Da minha janela para o mundo

Iniciativa valoriza identidade, leitura e escrita por meio de vivências reais dos alunos do 1º ano do Ensino Fundamental


O projeto Da minha janela para o mundo, idealizado pela professora Renata Torres Carvalho a partir de sua participação e premiação em primeiro lugar no concurso Magda Soares, tem transformado as práticas de leitura e escrita no Ciep 411 – Escola Municipalizada Dr. Armando Leão Ferreira. Voltado para os alunos do 1º ano do Ensino Fundamental, o trabalho promove uma alfabetização significativa, conectada às vivências reais das crianças e às múltiplas linguagens que compõem seu cotidiano. 

A iniciativa nasce com o propósito central de valorizar as “escrevivências” dos estudantes, estimulando que cada criança expresse sua identidade, suas percepções e seu olhar sobre o mundo. Para isso, o projeto integra leitura, releitura, adaptação literária, escrita, oralidade e exploração sensível do ambiente, envolvendo as disciplinas de português, arte, ciências, geografia e história. 

 

Quando a alfabetização encontra o cotidiano

O desenvolvimento do projeto ocorreu em etapas articuladas, garantindo inclusão, participação ativa e protagonismo infantil. As atividades tiveram início com rodas de conversa nas quais os alunos compartilharam observações feitas “de suas próprias janelas”. Esses registros foram produzidos por meio de desenhos, colagens, mapas afetivos e diferentes recursos visuais e táteis, respeitando ritmos e habilidades individuais. 

Releituras acessíveis de histórias clássicas, como “A Dona Baratinha”, e leituras ao ar livre ampliaram o prazer literário e estimularam a imaginação. A abordagem da obra “Da minha janela”, de Otaviano Júnior, inspirou novas produções, com os alunos sendo estimulados a construir textos autorais, relatos, cartas, poemas e descrições, de forma individual e coletiva. Diferentes linguagens, como fotografia, colagem, dramatização e ferramentas digitais, apoiaram o processo, assegurando práticas inclusivas e respeitando os diversos níveis de alfabetização. 

 Uma atividade que fortaleceu o entendimento da escrita como registro das experiências vividas foi a construção de mapas afetivos da comunidade, relacionando lugares significativos a memórias e sentimentos. Já os jogos pedagógicos e as dinâmicas inspiradas nas histórias lidas promoveram cooperação, oralidade e expressão criativa. 

 

Participação da comunidade escolar

As crianças também entrevistaram pais, responsáveis e profissionais da escola, registrando memórias e percepções. O conteúdo alimentou novas produções textuais e estreitou os laços entre a instituição e comunidade. Uma das etapas mais emocionantes envolveu cartas escritas pelas famílias aos filhos e também das crianças sobre “o que veem da janela para a sua casa”. A troca fortaleceu vínculos e evidenciou a escrita como prática social significativa. 

 

Produção coletiva

Os estudantes assumiram o papel de jornalistas, produzindo notícias, poemas, relatos, entrevistas e ilustrações para um jornal eletrônico escolar. A etapa ampliou o protagonismo infantil e a integração de diferentes mídias. Em uma produção coletiva, os alunos decoraram e escreveram mensagens em uma casa simbólica feita de papelão, registrando sonhos e expectativas para o futuro. A atividade reforçou o sentimento de pertencimento e a construção de sentidos compartilhados. 

 

Apresentações e exposição aberta à comunidade escolar

A culminância reuniu textos, cartas, mapas, produções digitais e apresentações em uma exposição aberta às famílias e à comunidade escolar. O evento contou com leitura pública, contação de histórias, dramatizações e atividades acessíveis, reforçando a participação de todos. A avaliação do projeto seguiu uma abordagem processual e inclusiva, considerando engajamento, evolução textual, participação familiar, protagonismo infantil, respeito à diversidade e capacidade de relacionar vivências pessoais às produções escolares. Registros fotográficos, observação direta e rodas de conversa compuseram os instrumentos avaliativos. 

O projeto se consolida como um espaço de formação leitora, encontro entre culturas e construção coletiva do conhecimento. As histórias lidas, produzidas e compartilhadas abriram caminhos para que cada criança percebesse que sua janela pode se abrir para infinitas possibilidades de aprendizagem, cidadania e esperança. Além disso, Da minha janela para o mundo conquistou grande impacto no município, sendo amplamente reconhecido e valorizado nas redes sociais, reflexo do engajamento da comunidade e da relevância pedagógica da iniciativa.


Ciep 411 – Escola Municipalizada Dr. Armando Leão Ferreira 

Rua Rogério Fabrício, 411 – Engenho Pequeno – São Gonçalo/RJ 

CEP: 24417-660 

E-mail: ciep411xerox@gmail.com 

Idealizadora do projeto: Renata Torres Carvalho 

Fotos cedidas pela professora 


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