Educação para o futuro


Alunos entram em contato com a ciência e a biotecnologia

Nos dias de hoje o desenvolvimento de um país está ligado ao investimento em pesquisas, principalmente em biotecnologia. O meio ambiente é uma fonte das tecnologias do futuro, com seu potencial biotecnológico presente nos microrganismos, seja para a indústria farmacêutica, alimentos ou agricultura.

Visando proporcionar aos jovens oportunidades de penetrar nesse conhecimento, o Centro Universitário Estadual da Zona Oeste – a Uezo – desenvolveu o projeto Micro-organismos e Biotecnologia: Educação para o desenvolvimento tecnológico do futuro. Iniciativa da universidade com a Faperj – Fundação Carlos Chagas, o programa consiste em proporcionar experiências científicas para os jovens do Ensino Médio.

Segundo a professora adjunta de Biotecnologia e Imunologia da Uezo Maria Cristina de Assis, que coordena o projeto, o objetivo principal do trabalho é popularizar a Ciência. A docente explica que as novas técnicas visam menor impacto das atividades humanas sobre os recursos naturais. “O pesquisador deve colaborar para o desenvolvimento sustentável através do conhecimento desses microrganismos. É essencial que esses jovens tenham contato com essa realidade para conhecer esse meio apaixonante a fim de que possam vislumbrar um futuro profissional, e é necessário que exista uma aproximação dinâmica com linguagens adequadas”, justifica a coordenadora.

Durante a inauguração do projeto, alunos de algumas escolas da Zona Oeste foram contemplados com a experiência no laboratório. O trabalho, com previsão de duração de um ano, levará exposições itinerantes nas dependências de escolas públicas pré-selecionadas, com a assessoria da equipe de docentes da universidade e monitores, estudantes dos cursos da área científica da Uezo.

O universitário Caio Filipe demonstrava aos alunos do Centro Interescolar Estadual Miécimo da Silva, através de experimentação em laboratório, como essa teoria, chamada de bioprospecção, é empregada nas grandes indústrias e até na agricultura: “Nosso objetivo é mostrar que nem todos os microrganismos que encontramos na natureza são maléficos à saúde. Muitas dessas bactérias são utilizadas no nosso cotidiano, na alimentação diária”. Em uma amostra de solo ele explica o que pode ser feito dentro dos tubos de ensaio com diluentes.

“Através dessas experimentações encontramos novos organismos com potencial para extração de produtos, como os lactobacilos, que colaboram para que as pessoas tenham uma vida melhor, e também podemos desenvolver novos pesticidas que sejam menos agressivos à terra e ao corpo humano”, completa Ida Carolina, Professora da Uezo.

Responsabilidade social

O projeto é constituído por um conjunto de atividades que visam estimular o lado investigador e empreendedor do aluno. Segundo Maria Cristina, a Zona Oeste é um grande polo industrial e tem uma demanda por profissionais para ocupar novas funções. Através de parcerias com outras universidades públicas, a Fiocruz e até a iniciativa privada, o empreendimento firmou acordo com uma empresa do ramo de plásticos, que criou uma armadilha para captar o mosquito Aedes Aegypti, inspirada nas confeccionadas com pet. O empresário e idealizador da engenhoca doou algumas peças para a universidade, que participa da campanha contra a dengue.

Os estudantes também ouviram palestras sobre a doença e coleta seletiva, fazendo um link entre esses dois temas. O segundo foco do trabalho é fazer um mapeamento da dengue nas escolas públicas da região. Com auxílio das armadilhas doadas pelo empresário, a equipe pretende traçar um panorama da situação e utilizar o ensino de Ciências para combater os focos.

O professor da Uezo Ronaldo Figueiró ressalta a contribuição do trabalho para a conscientização quanto ao destino correto para o lixo no combate à doença: “Precisamos prestar atenção nos pneus, que são escuros, garrafas pet e até tampinhas, pois esses são os maiores criadouros do mosquito”, lembra. “Já que a doença não tem vacina, o principal combate é o controle com informação, o que remete à responsabilidade de cada um”, emenda a professora do curso de Biologia Luciana Portal.

No laboratório a aluna de Biotecnologia Mayla Abrahin se sente gratificada em passar a magia da ciência para os alunos do Ensino Médio: “Adoro ficar no laboratório observando. É muito bom dividir um pouco do conhecimento e incentivar a pesquisa entre esses jovens; infelizmente não tive essa oportunidade, mas essa geração está tendo”, diz ela, enquanto mostra através do microscópio a quantidade de bactérias que existe na boca. A aluna Júlia, do Centro Interescolar Miécimo da Silva, estava empolgada com a nova experiência: “Estou me sentindo a cientista. Pude desenvolver uma outra visão do que é a Química”, enquanto Taise também mostrava seu encantamento: “A gente pode perceber que a ciência está no nosso dia a dia; fiquei impressionada com as bactérias no iogurte e no leite fermentado”, comenta.

Maria Cristina acredita que levar essa vivência à escola é a missão do pesquisador. “A meta é tornar a Ciência cada vez mais acessível a todos. Hoje conseguimos passar um pouco dessa paixão e despertar a curiosidade deles”, garantiu a pesquisadora.

Embora seja direcionado a escolas selecionadas, o programa está aberto a instituições da rede privada e de outras localidades. Os interessados em levar suas turmas devem entrar em contato com a Pró-Reitoria de Extensão e falar com a professora Ida Carolina Direito, pelo telefone 2333-6990, ou enviar um e-mail para o endereço abaixo e agendar um horário.


Por: Claudia Sanches
Uezo – Centro Universitário Estadual da Zona Oeste
Av. Manoel Caldeira de Alvarenga, 1.203 – Campo Grande – Rio de Janeiro/RJ
CEP: 23070-200
Tel.: (21) 2333-6990
E-mail: proext@uezo.rj.gov.br
Fotos: Marcelo Ávila

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