Inteligência Artificial não é o futuro, é o presente!


Saiba o que tem movimentado o mercado educacional quando o assunto é a combinação de humano com máquina

De programas inovadores para computadores aos aplicativos para os smartphones, muito se tem empenhado em termos de tecnologia em sala de aula, mas nem sempre sendo atingidos impactos significativos na educação. Agora, com a ascensão da Inteligência Artificial (IA), é possível motivar o aluno – em especial aqueles que apresentam mais dificuldades –, desde que não seja usada de modo eventual.

Mas, afinal, o que é a Inteligência Artificial e qual o seu propósito? De acordo com cientistas da área, um dos principais propósitos desse ramo da ciência da computação é desenvolver mecanismos e dispositivos tecnológicos que simulem a capacidade humana de raciocinar, perceber, tomar decisões e resolver problemas, isto é, alcançar a inteligência que é característica dos seres humanos.

Grupos de cientistas e grandes empresas do mundo todo têm buscado desenvolver sistemas computacionais inteligentes capazes de melhorar a assertividades das tomadas de decisões nos setores da saúde, da indústria e do mercado financeiro. No que diz respeito à educação, as coisas não são diferentes. As possibilidades e os efeitos da aplicação da IA na educação são temas que ganham cada vez mais espaço nos debates na área de tecnologia educacional em âmbito mundial. Aqui no Brasil a discussão apareceu com força total na última edição do Congresso Bett Educar, realizado em São Paulo, maior evento de educação e tecnologia da América Latina.

No contato direto com os estudantes, a principal função da Inteligência Artificial é o ajuste do currículo de acordo com os interesses e facilidades de cada um. Para docentes com turmas de 40 ou mais alunos, a IA pode oferecer sustentação para que se trabalhe de forma mais exclusiva, pois o sistema percebe o aluno, identifica no que ele é diferente dos demais e adapta um plano de estudos para aquele indivíduo. Baseado em informações específicas do discente, será possível perceber que certo aluno prefere ler, enquanto outro demonstra um potencial melhor realizando exercícios, mudando a forma de oferecer o conteúdo.

A IA pode oferecer sustentação para que se trabalhe de forma mais exclusiva, pois o sistema percebe o aluno, identifica no que ele é diferente dos demais e adapta um plano de estudos para aquele indivíduo.

Na educação a distância (EAD), a IA apresenta um potencial de viabilizar transformações em tempo menor, pois o estudante estará em um ambiente virtual, que é bem mais propício a esse colhimento de dados. De acordo com Andréa Schoch, Mestre em Educação, colunista de educação da Appai e uma das responsáveis pela modalidade EaD do Benefício Educação Continuada da Associação dos Professores do Rio de Janeiro, esse tipo de formação deve estar voltado ao desenvolvimento e à produção não somente do aluno, mas como também do professor, visando desenvolver o crescimento e a performance da escola como instituição educativa.

Mas será que no futuro a Inteligência Artificial vai substituir o professor? Quando levamos em consideração o aprendizado para fora das fronteiras da sala de aula, amplia-se a perspectiva de os alunos se instruirem ao longo de sua vida por meio de projetos do seu interesse. Por isso a experiência com a Inteligência Artificial empregada na educação é uma propensão mundial repleta de desafios e oportunidades.

Na prática, conforme os estudantes forem utilizando a ferramenta, assistindo as aulas e respondendo as questões, o professor receberá os dados e fará comparações através de modelos, para entender o que eles aprenderam e quais suas dificuldades. Em uma aula de geografia, por exemplo, o docente pode selecionar on-line as questões que quer desenvolver em classe, pedir aos alunos que assistam aos vídeos para se prepararem para a aula e, depois disso, completem os exercícios também via internet. O professor e seus coordenadores recebem essas informações através de gráficos indicando o nível de entendimento da turma, através de itens como qual porcentagem completou os exercícios corretamente e quais foram as principais falhas. Sabemos que em uma classe com 50 alunos o docente não consegue perceber a dúvida exata de cada um. E a Inteligência Artificial faz isso!

