ECA Digital: a infância em disputa nas telas

Os desafios da cultura digital na formação de crianças e adolescentes, entre algoritmos, desinformação e o papel da escola


Foto: Adene Sanchez via GettyImages

A cultura digital já não é uma tendência, é o ambiente onde a infância e a juventude acontecem. Telas, redes sociais e algoritmos atravessam a forma como crianças e adolescentes aprendem, se informam e constroem vínculos. Diante desse cenário, o debate sobre o uso consciente das tecnologias deixou de ser apenas uma orientação familiar ou pedagógica e passou a ocupar também o campo das políticas públicas. 

A recente atualização do Estatuto da Criança e do Adolescente, sancionada em 17 de março e já chamada de “ECA Digital”, reforça esse movimento ao reconhecer, de forma mais explícita, os direitos e a proteção de crianças e adolescentes no ambiente on-line das múltiplas redes. A nova diretriz dialoga com preocupações que já vêm sendo destacadas por instituições de pesquisa, organizações da sociedade civil, familiares e veículos de comunicação, especialmente em temas como exposição excessiva, cyberbullying, privacidade e desinformação.  

Um pacote tecnológico fermentado pelo apelo visual e sonoro, ornado pela diversidade de informações e aguçado pela falsa impressão de intimidade e legitimidade que aqueles que estão do outro lado da tela impõem de forma subliminar. Nos últimos anos, diferentes estudos e reportagens têm evidenciado um cenário que preocupa. O aumento do tempo de tela entre crianças, o crescimento de casos de violência digital e a influência cada vez mais intensa das redes sociais na formação de opinião dos jovens. Ao mesmo tempo, especialistas apontam que o desafio não está apenas no “quanto” se usa, mas no “como” e no “para quê”. 

É nesse ponto que a escola se torna ainda mais estratégica. Mais do que restringir ou vigiar, educar para a cultura digital implica formar sujeitos capazes de compreender, questionar e fazer escolhas conscientes no ambiente on-line. É a partir dessa perspectiva, entre a urgência das novas regulamentações e os desafios cotidianos da sala de aula, que esta edição da Revista Appai Educar Digital propôs uma escuta qualificada de três especialistas sobre cultura digital, uso consciente das telas e formação cidadã. 

 

Cultura digital e aprendizagem

Na observação de Marcio Gonçalvesjornalista, educador e formador de professores em educação midiática, a grande transformação contemporânea não reside apenas no acesso à informação, mas na ruptura da linearidade do aprendizado. “Hoje, crianças e jovens aprendem em rede, de forma fragmentada, multimídia e multimodal. O desafio central é que estar conectado não significa, necessariamente, estar informado. Como educador, vejo que nossa missão é converter o consumo passivo em uma curadoria ativa de informações a serem criticadas. O conhecimento deixou de ser algo a ser estocado para se tornar algo a ser filtrado e aplicado com consciência”, garante Marcio. 

Ao debater o tema, a psicopedagoga Juliana Santos afiança que a presença da cultura digital no cotidiano não apenas ampliou o acesso à informação, mas redefiniu, de forma silenciosa e profunda, a maneira como crianças e jovens se relacionam com o conhecimento. “Se antes aprender estava mais associado à mediação direta da escola, hoje esse processo acontece, muitas vezes, de forma simultânea, fragmentada e, nem sempre, orientada. O que, quase sempre, é no mínimo um sinal de alerta! A mudança brusca que atualmente vivemos em relação ao acesso de informações e a conhecimentos está mudando o comportamento e as maneiras de aprendizados de muitos alunos”, sinaliza. 

Ainda segundo ela, esse novo cenário é impulsionado, sobretudo, pela facilidade de acesso. Dispositivos móveis, conectados em tempo integral, colocam o mundo “na palma da mão”, permitindo acompanhar acontecimentos em tempo real, interagir com pessoas de diferentes países e até superar barreiras linguísticas com o apoio de ferramentas de tradução. Por outro lado, o mesmo ambiente que amplia possibilidades também impõe desafios, evidenciando a falta de direção e orientação a esse mundo tão informado. 

