Os riscos da internet para crianças

Iniciativa “Tela e seus dois lados” promove conscientização sobre jogos on-line, uso excessivo de telas e segurança digital


Foto por coscaron via Getty Images # 1223788016

Sempre atenta às transformações do mundo digital e aos desafios enfrentados por crianças e famílias no ambiente on-line, a Escola Socioeducacional Santa Marcelina – Terra Nova, na Bahia, desenvolveu o projeto educativo Tela e seus dois lados. A iniciativa tem como objetivo conscientizar estudantes sobre os riscos associados ao uso da internet, abordando temas como jogos on-line, excesso de telas, contato com desconhecidos, cyberbullying e exposição a conteúdos inadequados para a faixa etária.

Realizado ao longo de oito meses, o projeto envolveu 23 alunos em atividades lúdicas e reflexivas voltadas ao uso responsável da tecnologia. A proposta surgiu em um contexto de crescente preocupação com a segurança digital de crianças e adolescentes, especialmente diante de mudanças recentes em plataformas populares como o Roblox, que anunciou novas medidas de proteção, como restrições no chat de voz conforme a idade e exigência de verificação facial.

Para tratar o tema de forma acessível, o projeto foi estruturado com atividades pedagógicas adaptadas à faixa etária dos estudantes. Rodas de conversa, propostas reflexivas e produções artísticas, como paródias e raps, incentivaram o uso consciente das tecnologias digitais, promovendo o engajamento dos alunos de maneira criativa.

As ações foram conduzidas com mediação da professora Carine Santana e incluíram o uso de vídeos educativos, discussões guiadas e produções criativas. Entre os conteúdos trabalhados estiveram temas atuais e sensíveis, como golpes virtuais, proteção de dados pessoais e consumo de conteúdos impróprios para crianças.

De acordo com a educadora, o principal objetivo foi ampliar a compreensão dos estudantes sobre os limites e responsabilidades no uso das tecnologias. “O excesso de telas pode gerar prejuízos à saúde física, emocional e social das crianças, afetando o sono, a concentração, a convivência e a autoestima. A proposta surgiu da necessidade de abordar esses impactos de maneira acessível e educativa”, afirma Carine.

Ao longo do projeto, desafios também foram identificados, especialmente relacionados à supervisão do uso das telas no ambiente familiar. Segundo a docente, nem todos os estudantes contam com acompanhamento constante em casa, o que exige estratégias pedagógicas contínuas. Ainda assim, o diálogo sistemático e as práticas educativas favoreceram o desenvolvimento da autorregulação entre os alunos.

A iniciativa contou ainda com a participação de profissionais da área da saúde. Psicólogas convidadas discutiram, em encontros específicos, os riscos do uso de plataformas digitais, com foco na exposição a conteúdos impróprios e no cyberbullying. Durante o Setembro Amarelo, a escola também promoveu uma ação voltada à valorização da vida, destacando a importância do diálogo e da saúde emocional.

 

Impactos sociais e emocionais do uso excessivo de telas

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A relevância de iniciativas como essa é reforçada por dados da pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação. O levantamento aponta que 20% dos jovens entre 11 e 17 anos já tiveram contato com conteúdo adulto na internet, enquanto apenas 57% sabem identificar se um site é confiável.

Segundo Carine Santana, os impactos do uso descontrolado das telas vão além da segurança digital. “O uso excessivo pode comprometer o desenvolvimento emocional, a socialização, a empatia e a autoestima, além de favorecer comportamentos de dependência tecnológica e isolamento”, explica.

Ao final do projeto, a equipe pedagógica observou mudanças positivas no comportamento dos estudantes. Os alunos passaram a utilizar jogos digitais de forma mais consciente, priorizando interações com colegas conhecidos e demonstrando maior interesse por brincadeiras tradicionais, leitura e uso de livros físicos. Também houve aumento na valorização de atividades ao ar livre e da convivência  social, contribuindo para o equilíbrio emocional e a redução do tempo de tela.

Para a educadora, a construção de um ambiente digital mais seguro depende de uma ação conjunta. “Orientar sobre riscos, estabelecer limites, acompanhar o acesso e incentivar alternativas fora das telas são práticas contínuas e essenciais”, conclui Carine.


Escola Socioeducacional Santa Marcelina
Rua Professora Maria da Glória, s/nº – Centro – Terra Nova/BA
CEP: 44270-000
Tel.: (75) 99858-1651

 


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