Appai compartilha experiências com o CIEE


Muitas descobertas, aprendizagens e a possibilidade de inserção no mundo do trabalho. É assim que Roberto da Silva Mota, de 20 anos, define o Programa Jovem Aprendiz, voltado para a preparação e inserção de jovens no mundo do trabalho, que se apoia na Lei da Aprendizagem (10.097/2000). Na Appai, além do cumprimento da lei, é realizado um acompanhamento de uma equipe multidisciplinar composta pelo RH, assistente social e psicóloga.

A responsável pelo RH, Vanessa Nunes, explica que desde o início a Appai não queria simplesmente cumprir a cota, mas também mantinha o objetivo de desenvolver um programa social. Para isso, contou com a parceria do Programa de Projetos e Ações Sociais (PPAS), que indica os jovens com idade entre 14 e 24 anos, que se encontram em situação econômica e social de vulnerabilidade e fazem parte das instituições assistidas pelo PPAS.

Da esquerda para a direita: Márcia Marinho (PPAS), Jéssica Cardoso (RH) e Jussara dos Santos (PPAS)

 

Esse trabalho diferenciado acontece desde 2013. Além das reuniões promovidas pelo CIEE (Centro de Integração Empresa Escola) Rio, o grupo tem encontros quinzenais na sede da Appai, que duram cerca de 2 horas, como explica Jéssica Cardoso, que também faz parte da equipe do RH. “Parece pouco, mas são horas superprodutivas e bem aproveitadas. Através do feedback deles, conseguimos comprovar isso. Nesses encontros são discutidos diversos temas. Abordamos desde a entrada no mundo do mercado, como se comportar, as perspectivas futuras, o que eles precisam criar para chegar lá, sexualidade, ética, violência até temas atuais sugeridos por eles ou por nossos profissionais”, explica.

A psicóloga e integrante da equipe do Programa Saúde 10, Ieda Herculano, explica que nesses encontros ela procura observar o aspecto emocional desses jovens. “O intuito da equipe é fortalecer e potencializá-los, de maneira que eles se sintam cidadãos e capazes de mudar o futuro, independente das condições em que estejam. O enfoque do programa é na questão profissional, mas a gente não esquece e valoriza muito essa parte do pessoal. Estamos sempre dispostos a ouvir, a acolher, a orientar, como também há os momentos de chamar a atenção. Fazemos um acolhimento com relação às questões que a equipe observa no campo psicológico e emocional também”, garante a psicóloga.

Da esquerda para a direita: Cristiane Freitas (Assistente Social), Vanessa Nunes (Responsável pelo RH), Jéssica Cardoso (Assistente de RH) e Ieda Herculano (Psicóloga)

 

De acordo com a assistente social da Appai, Cristiane Freitas, independente se o jovem for efetivado ou não, os encontros são uma forma de prepará-lo para a vida. “O foco é estimular o exercício da cidadania, fazer com que ele entenda quais são os direitos e os deveres que tem, para que consiga viver na sociedade. Afinal, são jovens em desenvolvimento e, na maioria das vezes, as influências externas são muito negativas. O nosso papel é fazer com que eles enxerguem a vida de outra forma, permitindo que criem possibilidades para um futuro melhor. Já tivemos casos de aprendizes que saíram daqui e estão inseridos no mercado de trabalho e estudando. Conversamos muito com eles sobre a importância da formação educacional, mostramos o quanto essa questão é fundamental, porque ninguém tira aquilo que a gente aprende!”, afirma a assistente social.

Dhiek Eni Rebeca de Oliveira, de 20 Anos, participou do Programa Jovem Aprendiz e acabou de ser contratada para trabalhar na associação de professores. Segundo ela, o programa funciona de uma maneira muito inteligente, cativando os jovens pela parte que mais é fraca nele. “Contamos nossas experiências e aos poucos vamos perdendo o medo. Construímos amizades e vencemos nossas limitações. É incrível tudo o que aconteceu comigo, mudei completamente tanto na minha vida pessoal, quanto na profissional. Uma experiência que nunca vou esquecer! Agora pretendo fazer faculdade, afinal é impossível ficar acomodada num lugar onde todo mundo procura melhorar e crescer profissionalmente. Me sentiria inferior. A vida exige que a gente busque o crescimento pessoal e profissional. Vamos plantar hoje para colher amanhã!”, explica.

O colega Roberto da Silva, que também foi efetivado, conta que imaginava o Programa Jovem Aprendiz de uma forma diferente. “Achei que não aproveitaria tanto. Me surpreendi com o que aprendemos nessas horas que ficamos aqui ou no curso do CIEE. Essa transição de jovem aprendiz para funcionário é algo novo e ao mesmo tempo melhor. É como se eu tivesse voltado no tempo, mas com uma cabeça bem melhor, com mais experiência. Agora sei como lidar com certas dificuldades e também com as pessoas a minha volta”, garante.

 

Gabriele Rodrigues Souto, de 19 anos, que também participou do Programa e foi efetivada para trabalhar na Appai, relata que essa foi a oportunidade da sua vida. “É o meu primeiro emprego de carteira assinada! Foi algo que já me deu uma vivência muito grande. E ingressar de fato no mercado de trabalho está sendo uma experiência muito enriquecedora. É realmente uma etapa de transição da adolescência para a vida adulta. Gosto do meu trabalho e procuro incentivar outros jovens a participarem do Programa Jovem Aprendiz. E para quem está começando, meu conselho é focar! Porque a gente pode se arrepender de ficar brincando, de não levar a sério o programa. Tem que levar a sério. É realmente um programa que vai ajudar muito!”, afirma.

Emerson Carvalho Porcina, de 20 anos, participou do programa em 2013 e trabalha na Appai há cerca de 2 anos. Ele se recorda com muito carinho dos encontros. “A gente conseguia ter um entendimento maior de assuntos com que não lidava com tanta facilidade. Até o meu olhar para o próximo mudou. Com os encontros, consegui evoluir e entender que as pessoas precisam de um certo cuidado. Olhar para o problema do outro de uma maneira diferente. A Appai de fato abraçou, cuidando e orientando sempre”, lembra.

Vanessa Nunes conta que no início do programa haviam muitos adolescentes que apresentavam sérios problemas sociais e depois do diálogo com especialistas e palestras sobre temas diversos conseguiram superar esses problemas. “Eles começaram a entender as consequências de seus atos e passaram a investir no futuro. De focar no seu trabalho hoje para chegar onde desejam mais na frente! Tenho certeza que esse programa ajuda a preparar muitos jovens para um futuro melhor!”, finaliza.


 


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