O que constitui nossa brasilidade?


Alunos são incentivados a pesquisar sobre o jeito brasileiro, a cultura e as características naturais do país

A diversidade brasileira foi o tema escolhido para a Feira Cultural do Colégio Salesiano, um evento pedagógico que envolve estudantes dos ensinos Fundamental e Médio e acontece uma vez ao ano. Segundo os idealizadores do projeto, é uma possibilidade de construção de visões de mundo com os alunos, para que eles compreendam um pouco mais sobre o que somos hoje.

O projeto foi concebido ainda no início do ano letivo e, além da exposição no dia da Feira, os alunos cumpriram um cronograma que inclui desde a escolha do tema, passando por todo o processo de pesquisa, até a seleção dos materiais utilizados na montagem dos estandes. Os estudantes se dividiram em grupos e os subtemas levaram em consideração também o conteúdo curricular de cada série. As exposições foram ricas e diversas, assim como o Brasil. “Nosso principal objetivo foi promover um resgate da brasilidade”, resume o diretor-geral da unidade, padre Reginaldo Marinho.

O conteúdo variou desde a pesquisa sobre a vida e a obra de artistas e escritores, como Ziraldo e Cândido Portinari, até temas como festas populares, culinária, música, recursos naturais e períodos históricos. “O objetivo foi o de favorecer uma análise atenciosa de tudo aquilo que é parte formadora do mosaico das diversas manifestações representativas da nossa cultura, além de valorizar a nossa pátria”, destaca o texto de apresentação do projeto.

Para a avaliação foram levados em consideração o trabalho escrito, o envolvimento individual de cada componente do grupo, a presença no dia da Feira e a forma de apresentação do tema escolhido. Durante a fase de pesquisa, os grupos receberam o direcionamento de um professor orientador, escolhido pelos próprios educandos no início do processo.

Os alunos do quinto ano, por exemplo, estudaram o Brasil através das telas de Portinari. A professora Bianca Senna conta que utilizou múltiplos recursos para fazer com que o trabalho para a Feira fosse interessante e significativo para os estudantes. “Utilizei vídeos, livros e as telas do pintor. O Brasil pode ser trabalhado de várias vertentes e Cândido Portinari retrata a infância em seus quadros, o que a torna um assunto interessante para as crianças”, explica a educadora.

O quarto ano levou temas sérios para Feira, porém de forma lúdica e com uma linguagem atraente para alunos dessa faixa etária. A docente Cristiane de Souza conta que, através dos personagens criados pelo escritor e cartunista Ziraldo, pôde trabalhar temas delicados e ao mesmo tempo necessários atualmente, como os cuidados com o meio ambiente e os direitos da mulher, do idoso e do professor. “Procurei utilizar temas atuais para apresentar aos estudantes alguns autores brasileiros. Eles conhecem muita coisa através do YouTube, mas é importante ter acesso à literatura”, ressalta Cristiane. Além de todos os trabalhos em sala de aula, a professora ainda incentivou as crianças a escreverem uma carta para o escritor de “Uma Professora Muito Maluquinha”.

No Ensino Médio, a brasilidade foi retratada nos mais variados aspectos. Nos trabalhos os alunos abordaram temas como esporte, dança, música, arte, história, política, regiões geográficas e mobilizações populares. Um grupo de estudantes do primeiro ano decidiu abordar a cultura de Parintins, município brasileiro localizado no interior do Amazonas. Eles descobriram que muito do que é apresentado no carnaval carioca tem as mãos de profissionais daquela região do país, já que eles desenvolveram as mais importantes técnicas utilizadas nas alegorias das principais escolas de samba do Rio de Janeiro. “Apesar de grandioso, o Festival de Parintins é pouco conhecido no Sudeste do país, por isso a gente escolheu estudar e retratar a riqueza cultural daquela região”, explica o estudante Daniel Escovino.

Durante o processo de pesquisa, os alunos conversaram com artistas que trabalham no barracão da Portela, a tradicional escola de samba carioca. Nos bate-papos, eles aprenderam sobre as lendas do norte do país, sobre as técnicas utilizadas nas alegorias e principalmente sobre a grandiosidade do Festival. “Conhecer e poder falar com as pessoas que vivem aquela realidade foi muito significativo. Muito legal saber que eles utilizam a arte para manter viva a cultura, o folclore e a história dos índios”, completa Escovino.

Para o professor Claudio Schuab, respeitar o contexto e a realidade dos alunos faz toda diferença no resultado final de um projeto. “Estes eventos pedagógicos colaboram para que demonstrem e desenvolvam habilidades que servirão para trabalhos futuros. São estes momentos que marcam a vida dos estudantes. Eu falo para eles que cada vez que entro em sala de aula saio mais rico do que eles imaginam”, revela o professor de História e Filosofia.

 

Por Marcela Figueiredo


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Fotos: Marcelo Ávila


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