Esse é o meu Brasil


Projeto valoriza as diferenças culturais e mostra a nossa brasilidade através de maquetes, objetos e indumentárias produzidos com material reciclado, danças e culinárias típicas

Descobrir o Brasil através da dança e da culinária típicas era a proposta do projeto pedagógico Feira Cultural 2018. Mas de acordo com Nilze Helena Barbosa, diretora do Educandário Baptista Moraes, localizado em Ramos, o projeto foi muito além do objetivo inicial. Foi uma oportunidade dos alunos se expressarem e interagirem com os corpos docente, discente e os pais.

O projeto interdisciplinar teve adesão de toda a escola, do pré-escolar até o 9º ano do Ensino Fundamental. “A interação com os pais e entre crianças e jovens foi um dos aspectos que mais chamou atenção do corpo docente. Os alunos retrataram a riqueza da diversidade cultural brasileira com muita pesquisa e criatividade. As turmas extraíam de suas atividades elementos que traduziram as peculiaridades locais e se empenharam muito para levar um pouco de cada região à comunidade”, diz a educadora.

legenda: Destaque para o realismo da maquete da igreja do Pelourinho, construção do século XVIII

A professora Léia Vasconcelos conta que os alunos do Pré I e II, que trabalharam a Bahia, já estavam vivenciando a cultura do estado por conta da novela. “Eles mesmos sugeriram a construção da maquete da igreja do Pelourinho”. A professora destacou a participação ativa dos pais nesse trabalho. O grupo também confeccionou o tambor do Oludum, a partir de sucata, e pesquisou sobre a dança e a música do grupo baiano.

A abordagem do estado de Sergipe, pelo 1º ano, começou pelo nome da capital, a junção das palavras “arara” e “caju”, típicas daquela região. Da culinária local os alunos levaram a arribação, arroz refogado com alho, cebola, pimentão e coentro e o aratu na palha.

A professora Iamonã Baptista, do 1º ano, que trabalhou o Rio Grande do Norte, fez uma vivência com as crianças no Centro de Tradições Nordestinas, em São Cristóvão, onde conheceram a culinária típica, e os ingredientes locais como o inhame, conhecido como cará, e o biscoito de água e sal. “Falamos sobre o Quilombo de Zumbi dos Palmares, a rota do cangaço, na cidade de Piranhas, e sobre as usinas de cana-de-açúcar. Os alunos também ficaram encantados com a literatura de cordel com a leitura do livro ‘Macaco Louco’”. Para o artesanato utilizaram bastante palha e argila. “Eles estão até se sentindo em Maceió”, brincou a professora, que explorou os relevos em geografia para explicar o fenômeno das dunas.

Outra turma do 4º ano, que também explorou o Rio Grande do Norte, pesquisou o vocabulário singular e os costumes do povo potiguar. “Há palavras que só existem na região, como bagana, que é um doce típico; tomba, que significa inteligente, estribado, uma pessoa muito rica; galado, um povo muito amigo; e arrediar, que significa dar a volta. O mais legal é que eles perceberam durante as pesquisas que muitas dessas palavras são neologismos”, lembrou a professora Marise Valéria. De comida típica, a turma levou suco de abacaxi com coco e rapadura. Todo o trabalho foi realizado juntamente com o conteúdo dado em sala de aula, que abordava a região Nordeste.

Guaraná Jesus, rapadura e caju. Esses foram os itens que a turma do 4º ano levou para representar o Maranhão. Os alunos descobriram os pontos turísticos, cultura, costumes e governo, que estavam  dentro do conteúdo programático. Cartazes, maquetes e música revelavam as riquezas do estado. Os estudantes elencaram artistas locais que fazem sucesso no Sudeste e mostraram a formação dos Lençóis Maranhenses, um dos pontos turísticos mais conhecidos do Brasil.