A partir dessa percepção, Juliana Santos identifica três perfis de estudantes no contexto digital. Há aqueles que utilizam a internet de forma focada, buscando aprofundar conhecimentos e alcançar objetivos de aprendizagem. Um segundo grupo consegue acessar conteúdos relevantes, mas enfrenta dificuldades para manter a concentração, desviando-se com notificações, redes sociais e vídeos curtos, muitas vezes, sem perceber o tempo passar. E há ainda estudantes que, mesmo inseridos nesse universo, não dominam plenamente as ferramentas disponíveis, limitando suas possibilidades de aprendizagem. 

“A questão chave é, quando o aluno tem orientação e direcionamento para usar a internet, as ferramentas digitais a favor da vida dele, para ter bons estudos, para ampliar seus conhecimentos, enriquecer e aperfeiçoar o que ele já sabe, muda o jogo da aprendizagem”, assegura.  

Em sua avaliação, a bacharel e mestre em Biologia pela Uerj e MBA Dom Cabral, Christine Lourenço, do Grupo Salta Educação, atesta que a cultura digital mudou profundamente a forma como os estudantes se relacionam com o conhecimento. “Hoje, crianças e jovens vivem em um ambiente de abundância de informação, em que o acesso é imediato, multimodal e muitas vezes mediado por plataformas digitais. Isso transforma o processo de aprendizagem: os estudantes chegam à escola já expostos a conteúdos, opiniões e narrativas diversas”, comenta.  

Não obstante a rapidez, avalia Christine Lourenço, a quantidade e formatos das informações, há o fenômeno da “bolha do filtro”, quando algoritmos de plataformas digitais passam a mostrar para o usuário principalmente conteúdos semelhantes àquilo com que ele já interagiu anteriormente – curtidas, compartilhamentos, pesquisas ou tempo de visualização. “Com isso, a pessoa passa a receber repetidamente conteúdos que reforçam suas próprias opiniões ou interesses, enquanto visões diferentes aparecem cada vez menos”, frisa a educadora. 

Ainda de acordo com Christine Lourenço, nesse contexto, o papel da escola deixa de ser apenas o de transmitir informação e passa a ser, cada vez mais, o de ajudar os alunos a organizar, interpretar e atribuir sentido ao que encontram. “Aprender passa a envolver habilidades como selecionar fontes confiáveis, comparar perspectivas, desenvolver pensamento crítico e transformar informação em conhecimento. A cultura digital também amplia as possibilidades pedagógicas, permitindo experiências de aprendizagem mais interativas, colaborativas e personalizadas, quando bem integradas ao projeto pedagógico. 

 

Uso consciente das telas

Foto: Skynesher via GettyImages

Se o debate sobre o uso de telas ganhou espaço nos últimos anos, ele também amadureceu. Aos poucos, famílias e escolas começam a perceber que a questão não se resume ao tempo de exposição, mas à qualidade das experiências vividas no ambiente digital. Nesse cenário, o papel da escola deixa de ser apenas o de limitar e passa a ser o de orientar. Cada vez mais, mas ainda em uma escala longe da ideal, ouvimos pais e responsáveis colocando limite no tempo de uso, sobretudo para as crianças e adolescentes. Contudo, essa ação isolada fica fragilizada quando não vem acompanhada de movimentos que orientem aos usuários acerca da qualidade e confiabilidade das informações.  

A mestre Christine Lourenço destaca que o debate sobre o tempo de tela é importante, mas ele precisa ser qualificado. Mais do que apenas medir quantas horas os estudantes passam diante de dispositivos, é fundamental discutir como essas telas estão sendo utilizadas. “Uma vez que iniciamos o movimento sobre a quantidade de tempo de uso da tela, precisamos começar a nos movimentar enquanto sociedade para como esse uso da tela é feito. O problema não está na tela em si. Quando bem utilizada ela pode, e deve, ser uma aliada poderosa às escolas e famílias no tocante ao desenvolvimento das crianças e adolescentes. Entretanto, o uso inadequado, sem supervisão e sem intencionalidade é extremamente prejudicial para o desenvolvimento cerebral e social das nossas crianças e adolescentes”, adverte. 

