De: Nova Iguaçu – Para: Os quatro cantos do Brasil


Projeto pedagógico propõe aos alunos que escrevam cartas e troquem com escolas de outras regiões

Você já deve ter notado o quanto as crianças de hoje são ligeiras em aprender a mexer em celulares, tablets e computadores. É quase uma aptidão raiz. Mas, apesar de tantos aspectos incríveis que a tecnologia nos proporciona, existem alguns pontos a serem considerados, como o daqueles que criam o hábito de digitar errado e, pior ainda, nem desenvolvem o costume de ler e escrever, se limitando a ficar apenas no universo digital.

Em meio a tantos avanços tecnológicos, uma escola de Nova Iguaçu tem praticado uma atividade que resgata um gênero textual esquecido nos dias atuais. Alunos do 4° e 5° anos do Ensino Fundamental estão vivenciando na prática uma rica experiência em sala de aula, o desenvolvimento de leitura e escrita através de cartas.

O feito é um dos pequenos sucessos de uma proposta pedagógica criada por professoras de escolas públicas espalhadas pelo país, que tem aproximado crianças das cinco regiões brasileiras. A ideia é usar as cartas para desenvolver a escrita e a leitura dos alunos. Batizado de Viajando pelo Brasil através das cartas, o projeto nasceu num grupo de WhatsApp que reúne professores do 4º ano de diversas cidades brasileiras e foi formatado, de maneira colaborativa, por Charleny Fernandes, de Minas Gerais; Janaína Flores, do Rio Grande do Sul; Paula Prado, de São Paulo; Susana Silva, do Distrito Federal; e Fabiana Lima, de Nova Iguaçu. Atualmente, a atividade envolve mais de 20 escolas de alguns estados das cinco regiões do país, com a mais distante do Rio de Janeiro localizada em Curuçá, no Pará. Já a mais próxima fica em Belford Roxo, na Baixada Fluminense.

 

De acordo com a professora responsável pelo projeto, quando as correspondências chegam a euforia entre os alunos é garantida. “Ficam muito ansiosos”, revela Fabiana

 

Todas as atividades estão sendo realizadas com a orientação da professora Fabiana Lima e com a colaboração dos pais, direção e coordenação da unidade educacional. Além de lições de Língua Portuguesa, as turmas aprendem um pouco de Geografia, História e até Matemática através das correspondências. Com a tarefa, os alunos trabalham a produção do texto, pesquisam sobre dados como localização, distância entre as cidades e número de habitantes, e descobrem sobre costumes e cultura de cada região.

Os estudantes da Escola Municipal Nicanor Gonçalves Pereira, no bairro de Comendador Soares, que praticamente não saem de Nova Iguaçu, aprendem sobre as diversas realidades, o que para eles é algo quase inimaginável. Já descobriram, por exemplo, que as crianças da Escola Municipal Juvenal da Rocha Tôrres, em Canhoba, no semiárido sergipano, estudam num colégio que, conforme contaram, não tem “laboratório, biblioteca, quadra de esporte, refeitório ou auditório”. Por outro lado, na Municipal de Ensino Básico Helaine Koch Gomes, em Leme, interior de São Paulo, os estudantes narram que a escola deles participa de jogos de matemática, dança, robótica, capoeira, além de possuir duas quadras esportivas, uma de hóquei, piscina e uma infinidade de equipamentos pedagógicos.

A rodada inicial das cartas, realizada no primeiro trimestre de 2018, foi uma apresentação do lugar onde os alunos vivem e estudam. Cada colégio mandou uma cópia para as outras unidades participantes. Já na segunda fase, eles enviaram para outras escolas mais próximas. O exercício posterior já foi mais pessoal. As crianças escreveram um pouco sobre si mesmas, seus gostos, seus sonhos, tornando a atividade mais autobiográfica. Nessa fase, a troca deixou de ser entre turmas e passou a ser entre alunos. Foi assim que Kauã conheceu Gabriel de Jesus, do sul do país. “Nunca achei que eu conheceria alguém de lá. Ele joga bola igual a mim”, conta o estudante de 9 anos.

Um dos objetivos centrais do projeto é que as crianças conheçam o Brasil através das cartas. Por isso, na rodada seguinte de troca de mensagens, os estudantes escreveram para escolas mais distantes de onde vivem. Além disso, o intuito da professora Fabiana Lima é facilitar a aprendizagem dos alunos. “Lembro que na minha infância tinha um professor que me fazia até decorar as vírgulas para a prova de geografia. Não queria isso para meus alunos”, ressalta.

Atualmente, para que seja possível a realização deste projeto, as próprias professoras estão arcando com os custos. “Faço isso na perspectiva de suprir alguns conceitos, ainda não compreendidos pelos meus alunos, de que páginas bonitas do livro com realidade diferente da deles vão atraí-los”, preconiza Fabiana.


Por Richard Günter
Fontes: G1 | SME
Escola Municipal Nicanor Gonçalves Pereira
Travessa Luís Soares – s/nº – Comendador Soares – Nova Iguaçu/RJ
CEP: 26280-120
Tel.: (21) 3779-7423
E-mail: nicanorgp@hotmail.com
Fotos cedidas pela professora

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