Ampliação da consciência histórica
Projeto valoriza culturas afro-brasileiras e indígenas e fortalece a identidade da comunidade escolar

O Colégio João Paulo I, localizado em Bangu, Zona Oeste do Rio de Janeiro, vivenciou entre suas turmas do 9º ano do Fundamental II ao 1º do Ensino Médio, a promoção do conhecimento, a valorização e o respeito às histórias, culturas e saberes dos povos formadores do Brasil, através do projeto Vozes ancestrais: histórias e culturas afro-brasileira e indígenas.
Idealizadora do projeto e diretora pedagógica, Maria de Fátima Apolinário da Silva explica que o objetivo do projeto reforça a construção identitária e a identidade do estudante brasileiro, fortalecendo a consciência histórica, a diversidade cultural e o combate ao preconceito. “Trata do reconhecimento, valorização e estudo dos saberes, memórias, tradições e lutas dos povos afro-brasileiro e indígenas, que são a base da formação cultural do Brasil”, destaca.
Realizado de forma interdisciplinar, o projeto consistiu numa feira pedagógica que transitou entre as disciplinas de Português, História, Geografia, Matemática, Filosofia, Sociologia, Química, Artes, Redação, Educação Física, Inglês e de cursos técnicos como Administração, Informática e Enfermagem. A proposta foi envolver todos os professores em um diálogo com a temática em suas práticas.
Quando o aprendizado ganha sentido coletivo
Assim, a iniciativa se consolidou como uma experiência conjunta de aprendizagem, conectando saberes e dando visibilidade a vozes historicamente silenciadas, ao mesmo tempo em que contribuiu para a formação de estudantes mais conscientes da diversidade que constitui a identidade brasileira.
De acordo com a equipe pedagógica, o alcance da experiência foi muito além da sala de aula. Houve identificação com as raízes da cultura brasileira, desenvolvimento do respeito à diversidade e de uma postura antirracista, além da ampliação da consciência histórica.
Para garantir o aprofundamento dos conteúdos, os temas foram organizados por turma, respeitando as especificidades de cada etapa. No 9º ano, os estudantes mergulharam em discussões sobre colonização e escravidão, relacionando esses processos históricos às desigualdades e ao racismo ainda presentes na sociedade. A partir dessas reflexões, produziram painéis e textos críticos, exercitando não apenas o conhecimento, mas também o posicionamento.
Da história às múltiplas linguagens
O percurso formativo incluiu ainda a valorização das expressões culturais brasileiras por meio da dança e do movimento, com pesquisas sobre manifestações como capoeira, maracatu e toré, aliadas a vivências corporais. Em diálogo com a tradição oral, os alunos exploraram lendas, mitos e contos afro-brasileiros e indígenas, transformando essas narrativas em produções autorais que evidenciam a força da memória e da ancestralidade.

As linguagens artísticas também ganharam espaço com estudos sobre estética e simbolismo, inspirando releituras visuais a partir de referências de artistas negros e indígenas. Já no campo histórico e geográfico, os estudantes investigaram territórios de resistência, como quilombos e aldeias, construindo mapas e linhas do tempo que evidenciam trajetórias de luta e organização social.
A relação com a cultura se ampliou ainda para o cotidiano, com pesquisas sobre a culinária de origem afro-indígena e a produção de receitas comentadas, conectando saberes tradicionais à prática escolar.
Olhar para o presente e projetar o futuro
No 1º ano do Ensino Médio, as discussões avançaram para temas contemporâneos, como o empreendedorismo negro, o racismo estrutural no mercado de trabalho, a representatividade na mídia e na tecnologia, além do protagonismo de mulheres negras em diferentes áreas. Os estudantes também abordaram a gestão de projetos culturais, os direitos humanos e a organização de comunidades quilombolas, ampliando o olhar para os desafios e potências do presente.
A culminância do projeto reuniu a comunidade escolar em um momento de partilha e reconhecimento. Os alunos apresentaram seus trabalhos com clareza e segurança, demonstrando domínio dos conteúdos e envolvimento com as propostas. Famílias, professores e colaboradores participaram ativamente, transformando o espaço escolar em um ambiente vivo de troca de saberes e experiências.
Fortalecendo vínculos com a comunidade

Os resultados se refletiram no engajamento dos estudantes e no estreitamento de laços com a comunidade. A repercussão positiva consolidou a proposta como parte do projeto pedagógico da escola, reafirmando a importância de iniciativas que dialogam com a identidade, a história e a diversidade do país.
“Implementar esse tipo de projeto dentro da escola, que tem papel fundamental no desenvolvimento sociocultural do aluno, é extremamente necessário. Possibilita o acesso a conhecimentos que compõem a nossa formação como brasileiros, permitindo o resgate identitário e o combate ao preconceito dentro e fora do espaço escolar”, destacou a professora Elisa Maria.
Para o professor José Vicente, a experiência também evidenciou o poder mobilizador da escola. “Conseguimos proporcionar uma grande movimentação na instituição, com alunos, pais e familiares participando ativamente. Os estudantes se sentiram à vontade para apresentar, de forma lúdica, tudo o que aprenderam. O espaço escolar se tornou um grande centro de aprendizagem para todos”, concluiu.
Por Antônia Figueiredo
Colégio João Paulo I
Av. Ministro Ari Franco, 598 e 608 – Bangu – Rio de Janeiro/RJ
CEP: 21862-005
Direção Pedagógica: Maria de Fátima Apolinário da Silva
Fotos enviadas pelo professor João Belarmino Neto












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