Quando se deve aprender a ler e a escrever?


Saiba o que você pode fazer para que seus alunos se interessem pelo universo das letras sem pular etapas

Muitos se perguntam: “Com quanto anos a criança deve aprender a ler e a escrever”? A resposta, no entanto, é muito relativa. Não há uma idade inicial, pois depende da sua maturidade em relação à leitura/escrita. Algumas se interessam ainda com 2 ou 3 anos pelas letras e há aquelas que começam a notar a existência do alfabeto e sua função apenas com 5 anos. Falando de modo geral, a faixa etária de alfabetização, considerando todo o processo básico, é dos 4 aos 7 anos. Algumas crianças conseguem depois dos 7 anos, mas a dificuldade costuma ser maior, mesmo porque começa-se então a mexer inclusive com questões de autoestima pessoal, uma vez que geralmente os colegas já estão alfabetizados.

Em uma entrevista exclusiva para a Revista Appai Educar, a pedagoga Janaína Spolidorio esclarece a importância de uma boa prática que estimule as crianças a ler e escrever.

Para ela, a melhor metodologia para alfabetizar uma criança é aquela que atende ao perfil do aluno e não do professor. “Muitos docentes usam uma determinada metodologia, fixa e estruturada, porque têm maior facilidade para sua aplicação. Ocorre que nem sempre o aluno aprende da forma como está sendo aplicada a metodologia, e é importante que o professor perceba a forma como ocorre o aprendizado para que possa intervir a favor de um processo mais proveitoso”, ratifica Janaína que recomenda a utilização da metodologia híbrida, ou seja, mesclando formas de apresentar os conteúdos aos alunos. “Deste modo é possível tanto perceber de quais maneiras a turma aprende com maior facilidade como também ampliar o repertório de formas de aprendizagem no aluno, dando-lhe ainda a oportunidade de notar quais as opções mais fáceis de entender. Assim, é possível potencializar os resultados de alfabetização”, preconiza.

De acordo com a Base Nacional Curricular Comum (BNCC), a alfabetização pode ser feita em dois anos e deve ser complementada por uma outra etapa, mais longa, que o documento trata pelo termo “ortografização”. Dessa forma, a BNCC indica como idade para iniciar esse processo o primeiro ano e como idade final o segundo ano. A Educação Infantil é vista por um enfoque mais informal, em competências encaixadas dentro de campos de experiências, porém sem a obrigatoriedade formal de alfabetizar. A Base Curricular é um documento oficial, e o que distingue um trabalho de outro, a partir dela, é a interpretação. O que diferencia, no momento de trabalhar, é o quanto se amplia o conceito básico dado por ela. “Sempre trato objetivos de modo diferenciado, buscando todas as vertentes que se possa ter e colocando o máximo de estratégias para que o aluno seja atingido e para que a aprendizagem ocorra. O conteúdo é algo estático dentro do documento, o que muda é a forma como ele é tratado, e é exatamente isso que faz a diferença nos resultados de um trabalho de alfabetização”, reitera Janaína.

Outro fator que contribui muito para a alfabetização é o incentivo que se recebe dos pais, em casa. O ambiente influencia e desperta o interesse para a leitura e a escrita. Pais que, desde cedo, oferecem aos filhos livros infantis, lápis e papel para rabiscarem ou que leem histórias antes da criança dormir estimulam diretamente. Lembrando que o ideal é ler e não apenas contar histórias, já que leitura e contação são processos diferentes um do outro. Pois quando se lê utilizando o livro, desperta-se a curiosidade da criança para saber o que são aqueles “riscos” e o que eles significam.

Janaína Spolidorio reúne em seu site diversos materiais que podem auxiliar outros docentes na composição das aulas de alfabetização.

Acesse: janainaspolidorio.com.br


Por Richard Günter
Fonte: EVCOM

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