Vírgula antes do “que”

Nessa coluna vamos então abordar os principais casos envolvendo o “que” e explicar como se dará o uso da vírgula


orações subordinadas

Sabemos que em geral ocorrem muitas dúvidas na hora de colocar ou não a vírgula num determinado texto. Boa parte dessa questão envolve a presença do “que”, que pode desempenhar várias funções num período. Nessa coluna vamos então abordar os principais casos envolvendo o “que” e explicar como se dará o uso da vírgula. 

 

Casos em que se deve usar a vírgula antes do “que”:

– Quando o “que” é um pronome relativo e inicia uma oração explicativa é necessário usar a vírgula. Veja o exemplo. 

O rapaz, que achava que sabia de tudo, ficou sem palavras. 

Nessa oração, o “que” é um pronome relativo (representa um outro termo da oração, no caso “o rapaz”) e introduz uma oração (“que achava que sabia de tudo”) que tem a função de oferecer uma explicação. Por isso a vírgula. 

– Quando o “que” é uma conjunção consecutiva é preciso usar a vírgula. Acompanhe a seguinte oração. 

Reclamamos tanto, que acabamos sendo atendidos. 

Como se pode perceber, a oração “que acabamos sendo atendidos” é uma consequência da ação anterior (“Reclamamos tanto”), por isso o “que” que a introduz é uma conjunção coordenada consecutiva, daí a presença da vírgula. 

– Quando atua como uma conjunção causal ou explicativa vai ser precedido da vírgula. Observe. 

Fique alerta, que pode acontecer algum imprevisto. 

Agora o “que” introduz uma oração (“pode acontecer algum imprevisto”) com finalidade de explicar. Atua nesse caso como uma conjunção coordenada explicativa, podendo ser substituída por outras conjunções, como “porque” ou “pois”. Poderíamos escrever, por exemplo, “Fique alerta, pois pode acontecer algum imprevisto.”. 

– Quando se pretende isolar um termo numa oração introduzida por “que” também se emprega a vírgula. Veja. 

O orador, que é o mais influente, não apareceu. 

Nesse caso, o objetivo da oração que se interpõe no período (“que é o mais influente”) é frisar uma característica do sujeito da oração (o orador), por isso aparece “isolada”, isto é, intercalada no período. Esse caso pede a vírgula. 

 

Não se deve usar a vírgula antes do “que”

Quando o “que” desempenhar a função de um pronome adjetivo, ou seja, introduzir uma oração com valor de adjetivo não cabe a vírgula. Vamos entender. 

O trecho que antecedeu o discurso foi suprimido. 

Repare que aqui a oração “que antecedeu o discurso” atua como um adjetivo, informando uma característica do sujeito (O trecho). Poderíamos até substituí-la por um adjetivo: 

O trecho antecedente (que antecedeu) ao discurso foi suprimido. 

Assim, o “que” nesse caso é um pronome adjetivo, caso em que não cabe a vírgula. 

Para finalizar esse artigo, vamos deixar claro o que expomos acima apresentando duas vezes uma mesma oração apenas com a diferença no uso das vírgulas.  

Os trabalhadores, que compareceram na empresa, receberam. 

Os trabalhadores que compareceram na empresa receberam. 

Na primeira oração fica claro que os trabalhadores receberam e que ter comparecido na empresa é apenas uma informação secundária. O “que” aí é um pronome relativo que introduz uma oração intercalada. 

Já na segunda sentença entende-se que só receberam os que compareceram na empresa. O “que” nesse caso introduz uma oração com valor de adjetivo e é, portanto, uma conjunção integrante. 

Como se pode constatar por esses exemplos acima, fica bem clara a importância de entender as funções do “que” e a necessidade ou não de antecedê-lo com vírgula para que se possa produzir períodos que não deixem dúvida, ou seja, cumpram a função de comunicar.  

Amigos, sobre essa questão é tudo. Em breve voltamos com outros pontos interessantes da língua portuguesa. Até a próxima, pessoal! 


*Sandro Gomes é graduado em Língua Portuguesa, Literaturas brasileira, portuguesa e africana de língua portuguesa, redator e revisor da Revista Appai Educar Digital, escritor e Mestre em Literatura Brasileira pela Uerj. 


Deixar comentário