Feira integrada


Projeto propõe iniciativas no dia a dia que podem transformar o mundo

Se depender dos esforços em educação ambiental nas escolas, as novas gerações viverão em um Planeta melhor. No Instituto São José, onde se realizou a “Feira Integrada” com o tema Sustentabilidade, os alunos são um reflexo dessa nova realidade: uma juventude que cresce falando da necessidade de mudança de comportamento para evitar uma tragédia anunciada. Desenvolvido com os alunos do Ensino Fundamental até o Médio, o projeto se destacou pela diversidade de experiências apresentadas e pela maturidade do tema. Segundo a coordenadora disciplinar Tânia Caruso, a razão desse sucesso está na participação das turmas e famílias: “Contamos com os alunos e responsáveis, estamos desde fevereiro trabalhando dentro de sala de aula, e os projetos propiciam o amadurecimento do alunado”, explica.

A equipe da professora Alexandra Maia, do 6º ano, trabalhou práticas que podem minimizar o impacto sobre o meio ambiente, como reutilização de sucata. Durante abertura do evento, as crianças desfilaram em uma passarela de PVC com seus utensílios fabricados a partir de material reciclado, como tapetes, papa-pilhas, porta-retratos e objetos de decoração. Para falar sobre a água e sustentabilidade dos rios o 3º ano do Ensino Médio foi a campo. Numa visita à Pedra Branca, na Taquara, o grupo observou a nascente do rio, seu curso até a comunidade onde deságua. A aluna Juliana contou um pouco dessa vivência ao público: “No final do trajeto o rio estava totalmente contaminado. Lá, conversamos com a Polícia Florestal e criamos um informativo com ações simples que as pessoas devem ter no dia a dia. Assim confeccionamos as maquetes de uma cidade “ideal” e falamos sobre a necessidade de uma química verde, que é o reaproveitamento de todos os tipos de material para evitar a contaminação dos rios”, relatou Juliana.

Com o tema sustentabilidade humana a equipe falou sobre a responsabilidade de cada um de uma forma bem-humorada. O aluno Rodrigo encarnou um mímico, que ia atrás das pessoas que estivessem jogando lixo fora do lugar ou jogando papel no chão. Depois o artista deixava uma singela mensagem escrita à “vítima”: “Fico atrás da pessoa até ela me ver; no início ela fica meio sem graça, mas o objetivo é conscientizar de que aquele ato terá uma conseqüência”, explica. A ideia da mímica foi sugestão do professor de Física Eduardo Maeta, para demonstrar a lei da física onde toda ação tem uma reação.

Os alunos do segundo ano projetaram um vídeo abordando problemas ambientais e soluções na Grande São Paulo. O professor de História Ronaldo Carlos explica que escolheu o tema por ser muito emblemático. O estado é o coração econômico do país e, ao mesmo tempo, possui as maiores iniciativas em projetos ambientais: “Os maiores problemas vêm de lá e as melhores propostas também”, comenta. Outro grupo do 2º ano do Ensino Médio trabalhou com a cidade de São Paulo e fez uma denúncia. Através de pesquisas os jovens descobriram que muitas empresas que se dizem sustentáveis na verdade não cumprem as leis ambientais. A maior parte delas, indústrias que poluem através do gás carbônico das chaminés. De acordo com a pesquisa dos alunos a maioria não utiliza o filtro de impurezas, alegando que o custo do aparelho é muito caro. Para ilustrar a situação-problema e falar sobre a poluição do gás carbônico o grupo simulou a fumaça de uma fábrica para que os visitantes pudessem ter a ideia do problema. A aluna Carolina incorporou a personagem Mãe Lucinda, da novela Avenida Brasil, atraindo atenção para a questão dos aterros sanitários.

Através de símbolos norte-americanos, jovens do 1º ano exploraram a cultura dos Estados Unidos para fazer um paralelo entre as influências boas e más vindas do país do Tio Sam. Entre as cores da bandeira dessa nação estavam a indústria cinematográfica, o fast-food, o Mickey Mouse, ídolos da música pop como Michael Jackson, além de bolas de futebol americano e basquetebol. A proposta era resgatar a influência que recebemos da cultura dos nossos vizinhos do norte com seus aspectos positivos: “Por mais que se critique temos que reconhecer que o mundo está globalizado e de lá se exerce forte influência sobre o jovem, algo que tem o seu valor, assim como nós, que também exportamos nossa música”, justifica a aluna Helena.

O 3º ano trabalhou com experimentos para demonstrar o funcionamento de termoelétricas e hidrelétricas. “Mostramos algumas fontes de energia e propostas alternativas mais simples, como o calor, a pressão e o vento. O aluno Lucas lembra que, além de informar a comunidade sobre o assunto, as experiências facilitam a assimilação do conteúdo de Física: “Queremos mostrar à sociedade que podemos ser menos dependentes do monóxido de carbono e do petróleo. Os trabalhos práticos facilitam o entendimento das teorias de Física e permitem que a gente compartilhe esse conhecimento”.

Elisângela Silva, que leciona Geografia, explorou o tema “Energia sustentável no Estado da Bahia”, levando experiências como o Projeto Tamar e o Baleias Jubarte. Segundo a docente, os estudantes se propuseram a estudar a questão da água na região Nordeste, apresentaram procedimentos alternativos de aproveitamento das águas pluviais e homenagearam o escritor Jorge Amado em seu centenário, através da confecção de artefatos temáticos. Propostas de “brincadeiras verdes” fazem parte da vida das crianças desde cedo. As turmas do 1º e 2º anos trabalharam com a temática “Brinquedos e Brincadeiras”. A professora Beatriz Scoralick explorou brinquedos antigos e modernos e, com um gancho no folclore, confeccionou alguns objetos com sucata. “Senti que os brinquedos antigos e os artesanais despertam mais a criatividade e a curiosidade das crianças”, relatou a docente. No estande dos pequenos as professoras criaram um espaço para os pais se divertirem com seus filhos, onde foram oferecidas atividades como amarelinha, corda, cai não cai, boliche: “Nos dias de hoje os pais não dispõem de muito tempo para brincar com os filhos e proporcionamos esse momento de integração para mostrar como isso é importante na formação do ser humano”, conclui.

“Você já salvou o seu planeta hoje?”. Com essa provocação Gaio, do 8º ano, alertava para a necessidade de as pessoas pensarem suas ações no seu cotidiano: “Desde a hora em que acordamos, escovamos os dentes, tomamos banho, até as escolhas do transporte para nos deslocar, e na hora em que jogamos o nosso lixo fora, estamos cometendo ações que vão ter consequências sobre o Planeta”, lembra Adriana, mãe de Gaio. A turma estabeleceu uma parceria com uma ONG que recicla e reaproveita todo o tipo de material. Os alunos levaram alguns produtos construídos a partir de tecnologias verdes, como tijolo feito de matéria orgânica (restos de alimentos), copos de bagaço de cana e varais de pet.


Por: Claudia Sanches 
Instituto São José
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