Arte na Escola | Projeto desenvolve senso crítico e aprimora olhar artístico dos alunos


Desde o início da década de 1980 o Ciep 24 de novembro desenvolve, no Ensino Fundamental, o projeto Arte na Escola, com alunos que tenham aptidão ou interesse em desenho e pintura. Em 2011 a coordenação do curso ganhou uma sala própria e um novo status.

O objetivo do trabalho é desenvolver a percepção, concentração, coordenação motora, sensibilidade do estudante através do conhecimento de tendências, dos artistas brasileiros e estrangeiros e da História da Arte, além de motivar e valorizar a sua capacidade de produção. Através das aulas as crianças e jovens aprendem técnicas com luz e sombra (lápis 6b), fazem desenhos em pastel, óleo e seco, e assimilam conceitos de perspectiva, anatomia e arte abstrata.

De acordo com a diretora do Ciep, Jaqueline Sá, é muito importante manter os jovens dentro da escola por mais tempo através do contato com atividades culturais diversificadas. Assim, além de eles saírem da situação de vulnerabilidade a que ficam expostos nas ruas, têm acesso a uma formação mais completa.

Em 2010 a equipe gestora instituiu a Mostra dos Trabalhos como incentivo e reconhecimento do projeto. Com total apoio da Direção e da Secretaria de Educação e Diretoria de Cultura do Município, o trabalho vem aprimorando as exposições, realizadas no auditório, abertas à comunidade. A exposição, segundo a psicóloga e pedagoga Rosane Fernandes, tem objetivo de valorizar mais o talento das crianças, e algumas obras estão emolduradas para despertar o interesse dos outros colegas: “As crianças da Educação Infantil adoram e já estão querendo participar”, conta Rosane.

Durante o ano letivo, os professores propõem atividades de desenho livre, seguidas de um estudo das aptidões do aluno, aplicação de exercícios para o aprimoramento da técnica, buscando então desenhos livres para exercitar a criatividade, a fim de que ele passe a se expressar também pela arte.

O aluno da 8º série Jardel Gonçalves, de 16 anos, há dois anos no Projeto, é destaque da Exposição e relata sua experiência: “Eu gostava de desenhar, mas nem tinha noção do que isso significava. Fui convidado pelo professor e artista Júlio Muniz e hoje não falto a nenhuma aula. Crio agora meus próprios desenhos e gostaria de me especializar no estudo do mangá, estilo japonês, tomando isso como profissão. O professor Júlio é muito parceiro, e eu não saberia nada de artes sem ele e não descobriria meu talento se não fosse o projeto na escola”.

A aluna Eduarda, da 6ª série, que também se destaca em mangá, amou ver seus desenhos expostos e diz que a família está muito orgulhosa. Guilherme, da mesma série, que representou Oswald de Andrade na II Feira do Conhecimento realizada no Ciep, disse ter adorado “este conhecimento profundo da cultura”.

A professora Juliana Braga conta que, durante as aulas de arte, os alunos têm a chance de ampliar seu universo, indo além do cotidiano. A educadora percebeu uma melhora na autoestima dos estudantes, principalmente durante a execução do projeto para a Feira do Conhecimento, onde estudaram Di Cavalcanti: “Temerosos no início, acabaram por produzir trabalhos muito bons, que eles mesmos reconheceram. Outro aspecto importante é que aproveitamos durante as aulas para trabalhar literatura, geometria, biografias, entre outros conteúdos”.

Para o professor Júlio, o maior desafio do trabalho é mostrar que o lúdico é tão importante quanto os outros conteúdos para a formação completa de um cidadão com senso crítico, sensibilidade apurada e senso estético dentro do contexto em que está inserido: “É muito gratificante perceber que esses jovens se superam a partir de um trabalho que crê que todo educando tem capacidades, e cabe ao educador retirar as barreiras”.

Rosane lembra que o projeto dá sequência a outros trabalhos como a II Feira do Conhecimento, que traz o tema Pauliceia Desvairada. A psicóloga acredita que esses esforços têm mudado a configuração do Ciep, antes uma escola “para a qual os alunos que criavam problemas eram mandados”: “Como educadora fico muito feliz de ver a escola com as portas abertas, recebendo pessoas, ampliando horizontes, mostrando e fazendo arte com os alunos, ofertando a eles um leque de oportunidades para que talentos sejam descobertos, sendo vista como um local que desperta sonhos, concretiza ações e constrói uma identidade nova, despindo-se dos rótulos”, conclui.


Por: Claudia Sanches
Ciep 24 de novembro – 429
Rua João Pedro da Silveira, nº 30 – Centro – Areal/RJ
CEP: 25845-000
Tel.: (24) 2257-4014
E-mail: ciep429@hotmail.com
Diretora: Jaqueline Silva Sá

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