Ninguém aprende a ensinar lendo livros


Estudiosos esclarecem que a experiência colaborativa é a base da construção de uma educação com intencionalidade pedagógica

 

Como garantir os direitos de aprendizagens na Educação Infantil sob o olhar do BNCC – Base Nacional Comum Curricular – nas creches e pré-escolas? Tendo como pano de fundo esse questionamento, assim foi aberto o primeiro painel do seminário “A formação de Professores na Educação Infantil”, idealizado pela FVG Ebape – Centro de Excelência e Inovações em Políticas Educacionais, no segundo trimestre de 2018.

A professora Audaci de Lima Silva, da creche Escola Municipal Quinze de Novembro, em Camaragibe (PE), trouxe um case de sua instituição de ensino em que ela aposta na brincadeira, através do diálogo corporal para potencializar o desenvolvimento da criança. Segundo ela, os projetos surgidos a partir desse interesse em aprender tendem a ser mais participativos. Ela deu exemplos de uma atividade em que as crianças usam baldes e cabos de vassoura para, através da musicalidade, favorecer outras linguagens que perpassam pela interação, pelo despertar da curiosidade, na ampliação dos conhecimentos e habilidades, garantindo à criança o direito de ser criança e brincar.

Já Maria Malta Campos, professora da Fundação Carlos Chagas, se disse favorável à interação e ao diálogo do professor com cada criança individualmente. Na construção desse falar sobre o que ela está fazendo, ter a sensibilidade de juntar o desenvolvimento social e o cognitivo. Partilhando a mesma percepção, Mônica Samia, da Avante Educação, defendeu o olhar que diz que a educação infantil se mede por múltiplas possibilidades. “Sair dos modelos assistencialistas e escolarizados e criar uma pedagogia mais participativa em que o professor tenha um lugar ideal através do conhecer, do conviver, do explorar, do participar e do brincar”, afirmou.

Ainda dentro dessa proposta colaborativa, Samia reafirmou que os professores precisam rever e reler as diretrizes curriculares para melhor entendê-las, a fim de que se faça uma pedagogia que seja mais comunicativa com as crianças e com todos os demais atores, pais, comunidade escolar, governo, professores e alunos.

Já no segundo painel, a debatedora e mediadora Claudia Costin pontuou em sua fala a importância de se ter um esforço para assegurar uma educação inclusiva e de qualidade, a fim de que se promovam oportunidades de aprendizagens ao longo da Educação Infantil até o Ensino Médio. Costin também alertou que o brincar não deve ser o tempo todo sem intencionalidade pedagógica.

Para Marisa Ferreira, professora do Instituto Vera Cruz, transformar a Educação Infantil no Brasil é um exercício que precisamos fazer, sem perder o foco de que o estudo colaborativo da equipe de professores deve estar alicerçado no viés de que só vamos aprender juntos a partir do trabalho. “Saber a diferença entre um setor e outro não define ser um bom professor, uma vez que a formação continuada precisa ter mais contato com a prática”, garantiu.

Finalizando o evento, a professora Linda Darling-Hammond, da Universidade de Stanford, na Califórnia, argumentou sobre “A formação de professores e a transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental”, ressaltando que preparar educadores para o mundo, principalmente na primeira infância, passa sobretudo pelo contato humano para que esse profissional faça a diferença em sala de aula. “Aspectos importantes de ensino e aprendizagens sem interação, exploração, vivência, colaboração, serão apenas transmissão. Esse ensinamento se perderá, pois noventa por cento dessa informação não serão repetidos no futuro”, advertiu Linda, acrescentando ainda que ninguém aprende a ensinar lendo livros. Temos que estar construindo isso, reafirmando a importância que é a preparação dos professores para alavancar o aprendizado, sobretudo na primeira infância.


Por Antônia Lúcia


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