No âmbito pedagógico, Juliana Santos também observa que esse caminho passa, antes de tudo, por ampliar repertórios. “Apresentando ferramentas e plataformas digitais das quais eles podem realizar projetos, conhecer atividades, projetos e premiações que outros estudantes já alcançaram para modelar, se inspirar e até mesmo ter novas ideias para implementar os seus”, pontua. Nesse sentido, a escola pode atuar como ponte entre o estudante e oportunidades que muitas vezes passam despercebidas. “Divulgar concursos, olimpíadas de conhecimentos que ocorrem em todo o Brasil”, sugere, destacando o potencial dessas iniciativas como estímulo ao protagonismo juvenil. 

A escola pode contribuir muito ao ensinar o uso intencional da tecnologia, defende Christine Lourenço. “Isso envolve desenvolver nos estudantes a capacidade de alternar entre momentos de concentração profunda e outros de interação digital, compreender os impactos das plataformas sobre atenção e comportamento e refletir sobre hábitos saudáveis de uso. Também é importante mostrar que a tecnologia pode ser uma ferramenta potente de aprendizagem quando utilizada com propósito para pesquisa, produção de conteúdo, colaboração ou resolução de problemas”, ressalta. 

Ao comentar o assunto, o professor Marcio Gonçalves explica que a escola deve deslocar o debate da “quantidade de horas” para a qualidade e a intencionalidade do acesso. “O equilíbrio nasce do entendimento da diferença entre o consumo passivo e a criação autoral. Uma estratégia que eu defendo com entusiasmo é o uso de atividades desplugadas, aquelas realizadas sem a necessidade de internet ou dispositivos, para ensinar conceitos digitais. Essa abordagem demonstra ao estudante que a lógica da tecnologia reside no pensamento crítico e na resolução de problemas, e não meramente no suporte físico”, analisa. 

 Todavia, mais do que acesso, trata-se de ativar motivações, “O uso crítico de Inteligência Artificial constitui uma ferramenta interessante para personalização de estudos de alunos mais velhos; o uso de gamificação para o estudo de matemática e português, por exemplo, é um outro exemplo interessante para os menores. O objetivo não é demonizar as telas, mas formar jovens capazes de fazer escolhas conscientes sobre quando, como e para quê utilizá-las”, avalia Christine Lourenço. 

De acordo com Juliana Santos, há um desejo genuíno de participação e transformação, muitas vezes “adormecido” por falta de incentivo ou direcionamento. “Nesse processo, o espaço de escuta também se torna fundamental. Realizar rodas de conversas e deixar eles mesmo divulgarem suas vontades e ideias, para que sejam vistos e ouvidos. Os alunos apresentam essa grande necessidade emocional”. O que fica claro é que a construção de uma relação mais consciente com as telas, portanto, passa não apenas pelo uso, mas pelo sentido e intencionalidade que se atribui a esse elemento cada vez mais presente e potente. 

 

Desinformação e fake news

Foto: Deagreez via GettyImages

A circulação de notícias falsas e conteúdos manipulados tornou-se um desafio para a sociedade. De que forma a desinformação também impacta o cotidiano escolar e como a escola pode preparar os estudantes para reconhecer e questionar esse tipo de conteúdo? Ao responderem essa pergunta, os especialistas são unânimes em afirmar que, em um ambiente digital cada vez mais sofisticado, identificar o que é real tem se tornado um desafio crescente, inclusive para os mais atentos. No cotidiano escolar, essa dificuldade se traduz em dúvidas, interpretações equivocadas e, muitas vezes, na reprodução de conteúdo sem verificação.  

“A desinformação corrói a confiança nas instituições, e a escola não está imune a isso. Preparar o estudante exige ir além da simples distinção entre verdade e mentira; trata-se de institucionalizar a leitura lateral. Precisamos estimular os alunos a questionar: Quem criou este conteúdo? Qual a sua intenção? Onde mais isso foi publicado? O combate à desinformação no ambiente escolar é, acima de tudo, um exercício de paciência cognitiva e de verificação de fatos integrada ao cotidiano”, alerta o professor Marcio Gonçalves. 

“Parece que, de maneira irônica, vamos precisar atuar como detetives na internet para decifrarmos o que ainda é real, e isso só se aprende com o ser humano e não com a IA, que pode mentir, omitir, confundir e até alucinar distorcendo as informações. Em resumo, é treinar o olhar, a interpretação e a lógica que está passando no vídeo, e isso o ser humano consciente, que sabe o que quer, o que fazer da vida, consegue muito bem diferenciar. Por isso que sempre ressalto a importância de usarmos as ferramentas digitais de maneira consciente, com foco e direcionamento para o bem maior das nossas vidas, pois quem muito se distrai com as telas, na internet, tende a modelar o seu ver, o seu comportamento e as suas interpretações perante o que se acostuma a ver, ouvir, comentar, jogar e a postar na internet”, pontua Juliana Santos. 

