Matemática: uma ciência viva


A Matemática tem muita importância no dia a dia das pessoas. Ela é uma ciência viva, uma ferramenta que desenvolve outras ciências. Ela comporta um amplo espectro de relações e regularidades, que despertam a curiosidade e, ao mesmo tempo, aumentam a capacidade de generalizar, projetar, prever e abstrair, condições essenciais para o exercício de qualquer atividade profissional. Atualmente, com os avanços nos progressos científicos e tecnológicos, e a criação de novas áreas de conhecimento, a importância da Matemática se tornou ainda mais evidente.

Dada a importância e relevância dessa disciplina e de seu ensino, muitos são os trabalhos de pesquisa que vêm sendo desenvolvidos com o objetivo de superar as dificuldades que os alunos, dos diferentes segmentos de ensino, apresentam nessa disciplina.

Em todas essas pesquisas há um denominador comum: o papel do professor, que assume uma importância ainda maior no cenário educacional, pois passa a ser o mediador entre o conhecimento e o aluno. É ele que promove as situações significativas, investigativas e contextualizadas que ajudam a despertar nos alunos a curiosidade, o interesse e o prazer pelo conhecimento.

As pesquisas apontam ainda que as salas de aula de Matemática devem se transformar em ambientes de pesquisa, de integração com diferentes áreas, de construção de conhecimentos. Elas devem ser um espaço rico de descobertas e reflexão, um ambiente que encoraje cada vez mais os alunos a propor soluções, explorar possibilidades, levantar hipóteses, justificar seus raciocínios e validar suas próprias conclusões. Os verbos que devemos utilizar nesse espaço são todos de ação: investigar, conjecturar, justificar, descrever, interpretar, pesquisar, criar, construir,… , e não somente verbos que dão ideia de passividade, como: escutar, copiar, decorar, repetir…

Esse espaço deve ser habitado por vários recursos, que vão muito além do giz e do livro didático. Por exemplo, incorporar diferentes recursos tecnológicos ao cotidiano da escola não pode mais ser considerado como algo para o futuro. Eles precisam ser imediatamente inseridos, de forma efetiva, nos diversos espaços escolares e, em especial, nas salas de aula de Matemática. Contudo, o uso dos computadores e de outras tecnologias, por si só, não garante melhorias no processo de ensino e de aprendizagem. É fundamental aliar a esses recursos novas metodologias de ensino, que fujam da simples memorização e levem o aluno a realmente participar do seu processo de aprendizagem. Caso contrário, o computador, por exemplo, corre o risco de ser utilizado apenas como recurso passivo, como ferramenta de armazenamento ou recurso para cálculos ou busca de informação.

Segundo Ubiratan D’Ambrosio, a falta de tecnologia causa má educação, porém o uso de tecnologia não é sinônimo de boa educação. Por esse motivo, pesquisadores da área de educação matemática que se dedicam ao trabalho com as novas tecnologias aliam a esse recurso uma proposta que tem como eixo metodológico a resolução de problemas.

Além dessas, outras propostas metodológicas devem ser empregadas com vistas à melhoria do ensino de Matemática tanto no Ensino Fundamental, quanto no Médio. Entre elas, merecem destaque a abordagem histórica dos conceitos, o uso de jogos e de materiais manipuláveis.

A História da Matemática é um valioso recurso metodológico. Entender a disciplina como uma criação humana, com seu corpo de conceitos e procedimentos em constante transformação e evolução, pode contribuir para que os estudantes se sintam mais próximos desta área de ensino.

O uso de jogos e materiais manipuláveis é outro recurso que pode fazer com que a Matemática se torne viva e que as ideias abstratas tenham significado. Sua utilização nas aulas de matemática implica uma mudança significativa nos processos de ensino-aprendizagem, que permite alterar o modelo tradicional de ensino, que muitas vezes tem nos livros e em exercícios padronizados seu principal recurso didático. Esse trabalho, quando bem planejado e orientado, desafia o aluno, além de gerar nele interesse e prazer, favorecendo assim a interação com o grupo, o desenvolvimento da linguagem e de diferentes processos de raciocínio.

O mais interessante de todas essas propostas metodológicas é o fato de que elas se complementam. Como diz Beatriz D’Ambrósio.

É difícil, num trabalho escolar, desenvolver a Matemática de forma rica para todos os alunos se enfatizarmos apenas uma única linha metodológica. A melhoria do ensino de Matemática envolve, assim, um processo de diversificação metodológica, porém, tendo uma coerência no que se refere à fundamentação psicológica das diversas linhas abordadas.

Como vimos, para que as mudanças tão necessárias ocorram no ensino dessa disciplina, muitas devem ser as ações realizadas. É preciso então que “arregacemos as mangas” e juntos coloquemos em prática, o mais rápido possível , todas essas propostas metodológicas.


Katia Regina Ashton Nunes é Mestre em Educação Matemática e autora dos livros Fazendo arte com a matemática, Tecendo matemática com arte, Descobrindo matemática na arte e Matemática: práticas pedagógicas para o ensino médio, todos pela editora Artmed.
Referências Bibliográficas:
  1. D’AMBROSIO, Beatriz S. Como ensinar matemática hoje? Temas e Debates. SBEM. Ano II. N2. Brasília. 1989. pp. 15-19.
  2. D’AMBROSIO, Ubiratan. Matemática e Sociedade ou Sociedade e matemática? A difícil questão da primazia. Anais do VIII Enem. Conferência de Abertura. Recife: SBEM, 2004.

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