Enquete educacional


Saiba como elaborar uma aula dinâmica com perguntas e respostas e transformá-las em reflexão redigidas numa produção textual

 

Imagine um professor que percebe um alto índice de alunos que foram infectados pela dengue ou consegue identificar aqueles que têm um melhor desempenho quando são avaliados oralmente, ou ainda a quantidade de estudantes que sofrem preconceito dentro da sala de aula por serem considerados diferentes. Todas essas informações presentes no cotidiano educacional podem colaborar para a realização de uma grande atividade tendo a enquete como instrumento protagonista.

Esse tipo de abordagem tem a finalidade de elucidar uma questão para colocá-la dentro de um contexto de interesse geral. Ele se diferencia de pesquisas tanto pela metodologia utilizada quanto pelos objetivos, embora ambos exijam um cuidado no planejamento e seleção de instrumentos adequados para tornar possível a geração de resultados que possam ser analisáveis e conclusivos.

Para que a enquete seja eficaz, é preciso que sejam cumpridas algumas etapas, como formular os objetivos, selecionar o tipo de pergunta e elaborar a sua redação. Abaixo, segue uma orientação passo a passo para que seu projeto seja um sucesso!

 

Primeiro passo

FORMULANDO OS OBJETIVOS

As perguntas devem ser direcionadas para o que se deseja saber. Portanto, os objetivos do questionário devem ficar explícitos: coletar informações, verificar conhecimentos prévios do conteúdo aprendido, analisar as dificuldades e lacunas, sondar opiniões, atitudes e valores. É preciso evitar perguntas que estejam fora do objetivo almejado, mesmo que estejam associados ao assunto e sejam interessantes.

 

Segundo passo

SELECIONANDO AS PERGUNTAS

As perguntas podem ser de dois tipos: objetivas e subjetivas. Objetivas ou fechadas são aquelas em que as respostas possíveis são orientadas para selecionar, completar, ordenar ou associar alternativas. Elas também podem ser de múltipla escolha, com sim/não e certo/errado. Esse último tipo é mais fácil de ser analisado e, em geral, é aplicado em situações direcionadas para obter respostas diretas. Nas perguntas subjetivas, abertas ou não estruturadas, há uma dependência do estilo de quem está sendo questionado e não há formato definido. Isso permite a livre manifestação do pensamento, para detectar opiniões, percepções e/ou atitudes.

 

Terceiro passo

FORMULANDO AS PERGUNTAS

Devem ser sempre redigidas de forma clara e objetiva, tendo-se cuidado para o fato de que a falta de compreensão do que está sendo pedido pode prejudicar a resposta. É necessário não só escolher o tipo de pergunta adequado aos objetivos desejados como também evitar perguntas que fujam do contexto estabelecido para o problema. Por exemplo, as questões de múltipla escolha são mais adequadas a situações em que o aluno deve identificar a resposta correta dentre um conjunto de alternativas. Na ordenação das perguntas deve-se evitar que o conteúdo de um item influencie a questão posterior e que não haja pistas que indiquem a resposta correta.

 

Questões objetivas do tipo Múltipla Escolha

São recomendáveis quando se deseja aferir conhecimentos com respostas definidas dentro de um universo de alternativas possíveis e conhecidas do entrevistado, que devem representar diferentes aspectos do mesmo problema. O exemplo 1 aplica-se à verificação de conhecimentos sobre a dengue.

– Na sua residência, quais desses itens têm água acumulada sem proteção: vaso de planta / pneu / caixa d’água / garrafa pet / piscina / outros.

 

Questões objetivas do tipo Sim/Não ou Certo/Errado

Essas perguntas permitem respostas rápidas e são adequadas a situações restritas a duas alternativas. Por outro lado, a análise do nível de conhecimento é superficial e pouco elucidativa. Os exemplos seguintes aplicam-se à verificação de conhecimento sobre desempenho escolar.

– Você prefere avaliações orais? Sim ( ) Não ( )

Obs.: Pode-se associar a este tipo de pergunta um “por quê” ou um “justifique”, o que transforma a pergunta objetiva em mista, enriquecendo a resposta.

As perguntas do tipo certo/errado só são utilizadas quando se quer verificar qual das alternativas é correta. Veja o exemplo.

– A sua nota é sempre mais elevada quando a avaliação é realizada oralmente. Certo ( ) Errado ( )

 

Questões subjetivas

Perguntas subjetivas de respostas livres permitem verificar o nível de conhecimento no assunto. Embora possibilitem recolher dados ou informações mais ricas e variadas, são analisadas com mais dificuldade. Nos exemplos a seguir observa-se que as respostas não seguem um padrão único. Eles se aplicam à temática “preconceito/intolerância em sala de aula”.

– Por que é necessário respeitar a diversidade em sala de aula? ____________________________.

– Quais os preconceitos que você mais observa em sala de aula? ____________________________.

– Qual a diferença entre preconceito e liberdade de expressão? _________________________.

 

Analisando as respostas

Analisar o que aparece nos questionários não é tarefa fácil, pois a maior parte deles é formada com perguntas abertas. Os resultados da enquete podem ser analisados qualitativa ou quantitativamente. Caso o objetivo seja quantificar respostas dentro de determinados padrões preestabelecidos para dar-lhes tratamento estatístico, a opção correta é a análise quantitativa. Entretanto, considerando que a meta seja verificar opiniões, descrições, comparações e interpretações, a abordagem qualitativa é considerada a mais adequada.

Após todos os alunos obterem as respostas, é hora de reuni-las em uma produção textual. Que tal aproveitar as temáticas sugeridas para promover a prevenção contra a dengue, já que o verão está chegando com tudo? E ainda conferir qual a opinião e estatísticas referentes aos alunos que preferem ser avaliados oralmente ao invés das provas escritas. Até mesmo discutir uma questão atual, que foi tema da última edição da Revista Appai Educar, a intolerância. Afinal, um espaço educacional também deve refletir sobre a liberdade de expressão respeitando a diversidade.


Fonte: Educação Púbica.Cederj | Dra. Any Bernstein e Dra. Riva Roitman – Professoras da Fundação Cecierj e da UFRJ


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