Conhecendo os biomas brasileiros


Dentre os muitos nomes que passaram a ocupar a nossa memória nesses tempos onde as questões ambientais se tornaram tão importantes, um deles salta aos olhos: bioma. Com esse termo se designa o conjunto de ecossistemas (basicamente a fauna e a flora), que apresentam características próprias, sob os pontos de vista climático e biológico. A importância de se entender (e preservar) os biomas se torna ainda mais relevante para nós brasileiros, já que nenhum outro lugar do mundo possui tantas realidades climáticas diferentes dentro de um mesmo território. Para que tenhamos um melhor entendimento sobre o que significa essa diversidade da natureza e a necessidade de cuidar bem de tudo isso, vamos conhecer cada um dos seis biomas presentes no Brasil?

Amazônia

O mais rico e maior bioma do Brasil ocupa quase metade de nosso território, abrangendo nove unidades da federação. Com sol praticamente o ano inteiro, umidade e chuvas abundantes, a grande floresta concentra a maior diversidade biológica do planeta e é sem dúvida nosso maior tesouro.

Na sua imensidão verde estão abrigadas mais de 2.500 espécies vegetais e quase 3.000 animais, dentre os quais verdadeiros símbolos de beleza, como a arara-vermelha, a onça-pintada e o boto-cor-de-rosa. Isso sem falar nos seres humanos cuja vida está atrelada à floresta, representados na população ribeirinha, nos povos da floresta e nas muitas etnias indígenas que habitam seus mais de 4 milhões de quilômetros quadrados.

Um capítulo à parte no papel da exuberante floresta está relacionado à questão da água, fundamental para todo o continente e até para outras partes do globo, com seus imensos rios – dentre eles o Amazonas, maior do planeta em volume de água –, mananciais e o maravilhoso fenômeno dos rios voadores.

A grande preocupação, que mobiliza todo o planeta, está relacionada à questão de como preservar essa maravilha toda. O avanço da fronteira agrícola e o desmatamento têm sido problemas constantes, principalmente porque nos últimos anos, depois de importantes progressos, estamos presenciando um aumento considerável da área desmatada. Olho vivo, gente!

Cerrado

Nosso segundo maior bioma constitui na verdade a floresta de savana mais rica do planeta. Assim como a Amazônia, a diversidade de vidas dependentes do cerrado é gigantesca. São mais de onze mil espécies vegetais e uma fauna estimada em aproximadamente 2.500 espécies. Dentre os recursos naturais, verdadeiros símbolos nacionais, como o ipê-amarelo e lobo-guará.

O clima no cerrado, tropical com estações bem definidas, pode registrar temperaturas extremas, chegando próximo aos 40 graus nas épocas mais quentes e podendo atingir até zero graus durante o inverno. Em boa parte do ano o clima seco expõe a região a incêndios naturais, um grande perigo para as espécies do cerrado.

Mas infelizmente não são só de ordem natural as ameaças a essa beleza da natureza. Apenas 8% do território são abrangidos por áreas de proteção, a menor quantidade dentre todos os biomas nacionais. O resultado é um grave processo de desertificação que vem avançando dia a dia em decorrência do mau uso dos recursos pelas atividades de exploração econômica na região. Como preocupante resultado, nada menos que 137 espécies de animais estão na lista das ameaçadas de extinção.

Mata Atlântica

É o bioma que mais sofreu transformações em relação a sua situação original. Apenas 29% da Mata Atlântica são originais, se estendendo pelas regiões Sudeste e Sul do Brasil. O bioma é caracterizado pelas imensas florestas formadas por árvores de médio e grande portes, que abrigam mais de duas mil espécies animais, como os brasileiríssimos tamanduá-bandeira e o mico-leão-dourado.

A proximidade com o imenso litoral brasileiro torna o clima na Mata Atlântica muito úmido, com suas chuvas torrenciais, mas ao mesmo tempo muito quente. A ameaça maior a esse bioma é mesmo a destruição em virtude da ação humana, que faz com que só 35% das espécies vegetais do Brasil estejam ali, distribuídos por mais de 20 mil plantas já catalogadas.