“A desinformação já faz parte do cotidiano escolar. Estudantes chegam à sala de aula influenciados por conteúdos que circulam nas redes sociais, muitas vezes sem critérios claros de verificação. Isso pode impactar discussões sobre ciência, história, política e até mesmo temas do dia a dia escolar. Por isso, a escola precisa assumir um papel ativo na formação do pensamento crítico. Ensinar os alunos a questionar fontes, identificar manipulações, compreender como funcionam os algoritmos das plataformas e perceber como emoções e vieses podem influenciar a circulação de conteúdos”, reconhece Christine Lourenço. 

Ainda sob a sua ótica, Christine Lourenço diz que mais do que apenas alertar sobre fake news, a escola deve desenvolver o que chamamos de letramento informacional e midiático: “a capacidade de analisar informações, verificar evidências e construir argumentos fundamentados. Essa é uma competência essencial para a cidadania no século XXI. Existem diversas formas pelas quais os projetos pedagógicos das escolas conseguem se apoiar no tema, como trabalhos interdisciplinares, temas de redação, eventos, experiências investigativas, inserção nos planejamentos de aula de diversas disciplinas”, orienta. 

 

O papel do professor e da escola

Foto: Miniseries via GettyImages

Se os desafios da cultura digital se ampliam, cresce também a pressão sobre professores e escolas, que muitas vezes se veem diante de demandas para as quais não foram preparados. Temas como algoritmos, redes sociais e comportamento digital passam a fazer parte da rotina escolar, ainda que nem sempre acompanhados de formação adequada. “É natural que muitos professores se sintam desafiados por temas como algoritmos, redes sociais e cultura digital, porque são fenômenos que evoluem muito rapidamente, enfatiza Christine Lourenço. Para ela, fortalecer a formação docente é fundamental. “Um caminho importante é integrar esses temas à formação continuada dos educadores, não apenas do ponto de vista tecnológico, mas principalmente pedagógico”. 

Christine também projeta em sua fala que o foco deve estar em como trabalhar pensamento crítico, análise de informações e ética digital dentro das diferentes disciplinas. “Se durante o planejamento da aula o professor conseguir fazer o link com o conteúdo a ser abordado na aula ao longo das diferentes disciplinas e ao longo do ano letivo, certamente as habilidades desenvolvidas serão mais significativas se a escola opta por inserir palestras pontuais para os alunos que em geral são pouco eficazes”, revela. 

Além disso, campanhas instituídas pelo colégio que tragam números, estudos, exemplos concretos e, acima de tudo, participação e construção ativa dos estudantes e professores também costumam ser bons caminhos para a consolidação do pensamento acerca do tema. “Também é importante que as escolas criem espaços de troca entre professores para compartilhar experiências, práticas e estratégias. Quando a cultura digital passa a fazer parte do projeto pedagógico da escola como um todo, os educadores deixam de lidar com o tema de forma isolada e passam a construir respostas coletivas”, afirma Christine Lourenço. 

Na opinião de Marcio Gonçalves, o caminho para o fortalecimento docente é uma formação continuada que transcenda o tecnicismo do “apertar botões”. Segundo ele, o foco deve estar no letramento midiático crítico e na competência crítica em informação. “O professor não precisa ser um especialista em todos os novos aplicativos, mas sim um mediador que compreenda a lógica dos algoritmos e a economia da atenção. Fortalecer redes de troca entre pares e integrar a cultura digital ao currículo de forma orgânica é o que traz segurança pedagógica para o trabalho em sala de aula”, declara. 