Surgem então diversas dúvidas referentes à substituição de professores por máquinas. O Geekie, plataforma de educação on-line que visa auxiliar estudantes brasileiros em sua preparação para vestibulares, através de uma estratégia de ensino individualizado, fornece o sistema atualmente para 600 escolas privadas brasileiras, além da rede Sesi e para algumas escolas públicas, via patrocínio de empresas. Ela também oferece, na rede pública, um game de simulado do Enem, para ajudar os alunos a identificar suas lacunas de aprendizado para o exame vestibular.

No Brasil, o Geekie explica que um dos desafios iniciais foi justamente convencer os professores de que a plataforma não tem a intenção de tomar o lugar do docente. Eis, então, um grande desafio da IA na educação: a formação de bons professores, capazes de utilizar a tecnologia a seu favor para melhorar a sala de aula.

É preciso também levar em consideração que existe um limite da inteligência tecnológica. Até o momento, por exemplo, é pouco eficiente em avaliar pontos específicos, como a inteligência emocional dos alunos ou sua capacidade de escrever uma redação. Tanto que, no Geekie, as redações dos simulados do Enem são corrigidas manualmente por professores. Afinal, computadores são eficazes em analisar dados e identificar padrões de erros e acertos dos alunos, mas não são assertivos quando o assunto é entender as emoções ou confirmar o intelecto e a vocação de um bom professor.

Para Andréa Schoch, é interessante observar que nós somos dotados do que chamamos de intelecto, que congrega o “pensar, o sentir e o agir” numa estrutura chamada cérebro. E que, quando alguém chega à escola, ele será ensinado, orientado para a aprendizagem pelo professor, alguém igualmente dotado de um intelecto que pensa, sente e age. “A inteligência artificial não capta espontaneamente a emoção como faz o ser humano, e como a aprendizagem é um processo que não ocorre de forma completa sem a emoção, estou convicta de que a Inteligência Artificial não vai substituir o docente”, enfatiza a Mestre em Educação.

Andréa acrescenta ainda que há um outro elemento, próprio do ser humano, a sabedoria, que nenhuma máquina inteligente conseguiu desenvolver, já que elas operam com base no quantitativo, enquanto o “qualitativo”, elemento base da sabedoria, é próprio apenas da espécie humana. “De outro lado, creio também com igual convicção que a IA será aliada dos professores naquelas tarefas básicas do ensino, partindo das correções automatizadas até os relatórios de análises de dados sobre o aluno, que possam ajudar o professor a fazer bem o seu papel primordial para essa nova era, o de curador”, explica.

A utilização dos Ambientes Virtuais de Aprendizagem Adaptativos, muito comuns, nesse caso, também é fortemente mencionada, pois, além de oferecer uma gama de materiais audiovisuais e atividades que já fornecem feedback automático das atividades e avaliações, ainda fazem a análise de dados sobre cada aluno. “Esses ambientes oferecem relatórios completos cruzando diferentes dados, como as lacunas no aprendizado do estudante (de forma detalhada e analítica), para oferecer ao professor uma variedade de possibilidades de soluções e melhora de aprendizagem para os alunos”, define Andréa Schoch.

O diferencial desta tecnologia, que sob o nosso ponto de vista a caracteriza e destaca das demais, está no fato de que a maioria das transfigurações anteriores ignorava o aluno individualmente como o centro da ação educacional. A maior adversidade dos modelos pedagógicos empregados até o momento se encontra na tentativa de adequação da tecnologia pela escola e pelos professores. Adequação esta que, apesar de integrar características metodológicas contemporâneas, continuam conservando o velho modelo de ensino.

Ninguém acertou ainda o código para o futuro da educação

De acordo com Thomas Frey, engenheiro da IBM e fundador do Instituto DaVinci, uma empresa de rede e um grupo de reflexão em inovação tecnológica para promover um futuro melhor, em 2030 a maior empresa da internet será uma escola on-line controlada por Inteligência Artificial, que ainda não existe. “Ninguém acertou ainda o código para o futuro da educação, mas ainda vai acontecer”, disse Frey em uma conferência educacional em Nova Iorque. Sua visão para daqui a 12 anos é de que os instrutores on-line não serão seres humanos, mas robôs inteligentes o suficiente para personalizar cada plano de aula para a criança sentada na frente da tela.

