Correndo dentro e fora da sala de aula


Professor une suas duas paixões e faz a diferença na vida dos alunos

O professor acorda cedo, dá aula em mais de uma escola, corrige provas e trabalhos, oferece conselhos e ensinamentos para os alunos, se dedica para melhorar seu desempenho em sala de aula e alguns exercem até outras profissões. É uma verdadeira correria no dia a dia. E em alguns casos essa “maratona” acontece dentro e fora da sala de aula. Um exemplo disso é Carlos Eduardo Menezes, que, além de professor, é maratonista. Mas, afinal, como ele consegue conciliar essas duas paixões? A Revista Appai Educar conversou com o educador, que conta como o diferencial das suas aulas fez com que ele concorresse a uma vaga para disputar a maratona de Berlin, uma das maiores do mundo. Confira:

Revista Appai Educar: Qual o diferencial das suas aulas?

Carlos Eduardo: Eu exerço atividades em mais de uma escola: Colégio Santa Mônica, Sociedade Educacional Ramos Pinto, GAU (Grupo de Aplicação Universitária) e Colégio Prioridade Hum. Tento levar minhas aulas da maneira mais espontânea e próxima da realidade dos alunos. Ensinar geografia não é uma tarefa muita fácil. Usar o vocabulário correto, ser dinâmico, trazer o dia a dia para dentro da sala de aula contribui muito para despertar o interesse no aprendizado. Essa é a minha missão, formar curiosos, despertar o gosto pelo conhecimento.

RAE: Você realiza algum projeto durante o ano letivo? Conte detalhes.

Carlos: Costumo desenvolver alguns trabalhos, amo a corrida de rua e a incluo em minhas aulas, mas além disso tenho outras paixões e o carnaval é uma delas. Sempre faço uma semana com aulas extraídas de sambas-enredo e geralmente naquele bimestre aplico uma prova com 100% do conteúdo extraído de outros que já brilharam na Marquês de Sapucaí. Mas o que eu gostaria de destacar são as aulas que faço ao ar livre, mais especificamente na Barra de Guaratiba, quando levo os alunos para um trabalho de campo, onde todos subimos em pranchas de stand-up para conhecer um pouquinho dos manguezais de nossa cidade.

RAE: Qual o objetivo desse trabalho?

Carlos: Fazer com que os alunos consigam perceber a importância desse sistema tão frágil para a preservação da vida marinha e reprodução de espécies aquáticas e que foi tão devastado no nosso litoral.

RAE: Em quais turmas você desenvolve esse trabalho?

Carlos: Por ser uma aula diferente, que requer um grau maior de cuidado, já que literalmente entramos nos canais onde remamos por mais de uma hora, a aula é feita com alunos de Ensino Médio. Geralmente consigo misturar todas as turmas de primeiro, segundo e terceiro ano.

RAE: Quais os resultados obtidos?

Carlos: Primeiramente sair da sala, sair do tradicional quadro, caneta, cópia, fazer exercício… já é algo muito esperado pelos alunos. Levá-los para dentro de um sistema vivo, onde eles percebem a importância de cuidar, de preservar, de que sejam criadas políticas públicas que mantenham aquele ambiente em funcionamento, faz com que extrapolem e reconheçam a importância de se preservar por exemplo a Mata Atlântica, o Cerrado e a Floresta Amazônica. Falamos muito em preservação, mas por que preservar? Às vezes os alunos não conseguem dimensionar isso e, quando eles vão a campo, quando eles observam a poluição, as ações antrópicas sufocando a natureza, acaba despertando um sentimento de que a responsabilidade também é nossa.

RAE: Na sua opinião, qual a importância de oferecer aulas lúdicas para os alunos?

Carlos: O aluno tem uma vontade de aprender fora do comum, e o que precisamos é encontrar as ferramentas certas para despertar esses interesses. O mundo moderno tem muito a oferecer, e uma aula tradicional acabou se tornando algo desinteressante, pois muitas vezes o professor quer ser o centro das atenções, quando na verdade esse papel é do conhecimento. Aprender é o que mais importa, e quando o aluno é estimulado a adquirir conhecimento podemos propor diversas atividades em que ele vai aprender brincando, fazendo coisas do seu cotidiano. Isso para o aluno é libertador!


O professor Carlos Eduardo também participou de uma entrevista para o programa Talento A+ da TV Appai.
Para assistir, Clique Aqui.
Fotos cedidas pelo professor

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