Neuroeducação e suas aplicações


A NEUROEDUCAÇÃO é um campo interdisciplinar que combina neurociência, psicologia e educação e se constitui em uma ótima ferramenta, pois nos oferece ensinamentos aplicáveis em sala de aula, já que tem como missão principal compreender como o cérebro aprende para dar melhoria aos processos de aprendizagem. Dentre diferentes pesquisas e estudos realizados na área da neurociência estão as do doutor Francisco Mora, formado pela Universidade de Oxford.

A seguir, comento duas das indicações de aplicação da NEUROEDUCAÇÃO para o processo ensino-aprendizagem, dentre inúmeras destacadas pelo sábio doutor Mora.

 

  1. A IDADE CERTA PARA APRENDER A LER

Perguntas como: “Devo começar a ensinar a criança a ler tão logo comece a falar?” ou “Qual é a idade adequada para esse tipo de aprendizagem?” são comuns entre os pais e entre estudantes que iniciam a arte de conduzir os pequenos (educar).

Francisco Mora esclarece que somente a partir dos 6 anos de idade é que os circuitos neurais, que vão possibilitar o processo de codificação para a leitura, estarão formados e farão conexões sinápticas que resultarão no aprender a ler de forma natural.

Portanto, se você forçar uma criança de 4 anos a aprender a ler, talvez até consiga algum retorno, porém será por meio de um processo forçado e sacrificial, marcado pela dor. Mas, se aguardar o momento certo, em pouco tempo ela aprenderá, e isso lhe trará prazer. A leitura será um processo satisfatório para a criança, que estará inclinada a repetir a experiência, o que é excelente para a continuidade de suas vivências e aprendizagens.

Quando penso que algumas crianças são forçadas a aprender sem as condições para isso, lembro-me da história da lagarta dentro do casulo, esperando tranquilamente o momento certo, em que estaria madura para soltar as asas e voar, mas que teve seu casulo aberto por alguém que imaginava a estar ajudando. A pobre lagarta saiu se arrastando e logo adiante morreu. Não estava madura ainda, precisava do casulo e das condições que essa proteção lhe proporcionava para amadurecer e se transformar numa bela borboleta. Com as crianças, o processo é o mesmo. Precisamos lhes dar condições para que se desenvolvam dentro do seu tempo.

Não é preciso ter grandes conhecimentos de neurociência para observar quando uma criança está se desenvolvendo plenamente e quando o processo de aprendizagem se apresenta sofrido e sacrificante. A chave do processo é estar atento aos sinais das crianças, respeitando seu ritmo e as adequadas condições para aprender.

 

  1. O TEMPO EM QUE A ATENÇÃO É MANTIDA

O tempo de atenção e concentração da criança em uma determinada atividade é em torno de um minuto por ano de vida. Diante desse quadro e de todas as variáveis que envolvem essa importante função que é a atenção, podemos imaginar o quanto o planejamento de aulas mais curtas pode favorecer o aprendizado. E o contrário também é verdadeiro; aulas muito longas (50 minutos), com atividades que exigem altos índices de atenção/concentração, podem representar um tempo desperdiçado. Por que desperdiçado? De forma simplificada, podemos dizer que o cérebro se sobrecarrega – pois tem seus mecanismos de proteção contra uma sobrecarga cognitiva –, e o aluno se desconcentra e perde o foco.

Por isso, na hora de planejar como será orientada a aprendizagem, o professor precisa ter em mente que as atividades devem ser projetadas para ter a duração de 10 a 15 minutos cada, e então intercalar uma atividade lúdica para oxigenar o cérebro. Somente depois retomar atividades que exijam mais atenção/concentração.

Em Educação a Distância, EAD, independentemente da idade dos alunos, as aulas são organizadas em unidades de sentido, de maneira que cada bloco de conteúdo em vídeo, por exemplo, apresente no máximo 10 a 15 minutos. Esse tipo de encaminhamento pode e deve ser adotado para o trabalho presencial com os alunos de ensino fundamental, dentro da proposta regular de educação.

O doutor Mora enfatiza que as aulas de 50 minutos devem ser “quebradas” em partes menores de 10 a 15 minutos, e nesses intervalos é importante variar a atividade, dando prioridade ao lúdico. Dessa forma, a garantia de haver um verdadeiro aprendizado é maior.

Conheça uma das importantes obras de Mora, para educadores:

MORA, F. Neuroeducación: solo se puede aprender aquello que se ama. España: Alianza, 2010. (Em tradução livre: Neuroeducação: só se pode aprender aquilo que se ama)


Por Andréa Schoch | Mestre em educação, especializada em formação de professores e consultora Appai por meio da EAD.


Deixar comentário

Seu email não será publicado