Complementando as ações (Função Sintática – Parte II)


Continuamos nesta edição abordando o estudo da Função Sintática, agora dando espaço aos chamados Termos Integrantes da Oração, que são aqueles que servem para completar o sentido de verbos ou nomes, que por si próprios não conseguem encerrar uma ideia objetiva. Esses termos podem ser divididos em complementos verbais e nominais. Os verbais são os conhecidos “objetos”, que passamos a ver a partir de agora.

Objeto Direto é aquele que completa o sentido de um verbo sem necessitar da presença de preposições. Veja: Elas aguardavam o avião.

O verbo “aguardar”, ao ter seu sentido completado por um objeto, não exige preposição, porque quem aguarda, aguarda alguma coisa (o avião, que aparece como o Objeto Direto).

O Objeto Indireto encerra a mesma ideia, com a diferença de que o verbo empregado solicita a presença de uma preposição. Observe:

Certas pessoas não confiam em ninguém.

Quem confia, confia em alguém. Dessa forma, sem a presença da preposição em a ideia não ficaria completa.

Há porém casos em que, mesmo se tratando de um verbo que não solicita a presença de preposição, os falantes sentem uma necessidade de empregá-la, constituindo o chamado Objeto Direto Preposicionado. Acompanhe os exemplos:

O texto deixou a todos muito sensibilizados. / Com isso, prejudicas a si próprio.

Os Objetos Direto e Indireto ainda podem funcionar como Pleonásticos, quando aparecem mais de uma vez numa oração, com o intuito de que uma ideia seja reforçada. Veja:

A mim, deixaram-me muito à vontade. / A roupa, eu a adquiri um ano antes.

Complementos nominais

O Complemento nominal realiza a função de completar o sentido de um nome. Como sempre ocorre precedido de preposição, é muito comum que os estudantes o confundam com o objeto indireto, esquecendo naturalmente de que este completa uma ideia verbal e não um nome. Veja o exemplo:

Algumas pessoas têm extrema necessidade de atenção.

Repare que se disséssemos apenas Algumas pessoas têm necessidade, certamente nosso interlocutor encaixaria uma pergunta: Necessidade de quê? É que alguns nomes, estando em certos contextos frasais, passam a solicitar um complemento, num movimento que realmente se assemelha bastante ao dos verbos transitivos indiretos.

O outro complemento nominal é o Agente da passiva, que aparece em orações nas quais o verbo se encontra na voz passiva, indicando assim quem executa a ação do verbo. Veja:

As ilhas foram invadidas pelas águas do mar.

Note que o sujeito (quem executa a ação) da oração é As ilhas. Porém esse mesmo sujeito é quem sofre a ação descrita na frase (ser invadido pelas águas do mar). Como característica deste tipo de oração temos que a forma nominal (invadidas) é que pede o complemento (As ilhas foram invadidas por quem?). Esse complemento (pelas águas do mar) é o que chamamos de Agente da passiva, pois se passarmos para a voz ativa ele desempenha uma função de sujeito (de quem comete a ação): As águas do mar invadiram as ilhas.

Sobre Termos Integrantes da Oração é isso. Na próxima edição fechamos o assunto Função Sintática, abordando os Termos Acessórios da Oração. Até a próxima, pessoal!


Sandro Gomes é Graduado em Língua Portuguesa e Literaturas Brasileira e Portuguesa, Revisor da Revista Appai Educar e Escritor.

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