Descobrindo o que está por trás daquilo que falamos no dia a dia


Comecemos por uma dessas “falas”.

O rapaz que foi indicado pelo funcionário entregou rapidamente o livro de estirpe rara ao professor do conhecido liceu.

Você certamente compreendeu o enunciado acima, apesar de bastante longo. Mas talvez não tenha reparado que essa frase mais complexa pode ser reduzida a uma estrutura básica, que no caso é formada pelos termos que estão em destaque. Na verdade, em todo enunciado que lemos há uma estrutura subjacente, que os falantes percebem, por assim dizer, intuitivamente, ainda que não sejam grandes conhecedores de função sintática. Assim, nessa matéria vamos abordar as principais “ossaturas”, que estão presentes nas frases que utilizamos.

 

O menino, em choque, permaneceu estático de tanto medo daquela figura grotesca. Estrutura:

Sujeito (menino) + verbo de ligação (permaneceu) + predicativo do sujeito (estático).

A Índia, um dos países mais exóticos do mundo, ofereceu ao estudante a sua mais importante experiência de vida.

Estrutura:

Sujeito (Índia) + verbo transitivo (no caso, direto e indireto)(ofereceu) + objeto indireto (ao estudante) + objeto direto (experiência)

 

O avião aterrissou com extrema velocidade. Estrutura:

Sujeito (avião) + verbo intransitivo (aterrissou).

 

A decisão inesperada decretou a necessidade imediata de acertos inadiáveis. Estrutura:

Sujeito (decisão) + verbo transitivo (decretou) + objeto direto (necessidade) + complemento nominal (de acertos)

 

O velho sedutor foi impiedosamente agarrado pela paixão avassaladora. Estrutura:

Sujeito (sedutor) + verbo da voz passiva (foi agarrado) + agente da passiva (pela paixão).

Obs.: repare que esse último modelo é na verdade uma outra forma de construir uma sentença em opção a outra que já vimos acima. Veja:

O enunciado O sedutor foi agarrado pela paixão, que está na voz passiva, se passado para a ativa seria A paixão agarrou o sedutor. Ou seja, a estrutura sujeito + verbo transitivo + objeto, que já abordamos.

Há ainda formas bem menos complexas de sentença, que fogem a esses modelos acima apresentados. Acompanhe os exemplos.

Chovia. (formada apenas por uma forma verbal)

Graças a Deus! (sentença que sequer usa um verbo)

Você deve ter reparado nos termos em azul. Eles não se enquadraram nesses casos nas funções sintáticas presentes nas estruturas de frase citadas. São na verdade elementos que ajudam a dar complexidade às frases, aumentando as informações dos enunciados. Eles são independentes das estruturas e ocupam funções sintáticas variadas, como apostos, advérbios, adjuntos adnominais, predicativos de objeto.

Esses são os mais usuais modelos de estrutura frasal, que empregamos na fala ou na escrita. Certamente há outros, não tão comuns, que abordaremos em outra ocasião. Mas já dá pra ter uma boa ideia das bases essenciais que estão subjacentes aos muitos enunciados que podemos construir no nosso belo e querido idioma materno. Até a próxima, pessoal!


*Graduado em Língua Portuguesa e Literaturas Brasileira e Portuguesa, Revisor da Revista Appai Educar, Colunista do blog da Appai, Escritor e Mestre em Literatura Brasileira.


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