Neste mesmo viés, Juliana Santos salienta que a escola e professores necessitam urgentemente de treinamentos com especialistas experimentados e capacitados para direcionar as informações certas para que todo o corpo escolar possa combater, instruir e determinar o melhor uso de tecnologias na vida dos alunos. “E isso não é uma tarefa tão simples, pois muitos profissionais da educação se encontram passando por diversos desafios que vêm a cada ano atrapalhando a performance do seu trabalho e afetando sua saúde mental, de modo que ensinar os alunos a usar a internet com maestria e um bom uso já se tornou mais uma tarefa com que o professor irá precisar arcar dentro da sala de aula. Então, mais do que justo receber treinamentos, formações e direcionamentos para atuar no enfrentamento dos impactos que as redes sociais, os algoritmos e a cultura digital vêm impondo, de forma drástica, no comportamento e no aprendizado dos alunos, o que vem ocorrendo de uma maneira muito cruel”, aponta. 

 

Cultura digital e formação cidadã

Pensando no futuro, qual deve ser o papel da escola na formação de estudantes capazes de utilizar as tecnologias digitais de forma ética, crítica e responsável, contribuindo para uma sociedade mais informada e democrática? Dentro desse contexto vê-se que, ao projetar o futuro, a discussão sobre cultura digital ultrapassa o campo das ferramentas e alcança o sentido mais amplo da educação: a formação de cidadãos.  

Mas qual seria a escola ideal?  Para Juliana Santos seria uma instituição capaz de causar um alto impacto no Brasil, formando cidadãos que contribuam para um mundo melhor. “Perguntas essenciais seriam constantemente aplicadas para orientar os alunos a agir com consciência e excelência no mundo digital, como: ‘Como posso utilizar essa ferramenta para melhorar meus estudos e meu aprendizado?’; ‘Como posso transformar minha ideia em um projeto inovador que ajude outras pessoas?’; ‘Qual é a minha intenção ao acessar essa informação?’; ‘O que vou publicar respeita o código de ética ou pode prejudicar outras pessoas?’; ‘Essas atitudes estão alinhadas ao uso consciente das tecnologias digitais?’; ‘Qual é a fonte confiável dessa informação?’”.  

Por fim, a escola do futuro será aquela que honra seu grande legado: formar cidadãos capazes de aprimorar continuamente seus conhecimentos, expandir sua forma de pensar e desenvolver uma criatividade genuinamente humana, aquela que toca emoções e se diferencia da inteligência artificial. “Será uma escola que forma pessoas empáticas, responsáveis, com equilíbrio emocional e mais participativas em suas próprias vidas, conscientes de sua existência e do seu papel no mundo”, vislumbra Juliana. 

 A professora Christine Lourenço também defende o papel da escola como uma instituição formadora, preparada para formar cidadãos capazes de participar de forma responsável da sociedade, inclusive no ambiente digital. “Isso significa preparar estudantes que saibam usar a tecnologia para aprender, criar, colaborar e se expressar, mas também que compreendam os impactos sociais das plataformas digitais, os riscos da desinformação e a importância da responsabilidade ao produzir e compartilhar conteúdo”. Ainda para ela, mais do que ensinar ferramentas, a escola precisa desenvolver valores e competências: pensamento crítico, empatia, responsabilidade e ética no uso da informação. “Quando a educação consegue integrar esses elementos, ela contribui para formar jovens que não são apenas consumidores de tecnologia, mas usuários conscientes e protagonistas na construção de uma sociedade mais informada e democrática”, realça Christine Lourenço. 

 

Orientar o uso é o novo desafio da educação

A ampliação do uso das tecnologias digitais no cotidiano de crianças e adolescentes impõe novos desafios para a educação. Mais do que limitar o acesso, escolas e famílias são chamadas a orientar o uso das ferramentas digitais, com foco na formação crítica e no desenvolvimento de competências que permitam lidar com informação, interação e produção de conteúdo. 

Nesse contexto, o papel da escola se amplia, acompanhando as transformações da sociedade e contribuindo para a formação de estudantes capazes de atuar de forma consciente no ambiente digital. Porque, no fim, não se trata apenas de estar conectado, mas de saber, com consciência, o que fazer com aquilo que nos conecta. 


Por Antônia Figueiredo 

 

Fontes: Juliana Santos é palestrante, professora e escritora, formada em pedagogia e psicopedagogia (Uerj). Orienta soluções reais para os desafios da Educação na era digital. 

Marcio Gonçalves é jornalista, educador e formador de professores em Educação Midiática. 

Christine Lourenço é Bacharel e Mestre em Biologia pela Uerj e MBA pela Dom Cabral. Atualmente é diretora pedagógica do Grupo Salta.