Comportamento infantil


Os problemas comportamentais da infância e adolescência estão recebendo especial atenção de profissionais da saúde mental infantil, educadores e pais nos últimos anos.

Para se ter uma ideia da dimensão do problema, diversos estudos epidemiológicos internacionais identificam que cerca de 20% de crianças e adolescentes em idade escolar necessitam de algum auxílio na área da saúde mental. São milhares de estudantes brasileiros com prejuízos acadêmicos e que precisam desenvolver estratégias para lidar com dificuldades emocionais, aprendendo habilidades sociais e comportamentais para uma vida mais feliz e equilibrada.

Durante os séculos pudemos observar o quanto a ignorância é prejudicial à nossa sociedade. Milhares de mortes inocentes durante guerras, conflitos étnicos, religiosos destroçaram nosso planeta. A ganância, vaidade e desejo pelo poder esmagaram e dizimaram diversas civilizações, culturas e comunidades ao longo do tempo.

Na política a manutenção de uma população alijada e sem acesso à educação e à informação tornou, há centenas de anos, uma maneira fácil e barata de manter uma grande massa de manipulação eleitoral.

Deixando um pouco de lado a política e a religião, o campo da ciência vivencia problema semelhante. Enquanto os estudos da neurociência e da medicina evoluem intensamente nos diversos centros de pesquisa, principalmente nos Estados Unidos e na Europa, observamos o crescimento de “terapias alternativas”, isto é, pseudotratamentos sem comprovações científicas, que tentam desqualificar o trabalho sério de pesquisadores e cientistas, ludibriando a população.

Serão justos o preconceito, a ignorância e o medo de uma sociedade ao excluir do tratamento médico correto uma criança? Pois esse foi o principal motivo que me estimulou a escrever o livro Manual dos transtornos escolares.

Um dos objetivos desse livro é oferecer material psicoeducativo de qualidade, ricamente embasado em evidências científicas e utilizando uma linguagem simples e fácil para auxiliar pais, educadores e profissionais da saúde mental da infância e adolescência. A transmissão de informação psicoeducacional pode proporcionar a diminuição de preconceitos e permitir que crianças e jovens se beneficiem de um tratamento médico correto.

A luz da ciência não pode sucumbir à escuridão e mazelas da ignorância, que é a pior doença que pode existir. Ela emperra o desenvolvimento econômico, sociocultural e tecnológico de uma sociedade. Rios de dinheiro são gastos com tratamentos tardios, quando a prevenção e intervenção precoce em saúde mental infantil poderiam ajudar a diminuir o sofrimento e os prejuízos acadêmicos e sociais de milhares de crianças e adolescentes.

A correta intervenção nos diversos transtornos comportamentais que descrevo no livro dependerá de uma série de fatores, mas vale ressaltar que primordial será a importância da união entre pais, educadores e profissionais da saúde mental infantil, como médicos, psicólogos, fornoaudiólogos, psicopedagogos, psicomotricistas, terapeutas ocupacionais, entre outros.

Amigo leitor, vamos nos unir na luta por saúde mental nas escolas brasileiras!


Gustavo Teixeira é médico psiquiatra infantil, professor visitante do Department of Special Education – Bridgewater State University e Mestre em Educação, pela Framingham State University.


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