Matemática e Games? Eis a questão!


 

Projeto vencedor do Educador Nota 10 desafia a criação de jogos digitais de forma colaborativa e estimula a curiosidade dos alunos na área das exatas

Já imaginou chegar na escola e dedicar sua aula àquilo em que a garotada é mais fissurada em suas rodas de amigos, como o videogame, por exemplo? O professor Greiton Toledo, da Escola Municipal Irmã Catarina Jardim Miranda, vem fazendo sucesso com a turma ao aplicar a disciplina de Matemática na criação de jogos digitais.

O Mattics, nome de batismo do projeto, foi idealizado não somente para satisfazer o gosto dos estudantes pelos jogos digitais ou para prepará-los a seguir uma carreira profissional como programadores, mas para incentivá-los, por meio das tecnologias e das atividades colaborativas, a pensar e a expressar suas ideias matemáticas de forma crítica. Assim, a atividade nasceu de uma necessidade de atender os estudantes que apresentavam dificuldade na disciplina e também para incentivar aqueles que apresentavam bons rendimentos.

A temática abordada está sempre ligada a questões com que os alunos convivem na comunidade no dia a dia. “Vendo as salas de aula sujas ou o problema do desperdício de água, eles criam jogos em que o objetivo é coletar água limpa ou então recolher o lixo jogado nos rios ou nas ruas, por exemplo”, explica o docente.

Para cada encontro planejado pelo professor Greiton com seus alunos, há uma descrição detalhada de objetivos, recursos e atividades, como em qualquer sequência didática. O que diferencia a metodologia, além de explicações dos próprios jogos, é que para cada aula há sempre uma tabela em que são listados os conhecimentos conceituais (os de matemática e de geometria), os procedimentais (os relacionados à programação) e os atitudinais (por exemplo trabalhar bem em grupo, saber ouvir e ajudar o colega). “Desenvolvo projetos de matemática que condenam tarefas mecânicas, repetitivas, que não contribuem de maneira significativa para o aprendizado do estudante. Nas minhas aulas, eu sempre trabalhei atividades exploratórias, sem conceitos prontos, para que os alunos desenvolvam o senso crítico e expressem suas ideias através da matemática”, relata.

O projeto é desenvolvido duas vezes por semana, em contraturno. Nesses encontros, os estudantes usam programa para criar jogos que envolvem temáticas como o meio ambiente, por exemplo. Na plataforma, são desenvolvidos itens, como a lógica de como movimentar os personagens pelo espaço e também quais os objetivos de cada jogo. “Os alunos sabem que têm que deslocar o boneco para cima e para baixo, para a esquerda e para a direita. No início, falamos em altura e comprimento. Mas depois chamamos de X e Y, que são os nomes usados no plano cartesiano. Para andar para cima, é positivo, para baixo, negativo. Então eles trabalham com números inteiros”, ratifica o professor.

Inicialmente, os alunos eram desafiados a estabelecer temáticas e em seguida divididos em grupos para iniciar a construção dos games. Os próprios estudantes desenharam o futuro jogo, discutiram objetivos e desenvolveram as linguagens computacionais, com o auxílio do coordenador do projeto e professores voluntários. Aos poucos, foram se deparando com problemas matemáticos e, mesmo sem terem sido ainda apresentados aos conceitos, aprenderam a desenvolver conteúdos com plano cartesiano, números negativos e funções. “Com o Mattics temos, por meio de atividades lúdicas e investigativas, o terreno fértil para fomentar um ambiente construcionista que pensa a matemática criando significados e dando sentido ao mundo a partir de situações cotidianas”, esclarece Greiton.

“Esse prêmio é como se fosse o Oscar da educação básica. Mostra que estamos no caminho  certo, provando que matemática é para todos”. – Greiton Toledo

Ao longo das atividades os estudantes ainda foram desafiados a questionar os jogos concebidos pelos demais colegas. Assim, aos poucos foram se habituando a pensar matematicamente rompendo com o ciclo de aprendizagem baseada na apresentação de conceitos e fórmulas prontas.

O sucesso das aulas de game e Matemática foi tão intenso que o professor viu a oportunidade de inscrevê-lo naquele que é considerado o “Oscar da Educação”, o Prêmio Educador Nota 10 2016. Não deu outra, o projeto foi finalista e vencedor junto com os trabalhos de mais 9 educadores do país. De acordo com Saddo Ag Almouloud, coordenador do curso de Pós-Graduação em Educação Matemática da PUC SP e selecionador do Prêmio Educador Nota 10, o criador do Mattics valoriza a atividade do sujeito na construção e apropriação de saberes matemáticos e computacionais. “Os estudantes exploraram conteúdos que não costumam ser vistos no 6º ano, como, por exemplo, números negativos, sistema de coordenadas, desigualdade entre incógnitas etc. Apesar disso, eles foram, aos poucos, compreendendo esses pontos através da descoberta, dos questionamentos e do processo de reflexão entre o significado e o conceito dos termos matemáticos aliados às estruturas computacionais, atuando de forma ativa e participativa”, enaltece Saddo.

De acordo com Greiton, os alunos estranharam as aulas inicialmente, mas com o tempo as coisas começaram a dar certo e os alunos a se empolgar com o projeto. Logo, as aulas de Matemática passaram das mais odiadas às mais queridas e disputadas. Para a estudante Sarah Castro Coelho, de 12 anos, o projeto não é só construir jogos. “É aprender matemática de uma maneira diferente, já que eu não gostava muito da matéria. Mas, com o Mattics, eu descobri que construir jogos é muita matemática, a gente usa variáveis, números negativos e positivos”, diz a aluna.

Já para Vitória Borges Seco, também de 12 anos, que sempre gostou e teve facilidade em Matemática, o projeto veio reforçar essa paixão pela disciplina e ajudar a interligar e melhorar outras matérias. “Sempre gostei mais dessa matéria e acabava auxiliando outros alunos que tinham dúvidas. Mas o Mattics me ajudou a melhorar o português, porque você precisa escrever a história e falas dos jogos”, revela.

Descrição: O Mattics ensina estrutura computacional por meio do Scratch e estimula o desenvolvimento do pensamento matemático dos alunos ao construir um game de forma problematizada. Neste ano, o projeto quer ampliar as suas ações para mais escolas públicas e pretende auxiliar no tratamento do Mal de Parkinson, para uma formação mais humana e corresponsável.
Público-alvo: Alunos do Fundamental II, professores, coordenadores pedagógicos, pacientes idosos em tratamento com Mal de Parkinson.

Fontes: Fundação Victor Civita | Nova Escola | G1
Escola Municipal Irmã Catarina Jardim Miranda
Rua Goiás APM 02 – Vila São João – Senador Canedo/GO
CEP: 75250-000
Tel.: (62) 3275-3708
Coordenador do Projeto: Greiton Toledo de Azevedo
Fotos cedidas pela escola

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