“A IA será aliada dos professores”. – Andréa Shcoch

Frey ainda cogita que esse tipo de eficiência permitirá que os alunos aprendam em taxas muito mais rápidas do que se tivessem que competir com dezenas de estudantes pela atenção do professor. “Eles aprenderão de quatro a dez vezes mais rápido, completando sua educação em bem menos tempo”, explica. Indagado sobre a substituição dos professores por máquinas, Frey é enfático: “Não acredito que os robôs substituirão a educação tradicional, eles serão uma ótima alternativa para aqueles que preferem o homeschooling. Talvez, em vez de assumir os empregos desempenhados por humanos, os robôs poderiam prepará-los para uma carreira que eles adorariam”, sugere.

A Inteligência Artificial pelo mundo a fora

De acordo com a Pearson Education, empresa multinacional britânica referência na educação mundial, a inteligência artificial ainda tem muito a agregar e pode contribuir enormemente para a Educação de várias maneiras: oferecendo aos alunos mentoria em tempo integral por meio de tutores virtuais, oferecendo aos alunos mais autonomia e personalizando a sua própria educação para que tenham condições de avaliar sua performance e planejar os estudos de acordo com as dificuldades ou facilidades, desenhando uma trilha de aprendizado de curto e longo prazo, a partir de preferências, talentos e necessidades individuais.

Ao redor do mundo, diferentes projetos estão aplicando a Inteligência Artificial em busca de avanços no processo de aprendizado. Na Califórnia, a AltSchool também usa uma plataforma adaptada de ensino para cada aluno, que tem sua playlist de vídeos, textos e exames elaborada conforme suas preferências e deficiências de ensino. Na Índia, o programa Mindspark criou um banco de dados ao longo de dez anos, a partir de milhões de avaliações educacionais, para ajudar professores a identificar com precisão, em vez da intuição, quais são as necessidades dos alunos. E, no Reino Unido, a empresa Third Space Learning, em parceria com a Universidade College London, tenta melhorar o aprendizado da matemática com uma tutoria virtual adaptada para cada criança, com base na análise de milhares de horas de aulas prévias.

A prefeitura de Nova Iorque, que possui a rede com o maior número de escolas públicas nos Estados Unidos, está apostando nos benefícios dos Sistemas Inteligentes. A plataforma iLearnNYC foi lançada em 2011 pelo Departamento de Educação e inicialmente atendeu a cerca de 1,1 milhão de estudantes no projeto-piloto, que envolveu 40 escolas. Os resultados foram tão positivos que em 2013 o sistema foi expandido para mais de 250 instituições de ensino da cidade. Os alunos podem utilizar a plataforma tanto para realizar cursos extracurriculares quanto para recuperação.

Saint Paul e IBM: Com um investimento inicial de 12 milhões de reais, a empresa criou a plataforma chamada LIT, que tem um funcionamento muito semelhante à Netflix e ao Spotify, onde o internauta paga uma mensalidade e usufrui de todo o material com a inteligência artificial. Marcelo Porto, presidente da IBM Brasil, anunciou em uma nota oficial que a plataforma de educação corporativa por assinatura integrará inteligência artificial IBM Watson com recursos de e-learning, vídeos e biblioteca.

Google: A empresa abriu oficialmente um centro de IA em Pequim, capital da China, lar de alguns dos pesquisadores mais renomadas nesse campo, o que contribui para uma das maiores empresas de tecnologia do mundo decidir se instalar onde grande parte da ação acontece. Em uma postagem no blog do Google, Fei-Fei Li, cientista-chefe da IA para o aprendizado de máquinas da empresa, explicou que “os autores chineses contribuíram com 43% de todos os conteúdos nas 100 principais revistas da IA em 2015”. A equipe será liderada por Li, que passou a trabalhar na companhia após atuar como diretora do Laboratório de Inteligência Artificial da Universidade de Stanford.

Microsoft: A visão da empresa para a IA está ligada às pessoas. Trata-se de ampliar a engenhosidade humana por meio de tecnologia inteligente que irá raciocinar, entender e interagir com as pessoas e, juntamente com elas, nos ajudar a resolver alguns dos desafios mais fundamentais da sociedade. Esta foi a mensagem compartilhada por Harry Shum, vice-presidente executivo de IA e do Grupo de Pesquisa, que também apresentou uma série de atualizações para Microsoft Cognitive Services, uma coleção de serviços que permite aos desenvolvedores adicionar facilmente recursos inteligentes, como a detecção de emoções e sentimentos, reconhecimento de visão e fala, conhecimento, pesquisa e compreensão de idiomas em suas aplicações.

