DNA: do holocausto a um futuro divergente


Baseada na trilogia do filme Divergente, uma turma do 1º ano do Ensino Médio do Colégio Santa Mônica (CSM), em São Gonçalo, fez uma grande apresentação envolvendo as temáticas holocausto e DNA. A produção também contou com uma aula musical na qual uma paródia do hit “Beijinho no Ombro”, da cantora Valesca Popozuda, narrou parte do massacre nazista.

Desde 2013, o Projeto Interdisciplinar do CSM passou a abordar temas livres, um desafio a mais para os alunos e professores. Após muitos questionamentos, levantamento bibliográfico e amadurecimento durante o período de formatação, a professora de Biologia e realizadora do projeto, Jaqueline Petito, abordou a questão da manipulação do DNA, que foi relacionada ao período do Holocausto, quando Adolf Hitler levantou a bandeira da pureza racial, num episódio que resultou na Segunda Guerra Mundial. Antes de apresentar a ideia aos alunos, Jaqueline a divulgou aos professores de História da instituição, pois o objetivo era que se privilegiasse uma consistência histórica. Depois de muitas conversas, que produziram novas descobertas, o grupo chegou a uma ideia central.

Inicialmente, os estudantes não entenderam a dimensão entre os temas Holocausto e DNA. A integrante Ana Luiza Vaz euforicamente defendeu sua proposta de trabalhar em cima da obra “Divergente”, apontando ações específicas que aparecem no terceiro livro da coleção, intitulado “Convergente”, na qual a autora Verônica Roth narra as facções da sociedade com características trazidas pelo DNA. Jaqueline, que ainda não conhecia a trilogia, pediu para que os alunos descrevessem a história relacionando-a ao assunto proposto em aula, e foi então que surgiu um forte link entre os temas. Toda a relação foi formulada em sala de aula, ainda no primeiro momento do projeto, quando foram definidas a apresentação do tema e discussão da sua abordagem. Após solicitar duas alunas que fizessem, respectivamente, um levantamento bibliográfico sobre os divergentes na sua trilogia e o Holocausto, ocorreu o ponto de partida para que o projeto deixasse empolgados alunos, professores, pais e amigos.

Inicialmente, a ideia era criar uma paródia, mas o material estava tão bem elaborado que optaram, também, por produzir uma encenação. Após decidirem a estrutura do trabalho, partiram para a construção da narrativa da dramatização. Dentre as pesquisas de conceito e interpretação estavam obras como as de Augusto Cury (“Em busca da felicidade”) e Ana Meyer (“Detetives do DNA”), além de análises de filmes, como “Gataca: uma experiência genética” e “A queda! As últimas horas de Hitler”. Com todas essas buscas, até os trejeitos e manias do ditador alemão foram estudados pelos alunos Lucas Augusto e Gabriel Dau, que, de forma brilhante, viveram o nazista na primeira e segunda fases, respectivamente. Até mesmo um grupo no aplicativo WhatsApp foi criado para que houvesse interação de conteúdo sobre os temas entre todos os participantes. À medida que a professora ia lendo os livros e assistindo os filmes, direcionava as informações que foram utilizadas na elaboração do roteiro, revisado inúmeras vezes por Jaqueline, com a finalidade de tentar romancear as informações mantendo sua riqueza de detalhes e a veracidade dos fatos.

Também polêmico, o projeto contou com histórias paralelas do líder do Partido Nazista. Judith, por exemplo, uma judia pela qual Adolf Hitler teria se apaixonado, foi um elo para a explicação de toda a revolta do ditador alemão, que, após uma infância de recriminações e fracassos, transferiu-se de Viena para a Alemanha onde, na idade adulta, desenvolveu seu massacre antissemita.

Utilizando a paródia do sucesso “Beijinho no ombro”, da funkeira Valesca Popozuda, foi apresentada uma narrativa englobando todos os assuntos abordados. Na estrofe inicial, os jovens exaltam a importância dos profissionais da ciência cantando “Desejo a todos cientistas vida longa, pra que descubram cada dia mais nossa história”.

O trabalho faz parte do projeto anual do Colégio Santa Mônica que acontece em todas as unidades, normalmente com um assunto central, mas que, desde 2013, passou a ter o tema livre, propiciando uma maior liberdade para a criação dos projetos e desenvolvimento de ideias e discussões. Além desse trabalho, que não tem uma continuidade com os temas, a cada ano trazendo uma ideia diferente, têm aparecido outras apresentações e pesquisas, o que, consequentemente, resulta em um melhor aprendizado dos alunos.

De acordo com Jaqueline Petito, os projetos conseguem atingir algo além, que é a interação entre os professores, alunos, escola e família, pois todos acabam participando efetivamente da execução das tarefas. “É possível perceber o brilho nos olhos de cada pai, mãe, irmão, amigo que ali estão e veem o esforço valendo a pena. Considero esse como mais um dos trabalhos que ficaram na minha história, na minha realização profissional e pessoal. É interessante que durante a elaboração da atividade, que começa em fevereiro e culmina em setembro, atuamos como idealizadores, amigos, carrascos, gerenciadores, mediadores e sempre pensamos que aquele será o último, pois o desgaste realmente é grande, mas quando nos deparamos com a magnitude de cada pedacinho que foi construído já saímos pensando no próximo”, exalta a educadora.

A aluna Clarice Santos ratifica: “Além da nota, que ajuda bastante, eu acredito que a melhor coisa que o projeto gerou foi o respeito que aprendemos a ter uns pelos outros. Depois de tanto estresse, vimos que o melhor era nos juntarmos para fazer com que desse tudo certo. Você aprende a se socializar, a trabalhar em conjunto, a respeitar opiniões e a ter um pouco mais de responsabilidade. O projeto não aconteceria se não houvesse um pouquinho de cada um envolvido. E saber disso, para mim, é a melhor parte”.

Este ano, além do projeto, haverá a criação de um Grupo de Jovens Cientistas, onde serão desenvolvidas pesquisas reais e a elaboração de artigos e participações efetivas de todos os encontros científicos possíveis para apresentação e construção da ciência ainda no Ensino Médio.


Colégio Santa Mônica
Av. Paula Lemos, 298 – Mutuaguaçu – São Gonçalo/RJ
CEP: 24461-265
Tel.: (21) 3611-7000
Professora responsável: Jaqueline Petito
Fotos cedidas pela escola

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