De Graciliano a Jorge Amado


Clássicos literários unem a arte cênica à produção, leitura e interpretação textual

Em um projeto que uniu Língua Portuguesa, Literatura, artes plásticas e dança, alunos dos ensinos Fundamental e Médio do Ciep Nação Mangueirense, em parceria com o Centro Cultural Cartola, produziram o espetáculo NoRdestino que possibilitou aos participantes desenvolver a percepção crítica de obras literárias, estabelecendo relações entre essas produções e a realidade em que vivem. O projeto foi desenvolvido pelo animador cultural Marcos Rogério Gonçalves Silva e pelas professoras Maria das Graças dos Santos, de Língua Portuguesa, e Maristela Goulart, de Educação Artística. O grupo cênico contou com alunos do Ciep e integrantes da comunidade.

Para compor o trabalho, alunos e professores envolvidos mergulharam nos textos de Vidas Secas (Graciliano Ramos); Capitães de Areia, Tieta do Agreste e Gabriela Cravo e Canela (Jorge Amado); Grande Sertão Veredas (Guimarães Rosa); Morte e Vida Severina (João Cabral de Mello Neto); O Pagador de Promessas (Dias Gomes), além das canções de Luiz Gonzaga: Luar do Sertão, Assum Preto, Súplica Cearense e Mulher Rendeira. A partir dessas obras, foram desenvolvidos treze esquetes. “Vivenciar o texto de vários autores consagrados, através da dança e da interpretação cênica, é uma experiência profunda e enriquecedora para o estudante, que vai muito além da leitura e que pode provocar efeitos bastante positivos em sua formação”, declara a coordenadora pedagógica Ermezinda Sampaio.

À medida que os alunos liam os livros, a professora Graça, em sala de aula, estimulava discussões e reflexões sobre as temáticas abordadas. Os alunos analisavam os contextos narrados pelas histórias e os recursos linguísticos empregados. As turmas também se inspiraram nos autores e personagens para produzir literatura de cordel. Paralelamente, em atividades de contraturno, a professora Maristela desenvolvia com os alunos atividades de desenhos e pinturas retratando cenários ligados às obras em destaque.

Ao mesmo tempo, Marcos Rogério desenvolvia o preparo cênico dos alunos envolvidos no projeto. “Quando decidimos trabalhar essas obras, foi proposto o estudo de personagens, para que os alunos pudessem reproduzir com fidelidade os sentimentos inseridos nas histórias, como a fome, a saudade, a morte. Fiz com que vissem que não se tratava apenas de uma caracterização, mas da reprodução de histórias. O resultado foi a criação de treze cenas que considero muito significativas, como, por exemplo, a que faz uma ligação entre Morte e Vida Severina e o Pagador de Promessas, quando lançamos mão da liberdade poética para transformar a cena original que culminaria com o sepultamento de um criança em algo que transcendeu a vida neste plano. A proposta não foi fazer qualquer ligação religiosa, mas passar uma mensagem de esperança diante da dor. E o resultado ficou muito bom”, conta.

Taíssa Frota, aluna do 1º ano, afirma seu orgulho em integrar o projeto. Ela leu o livro Capitães de Areia, preparou resumo da obra, pesquisou sobre os personagens Pedro Bala e Dora e esteve em todos os ensaios. “Sempre gostei de literatura, mas ao participar desse projeto passei a gostar ainda mais. É como se o livro ganhasse vida e fizesse parte do nosso cotidiano”, diz. A ex-aluna Luane Caroline Xavier é outra integrante do grupo. Ela estudou na escola até concluir o 3º ano e depois prestou o Enem para a UFRJ, onde cursa Engenharia Química. Mesmo assim, faz questão de estar presente nas atividades da escola.

Cristiano Arthur também concluiu o Ensino Médio na escola e se prepara para cursar Educação Física. Para ele, a arte ligada à Língua Portuguesa ajuda a compor a personalidade de um cidadão. “Através desses projetos, passamos a conhecer novas culturas, desenvolver nossos talentos, como aconteceu comigo”, garante. Para o diretor-geral Carlos Alberto Barbosa, essa sintonia fina com a comunidade é fundamental para que uma escola cumpra o seu papel. “Ao vermos ex-alunos e a comunidade participar ativamente dos nossos projetos, percebemos que estamos trilhando o caminho certo. A meu ver, atividades como essa fazem com que aproximemos o aluno do professor, que não é o senhor absoluto do saber. Estamos aqui para ajudá-los a crescer e aprender com eles também”, afirma. Ao final, a professora Graça fez uma avaliação do projeto: “Meu sentimento é de alegria e de esperança. Esses jovens têm um potencial que eles mesmos desconhecem. Quando a escola propicia meios que os estimulam a desenvolver suas habilidades, os resultados são surpreendentes”.


Por: Tony Carvalho
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