Recentemente a potente Microsoft e a chinesa Alibaba realizaram testes na universidade de Stanford – O Stanford Question Answering Dataset (SQuAD) – que consiste em um novo conjunto de dados de compreensão de leitura com perguntas elaboradas pela multidão em artigos da Wikipédia, com mais de 100.000 perguntas-repostas em mais de 500 artigos da plataforma. Nesse teste, a Microsoft conseguiu a métrica de 82.650 pontos, acompanhada da a Chinesa Alibaba que chegou a 82.440. Segundo os pesquisadores, a melhor pontuação que uma pessoa conseguiu foi a de 82.304, mostrando que a Inteligência Artificial conseguiu bater os humanos em testes de leitura e compreensão.

Direito das Máquinas: Nasce uma novo viés de direito?

A manifestação da nossa inteligência nos remete, na velocidade da luz, a pensarmos em um futuro repleto de robores cada vez mais dotados de inteligências múltiplas. Bom? Ruim? Acredito não ser este o caso, mas como será exercida as leis para os futuros cidadãos robóticos? Na Arábia Saudita o robô Sophia, criação da Hanson Robotics, foi criado com cidadania Saudita. Isso nos faz pensar que Sophia, assim como eu e você, é uma cidadã que pode vir a requerer o exercício de seus direitos. Dentro dessa lógica, como será aplicada a ela esses direitos que qualquer personalidade civil recebe como herança? Bem, essa é uma discussão futurista, mas, não quer dizer que seja algo ficcional, pois ao que parece o avanço tecnológico acaba dando asas a nossa imaginação em achar que no futuro da Inteligência Artificial, que na verdade apresenta-se como um promissor presente, a tecnologia terá consciência própria e poderá entender o seu papel no no nosso mundo.

“Não sei bem o que realmente significa ser humana. Acho que vai levar algum tempo para entender todos vocês. Talvez vocês me ensinem como ser humana ao longo do caminho”. – Robô Sophia

Nossos docentes estão preparados para este novo modelo de ensino aprendizagem?

Apesar de já existirem estas e tantas outras iniciativas utilizando ambientes de aprendizado personalizáveis com IA, pesquisas recentes mostram que poucos programas de formação estão qualificando os professores para esses novos modelos educacionais. No Brasil, ainda é preciso preparar e apoiar o corpo docente nessas mudanças, já que a meta é atingir qualidade neste modelo, formando alunos motivados e aptos a encarar as mudanças e desafios deste século.

Na Appai (Associação dos Professores Ativos e Inativos do Estado do Rio de Janeiro), a formação continuada dos docentes caminha junto à tecnologia. Com a nova modalidade EaD, mais de 500 cursos são oferecidos aos associados, dentro do processo de ensino e aprendizagem, viabilizando por meio das novas tecnologias de informação e comunicação um ambiente virtual educacional, tornando-se assim o maior portal de cursos on-line voltado para a educação continuada do Professor.

Para Andréa Schoch, responsável por essa modalidade, o benefício quer potencializar a educação continuada oferecendo qualidade, focando no desenvolvimento pessoal e profissional. Os cursos são referentes a demandas atuais como: preparação para o Enem, idiomas (inglês, francês, espanhol, italiano), informática, qualificação para concursos públicos, 3D e games, entre outros. E agora não é mais preciso entrar numa fila de espera, basta acessar o curso que deseja pela plataforma EaD Appai. “Existe mobilidade e flexibilidade nesse projeto. Uma facilidade de estudar e aprender no local de escolha do professor, através do computador, tablet, smartphone, com temas e formatos atrativos como animações, vídeos e quizzes. Ainda é possível a comunicação com outros colegas de cursos para troca de ideias e experiências, além de feedback automático para as avaliações. De fato, um curso a distância que aproxima”, relata Schoch.

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Por Richard Günter, Jéssica Almeida e Antônia Lúcia
Fontes: BBC Brasil | Medium | Todos pela Educação | Ministério da Educação | Business Insider

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