se não for tratado pode apresentar desmaio ou crise convulsiva. Para confirmar, é preciso realizar o exame de glicemia capilar, pelo teste da Ponta de Dedo. Se não for possível, tratar como hipoglicemia.

• O QUE FAZER: dar água com açúcar (1 colher de sopa rasa) OU 1 copo de refrigerante normal OU 2 sachês de mel OU suco de fruta de caixinha não dietético OU 5 balas moles. Aguardar 15 minutos e ver resultado. Se necessário, repetir a conduta.

• EM CASO DE DESMAIO: providenciar transporte para o serviço de saúde. Enquanto isso, não deixar a criança sozinha, não oferecer líquidos nem alimentos sólidos. Passar açúcar ou mel na gengiva e na mucosa da bochecha.

… quando o aluno está com hiperglicemia?
Quando a criança toma menos insulina ou come mais do que o habitual. Os sintomas variam de sede intensa, aumento de diurese (urina abundante), desidratação, fadiga fácil, respiração acelerada. A confirmação só é obtida pelo exame de glicemia capilar, conhecido como teste da ponta de dedo. Se não for possível realizá-lo, entrar em contato com a família.

• O QUE FAZER: contactar a família, oferecer água com frequência. O aluno precisa de insulina, mas esta só deve ser administrada na escola se houver pessoal preparado e orientação da família ou médico da criança. O ideal é levá-la para um serviço de saúde quando apresentar sinais de desidratação (lábios secos), respiração acelerada, hálito com cheiro de fruta estragada, sonolência, vômitos e prostração.


Por Richard Günter
Fontes: Sociedade Brasileira de Diabetes | Diabetes nas Escolas
Associação de Diabetes Juvenil | Programa Nacional de Alimentação Escolar
Secretaria Municipal de Educação de São Paulo


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