A professora Maria de Fátima Fernandes, do 5º ano, que ficou com os estados de Pernambuco, Ceará e com o arquipélago de Fernando de Noronha, lembrou que a turma trabalhou a riqueza histórica de Pernambuco, como as Capitanias Hereditárias e o Cangaço. Os bonecos de Olinda também foram outra temática da turma, que confeccionou uma caricatura da cantora Alcione. Do Ceará os alunos pesquisaram e levaram para degustação uma receita típica que só existe no estado, o bolo mole, que não tem fermento.

Legenda: Entre uma abordagem e outra nos vários ambientes montados na exposição, a degustação de pratos e bebidas típicas mostrou que gente pequena também entende de culinária

O professor Alberto Machado, de Informática, ficou com a turma do 6º ano, e explorou política e economia da região Norte. Através das pesquisas eles montaram painéis sobre a economia do Pará, baseada no extrativismo. O professor lembra que a comunicação entre os alunos e professores se deu através de WhatsApp, para ressaltar a importância dessa ferramenta que otimizou a pesquisa dos estudantes. Segundo o docente, o que mais despertou atenção dos jovens foi a dança. Todos os painéis, maquetes e figurinos foram confeccionados com material reutilizado e soluções criativas e de baixo custo. A turma também apresentou a dança do bumba-meu-boi, típica da região Norte. A aluna Beatriz falou sobre o Pará, a segunda maior unidade federativa do país, e sobre o Museu Emílio Goeldi, na capital Belém. Beatriz garante que o trabalho é uma experiência “diferente”: “Conhecemos o sentido do que aprendemos em sala de aula de uma forma concreta e alegre”.

Danças típicas, chimarrão, arroz de carreteiro, vaca atolada. Os alunos do 7º ano levaram a culinária do Sul do Brasil. O jovem Caique descobriu o futebol do Inter e o pinhão com a pesquisa sobre a região. Com o figurino típico, a aluna Emily, mostrava as riquezas da região. Os alunos encenaram a confecção do vinho através do pisoteio da uva, que leva ao processo de fermentação.

Legenda: Através de uma abordagem interdisciplinar, os alunos do 1º e 2º segmentos pesquisaram desde hábitos e costumes, culinárias, pontos turísticos, danças típicas, política e economia, até as muitas riquezas históricas das regiões brasileiras

A professora Danielle, de redação, que trabalhou com o 8º ano, apostou na produção textual através da temática da culinária da região Sudeste. A docente aproveitou para falar sobre problemas de grandes centros e cidades sustentáveis. Através de uma abordagem interdisciplinar, os alunos pesquisaram modelos de cidades ecologicamente corretas e produziram uma maquete com material reciclado para falar sobre o descarte do lixo correto, artesanato sustentável, turismo, levando em conta a vocação do Rio de Janeiro. Os alunos ainda fizeram uma demonstração do ciclo da coleta seletiva com dicas úteis para a comunidade.

Já Flávia Pinto, de Educação Física, resolveu abordar o Centro-Oeste através do artesanato sustentável. Flávia diz que os alunos usaram o máximo de criatividade para falar sobre a região, tão pouco conhecida. “O trabalho possibilitou que eles conhecessem o Centro-Oeste além de Brasília”, disse Flávia. As pesquisas apresentadas durante a feira falavam dos estados de Mato Grosso do Sul, o maior produtor de gado bovino do Brasil, e da música sertaneja, tão na moda entre os jovens. Para Flávia, a experiência de trabalho em grupo foi gratificante: “A interatividade e o incentivo à pesquisa me despertaram muita atenção como educadora. A família participou deste momento de aprendizagem com as crianças e adolescentes. Colaborou nas pesquisas e produção das indumentárias até no momento de montagem dos estandes. Fomos além do objetivo do projeto”, comemorou.


Por Claudia Sanches
EBM – Educandário Baptista Moraes
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E-mail: ebm.matriz@gmail.com
Fotos: Marcelo Ávila

 


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