Caatinga

O clima tropical semiárido, com pouquíssima incidência de chuvas, constitui um sistema único em todo o planeta. A desértica paisagem, de solo endurecido e baixa fertilidade, expõe vegetação singular, como os vários tipos de cactos, arbustos e os famosos mandacarus. A fauna, mesmo com a pouca presença de áreas verdes e rios, é bastante rica, registrando algo em torno de 1.200 espécies. Incluindo animais típicos da região agreste, roedores, como os preás, e répteis, como os teiús.

Devido à quantidade de recursos naturais, muito inferior àquela presente em áreas mais úmidas, a caatinga é o ecossistema mais depredado do planeta, em função da procura por artigos, como a madeira para lenha (principal combustível) e a caça. É também o bioma brasileiro onde seres humanos convivem com maior intensidade, o que dá origem a uma riqueza cultural exuberante, que se estende pelos oito estados da federação que apresentam o ecossistema, formando um dos mais importantes complexos culturais do Brasil.

Pampa

Uma imensa planície forrada com vegetação pastoril. Assim se pode definir o último dos biomas brasileiros a ser reconhecido como tal (apenas em 2004). Abrangendo 63% do território do estado do Rio Grande do Sul, o pampa apresenta clima subtropical, com muitas chuvas e estações bem definidas. É o único bioma relacionado a fenômenos naturais próprios das regiões polares do planeta, com suas baixas temperaturas e a ocorrência de geadas e até neve.

Essa situação faz com que o pampa não seja tão rico em termos de fauna e flora quanto os outros biomas brasileiros. Entre a vegetação rasteira, predominante e sua principal característica, estima-se a ocorrência de aproximadamente três mil espécies vegetais. Enquanto calcula-se que algo em torno de 600 espécies de animais tenham os campos gaúchos como habitat.

Como todos os biomas nacionais, o pampa também enfrenta graves dilemas referentes a sua conservação, bem como das espécies que lá vivem. O desmatamento e o tráfico de animais se destacam entre os problemas mais preocupantes. Um dado importante é que o bioma concentra a maior quantidade do aquífero Guarani, o grande reservatório (segundo maior do mundo) de água que, segundo cálculos, deverá abastecer a população brasileira por mais ou menos 2.500 anos.

Pantanal

O menos extenso dos biomas brasileiros é a maior planície de inundação do mundo. Vários fatores dificultam o escoamento das águas, o que leva à situação de áreas constantemente submersas ao lado de outras que ficam cheias durante parte do ano. Essa realidade ambiental acaba dando origem a um modo de vida muito singular por parte dos seres humanos que aprenderam a viver ali, dando origem à riqueza da chamada cultura pantaneira.

A combinação de altas temperaturas com umidade a maior parte do ano tem como resultado a imensa riqueza e diversidade da fauna e da flora. Já foram catalogadas em torno de 1.500 espécies vegetais, enquanto a estimativa de animais que vivem no Pantanal chega a mais de mil espécies, algumas emblemáticas, como o macaco-prego e o jacaré-do-pantanal.

O bioma recebeu da Unesco o título de Patrimônio Natural Mundial, em reconhecimento à importância da biodiversidade local para as questões biológicas globais. A situação de quase constante alagamento estabeleceu a pesca e a pecuária como as principais atividades ali praticadas.

Eis então, em linhas gerais, as imensas riquezas que a natureza do Brasil abriga em termos de vida, natureza e beleza. Conhecer e preservar cada um desses biomas é uma tarefa que jamais pode ser deixada de lado pela população. Ali, como se pôde ver, estão riquezas que podem garantir a vida e o equilíbrio do Brasil e do mundo por muito tempo. Então, fiquemos sempre atentos a quaisquer tentativas de destruição dos nossos biomas em benefício de atividades lucrativas que só contemplam uma pequena parte da população!

Leia também: “Os filósofos da natureza e suas muitas questões que ainda hoje nos mobilizam”


Por Sandro Gomes | Professor, escritor, mestre em literatura brasileira e revisor da Revista Appai Educar.


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