Ciências, um algo a mais


Conhecimento para transformar a escola

Quando a diretora Roberta Costa assumiu o cargo na Escola Municipal Almirante Newton Braga de Faria, se deparou com um desafio: trabalhar a disciplina e o incentivo aos alunos do 6º ao 9º ano. Para isso pensou em uma proposta e chegou ao projeto Ciências, um algo a mais. “Havia muitos relatos de falta de interesse e motivação para a aprendizagem. A ideia de realizar essa atividade surgiu da reunião da equipe, que sugeriu uma feira de ciências por incentivar um movimento na escola. Precisávamos atrair o interesse do alunado e partimos das ciências porque temos muitas atividades concretas para passar às outras disciplinas. Os experimentos apontam para outras áreas, como a Matemática e a Física, tudo com muita ludicidade”, justifica a diretora.

A professora de Ciências Denise Pittigliani recebeu a missão de coordenar o trabalho. A equipe optou por fazer algo diferente na escola, para incentivar também a pesquisa e a prática científica: “Tive que estimular, levá-los a buscar informações, fazê-los pensar. Passei a proposta de criar um nome para o evento através de votação”.

A professora Franciele Ribeiro, intérprete de línguas, teve a ideia de trabalhar os cinco sentidos. Aline, deficiente auditiva, resolveu falar sobre suas próprias limitações em um espaço destinado a criar recursos e estratégias. “Juntamos a disciplina de Ciências com as atividades que eles praticam na sala de recursos, um ambiente destinado a atender os alunos portadores de necessidades especiais, onde cada um é assistido na sua especificidade. Aproveitamos o evento para divulgar esse trabalho e apresentar as oficinas de Libras, tudo voltado para a prática científica da escola”, diz a professora Jaciara Santos. Com o tema “Mãos que falam”, a equipe da aluna Carol ensinou o alfabeto em Libras através de várias atividades, como o bingo com temas de animais. A equipe também ofereceu contação de histórias para crianças menores e utilizou bastante material para estimular o raciocínio lógico.

A escola também fez uma parceria com outros projetos, como foi o caso do Clube de Ciências da Escola Municipal Telêmaco Gonçalves Maia, na Pavuna, que tem um convênio com a Fundação de Apoio à pesquisa – Faperj. Outra tarefa que os jovens levaram foi a pesquisa realizada na feira. A proposta era identificar os problemas e discutir sobre as alternativas. Eles apontaram a falta de higiene e o desperdício, entre outras questões. “A ideia é mostrar o que a população pode fazer para mudar, como chamar a vigilância sanitária para fazer a fiscalização, ir às compras nos melhores horários etc. Eles também identificaram os alimentos que conheciam”, explica a professora Patrícia de Campos, coordenadora do Clube de Ciências. Outro trabalho foi a campanha contra o desperdício de papel. Os alunos são sensibilizados para adquirir a noção do quanto o ser humano agride a natureza. O conhecimento produzido pelos próprios estudantes promove a sistematização do conhecimento e a discussão crítica de diferentes assuntos.

Os convidados foram responsáveis por oferecer oficinas durante o evento. A Escola Municipal Américo Amorim, localizada em Itaguaí, também esteve presente. A instituição foi a terceira colocada na Feira de Ciência e Tecnologia (Fecti) e levou experimentos com a biodiversidade. A jovem Gabriele utilizava uma maquete de um biossistema para falar sobre o fenômeno da inversão térmica e demonstrar como funciona o aquecimento global: “Um movimento que acontece por conta da poluição, que impede que o ar quente volte para a atmosfera”. Outra aluna, Yoná, falou sobre o fenômeno da combustão espontânea que acontece independente do homem: “Matéria orgânica, oxigênio e calor podem ocasionar queimadas sem a intervenção humana”. Segundo a professora Denise, “essa troca tem o objetivo de levá-los a conhecer outras práticas para que eles se sintam motivados a ter suas iniciativas”.

Para a coordenadora pedagógica Rosimere França, que estava preocupada com o baixo índice de aprendizagem, havia muitos relatos de falta de interesse por parte dos estudantes. “As ciências despertam a curiosidade do aluno porque são atividades empíricas. Assim, partimos da premissa de Paulo Freire de que mudar é difícil, mas não é impossível. Conseguimos mobilizar os jovens, que tiveram que ter atitudes diferentes, e acreditamos que essas ações é que vão transformar a escola num lugar prazeroso e feliz para a aprendizagem”.


Por: Claudia Sanches
Escola Municipal Almirante Newton Braga de Faria
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Direção: Roberta Costa
Fotos: Marcelo Ávila

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