O ponto mais remoto do Brasil
A importância estratégica do Arquipélago de São Pedro e São Paulo

A história, estratégia, topografia e características do Arquipélago de São Pedro e São Paulo fazem parte dos ensinos Fundamental e Médio dentro da cota de conteúdo regional regulamentada pela Lei de Diretrizes e Bases que determina que uma parte do ensino deva ser diversificado incluindo conteúdos regionais e locais.
Embora tenha uma importância muito mais ampla, a Estação Científica instalada lá passa pela terceira ampliação. É o ponto mais afastado do continente brasileiro. Fica na extremidade da costa de Natal, no Rio Grande do Norte. Devido a ser a área mais remota, sua ocupação é de fundamental estratégia para garantir o espaço territorial e manter os limites das fronteiras do país. É também uma das principais bases de estudos científicos.
Estão sendo investidos cerca de 7 milhões de reais do Fundo de Compensação Ambiental. Entre as melhorias, a instalação de uma passarela ligando o ponto mais baixo ao mais alto da Ilha Belmonte, a principal, onde deverão ser construídas novas edificações até o final deste ano.
As novas construções se destacam pelo uso de materiais altamente resistentes à corrosão e um sistema de montagem por encaixe que reduz o uso de parafusos. A atual estrutura apresenta sinais de acentuado desgaste. Devido ao difícil acesso, o transporte de pessoas e materiais não pode ser feito por uma embarcação comum, mas somente pelo adaptado navio patrulha oceânico “Araguari”.
Além da distância da costa, a cerca de mil quilômetros do litoral brasileiro, a geografia é resumida a um pequeno cume de cadeia de montanhas que se ergue de profundidades de cerca de 4.000 metros do fundo do mar.
A topografia é extremamente irregular. A pequena dimensão mais plana equivale a um campo de futebol. Seu ponto mais elevado está a apenas 16 metros do nível do mar, o que permite que constantemente seja invadida pelas fortes ondas que assolam a região e também ser escaldada pelo forte sol e sacudida pelos constantes tremores de terra.
A manutenção da operação também é muito complexa. Envolve diversos sistemas adjacentes, como o de geração de energia, o de captação e dessalinização de água e o de comunicações.
O arquipélago está há mais de 20 anos sob a gestão da Marinha, que mantém, em uma de suas bases, um farol para sinalização de embarcações em pleno funcionamento e que é fundamental para a localização e para evitar acidentes com embarcações que navegam por essas águas turbulentas.
A força armada divide a gestão da Base Científica com o ICMBio e a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), que, embora seja de outro estado, coordena as pesquisas acadêmicas no arquipélago. O laboratório avançado já recebeu mais de dois mil pesquisadores entre brasileiros e estrangeiros.
Além da fiscalização territorial, a base é de fundamental importância para monitoramento das condições marinhas, da fauna, do tempo e das marés, além de atividades geológicas, contribuindo para a previsão de terremotos e tsunamis, que, embora não atinjam diretamente a costa brasileira, servem de alerta, apontando, com uma antecedência crucial, alterações que venham a resultar em desastres naturais geológicos em países propensos a abalos sísmicos.
Por Luiz André Ferreira é professor, jornalista e designer educacional, além de Mestre em Bens Culturais e Projetos Socioambientais.
Obs.: Toda a informação contida no artigo é de responsabilidade do autor.












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