Como os jovens querem aprender?


O maior encontro educacional este ano mudou o foco. Ao invés de os professores serem os protagonistas, foram os alunos que se destacaram no debate sobre o processo de aprendizagem. Não é à toa que o título do evento foi alterado para “Educação 360 Jovem”. Realizado no Museu do Amanhã, os debates reuniram estudantes de ensino médio, especialistas em educação, escritores e psicólogos para discutir o currículo escolar, metodologias e formas de participação dos alunos. O ponto de partida foi a pergunta: O que e como os jovens querem aprender?

A jornalista Brenda Fucuta, que estuda a convivência entre gerações, mediou o bate-papo com a participação do chefe de educação do Unicef, Ítalo Dutra, que defende a voz do estudante como condutor da construção do currículo escolar. “O aluno mudou, o ensino precisa mudar. Precisamos de espaços de diálogo em que os estudantes possam mostrar qual é a melhor forma de aprender. Muitas vezes a maneira de abordar tal assunto afasta o professor do aluno”, pondera Ítalo.

Modelo atual de educação recebe crítica

O escritor Marcelo Rubens Paiva, que também participou do evento, criticou o modelo educacional brasileiro, chamando-o de ultrapassado e ineficiente, principalmente pela sobrecarga de informação passada aos alunos. “Algumas coisas são muito úteis, mas eu me pergunto para que serve tudo isso? Ficam ensinando as coisas mais variadas, que só poluem a mente de um adolescente, em uma decoreba que não faz com que eles saiam dali bons escritores”, explicou.

Ainda assim, Paiva admite que alguns livros e autores que marcaram sua vida só foram parar em sua cabeceira por obrigação escolar. Entre os que conheceu dessa forma, cita Machado de Assis, Dostoiévski e Guimarães Rosa. Todos revisitados na idade adulta. “Se não tivessem me obrigado, teria lido só Agatha Christie. Assim como o jovem dos anos 2000 só teria lido Harry Potter”, argumenta.

Indagados sobre o atual papel da tecnologia na sala de aula, os estudantes debatedores são enfáticos e pontuais. Para Jean Vilela, a tecnologia tem contribuído para que os alunos experimentem novas formas de ensino. “Tudo evoluiu, por que o ensino na escola é ainda o mesmo de 50 anos atrás? As matérias são importantes sim, mas em excesso não vejo fundamento. Me questiono, por que temos cinco aulas de física e uma de artes?”, aponta o aluno. Para Bárbara de Souza, os estudantes são o futuro do nosso país, por isso discutir o currículo deve ter a participação deles. “Se nós não formos críticos, quem será pela gente? Temos que participar cada vez mais dos debates que consolidam nosso currículo”, enfatiza a jovem. Já para Eduarda da Silva, a flexibilização do ensino médio precisa discutir a diversidade. “Precisamos de um currículo que fale com o jovem de hoje, que oportunize a necessidade de sermos pessoas críticas para de fato exercermos nosso papel de cidadãos na sociedade. E não para que só façamos uma prova no papel depois”, ratifica Eduarda.

Jovens de todo o país vêm ao Rio de Janeiro

Os estudantes convidados à mesa de debates fazem parte de um grupo de 80 jovens que foram trazidos de diferentes locais do Brasil. Roberta Ferraz, coordenadora de projetos especiais da Infoglobo, disse que na véspera do evento este grupo de estudantes participou de um workshop, em que foram divididos em grupos para debater currículo, metodologias e participação, temas das mesas do evento. Eles mesmos elegeram os participantes dos debates. Os demais ficaram com microfone aberto para comentários e perguntas da plateia.

O evento ainda contou com a participação do Presidente do Conselho Nacional de Juventude, o psicólogo Gabriel Medina; do Diretor de Operações do SESI, Paulo Mól; da Gestora de Mobilização do Instituto Inspirare, Tatiana Klix, entre outros. Veja todos os palestrantes aqui: hiperlink: http://eventos.oglobo.globo.com/educacao-360/2018/palestrantes/

A programação completa do evento pode ser acessada pelo site Educação 360 ou pelo Facebook Oficial do Canal Futura.

Uma reflexão sobre os desafios da escola atual

Essa terceira semana de abril está sendo um marco para a educação tendo o Rio de Janeiro como palco das discussões sobre o tema. Depois do Educação 360 Jovem, o Educa Rio 2018 vem para selar mais um debate sobre importantes temas de interesse dos educadores, como mídia-educação, neurociência na educação, cultura e literatura nas escolas do século XXI, perspectivas de trabalho na Pré-escola e trabalho cotidiano na Educação Infantil. Através das conversas, pretende-se proporcionar aos educadores um momento de formação e reflexão sobre os desafios, o que se espera e o que se deseja para as escolas da atualidade. E a Revista Appai Educar fará uma cobertura exclusiva para a próxima edição.


Por Richard Günter, Jornalista, Assistente de Editorial da Revista Appai Educar e pós-graduando em roteiro de cinema e televisão.


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