Descoberta de perereca única no Serrado

Biodiversidade brasileira pode ser nossa aliada em sala de aula


A fauna e a flora do Brasil são tão ricas que não fazemos nem ideia da quantidade ainda não descoberta. Tem cientistas que acreditam que temos muito mais ainda por desvendar do que as espécies já catalogadas.

Para nós professores, essa riqueza e constantes atualizações podem nos ajudar a fazer com que as aulas tragam sempre novidades. E isso faz com que fiquem mais dinâmicas e ainda que possamos conquistar o interesse dos alunos através da interação em pesquisas e notícias atuais que estão na mídia e possivelmente percorrendo o feed dos celulares deles.

Perereca inédita

A mais nova é um tipo de anfíbio catalogado no Brasil, batizado de Ololygon Paracatu. Trata-se de um tipo inédito de perereca, endêmica do Cerrado brasileiro, mais precisamente no noroeste de Minas Gerais, e vive em matas de galeria associadas a córregos. Até o momento foram encontradas apenas em cabeceiras que ajudam a formar o Rio Paracatu, um dos mais importantes afluentes do Rio São Francisco e que dá sobrenome à nova espécie. Os machos medem entre 20,4 e 28,2 milímetros, enquanto as fêmeas variam entre 29,3 e 35,2 milímetros.

A nova espécie se diferencia de parentes próximos por características morfológicas, acústicas e moleculares, confirmadas por análises científicas detalhadas.

É a oitava do gênero a ser catalogada no Cerrado, ampliando a lista de anfíbios únicos desse bioma, considerado o segundo maior da América do Sul e um dos mais ricos em biodiversidade. Em contraponto, um dos mais ameaçados do planeta.

Apesar de abrigar cerca de 5% de todas as espécies do mundo, o Cerrado apresenta uma taxa de destruição superior à observada em outros biomas brasileiros, o que aumenta o risco de perda de espécies antes mesmo que sejam conhecidas pela ciência.

Essa pequena perereca é de grande importância no equilíbrio do Rio Paracatu, cujo nome, de origem tupi-guarani, significa “rio bom”. A nova espécie tornou-se conhecida durante expedições realizadas no doutorado da pesquisadora Daniele Carvalho, do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios (RAN-ICMBio).

Principais riscos

A mineração é a principal responsável pela degradação desse rio, que também sofre impacto com o desvio de parte da água de seu curso natural para atividades agrícolas.

Dicas de ensino e dinâmicas para o professor

Trata-se de um bom tema para promover discussões, seminários e trabalhos em grupo pois envolve ao mesmo tempo: avanço da ciência, diversidade brasileira, poluição. A temática fica ainda mais rica se associada ao bioma do Cerrado, único que só existe no Brasil, o que não impede que esteja sendo degradado.


*Luiz André Ferreira – Podcaster, curador, professor universitário e jornalista. Mestre em Projetos Socioambientais, em Bens Culturais e Designer Educacion.

Obs.: Toda a informação contida no artigo é de responsabilidade do autor. 


Deixar comentário