Não é tudo traço?
Por Sandro Gomes*

Parece uma questão menor, mas na verdade muitas pessoas apresentam dificuldade quanto ao uso de alguns sinais gráficos na língua portuguesa. Uma das situações em que essa dúvida mais ocorre está no emprego de três sinais que à primeira vista são muito parecidos, porém, como vamos ver nesse texto, desempenham funções bem diferentes na construção de sentenças. Estamos falando de hífen, meia-risca e travessão. Vamos ver caso a caso?
Hífen
O hífen é o menor entre os três sinais e possui funções bem definidas. Vamos a elas.
Para separar palavras compostas:
Não esqueça de levar o guarda-chuva!
Em adjetivos compostos:
Fez uma visita aos sul-africanos.
Em termos iniciados por prefixos ou elementos acentuados:
Não passa de um recém-chegado.
Ligando verbos e pronomes:
Saiu-se bem no discurso.
Meia-risca
É um sinal maior que o hífen, porém menor que o travessão. É sem dúvida o menos conhecido e muitas pessoas nem sabem da sua existência. Vejamos os casos em que ele deve ser usado.
Para marcar intervalos de anos:
O período 2000–2020 foi o mais conturbado.
Para separar expressões ou palavras formadas por termos de peso igual:
O eixo Rio–São Paulo se desenvolveu mais rápido.
Substituindo a ideia do “versus”:
O Fla–Flu vai mais uma vez decidir o campeonato.
Para intercalar frases:
As células – usinas naturais do corpo – são resistentes.
Observação: Nos teclados dos computadores com sistema Windows se produz a meia-risca através do código: Alt + 0150.
Travessão
Por fim chegamos ao travessão. Vamos ver em que casos se aplica?
Introduz a fala de um interlocutor no discurso direto:
— Não se preocupe, vou tentar outra coisa.
Quando se intercalam os discursos direto e indireto:
Até que disse com veemência: — Vim pra ficar!
Fazendo o lugar dos dois pontos em algumas ocasiões:
Apenas uma coisa me fascina — a amizade.
Observação: Nos teclados dos computadores com sistema Windows se produz o travessão através do código: Alt + 0151.
Como se pode ver, há ocasiões bem distintas de se empregar cada um dos sinais gráficos abordados do texto. É claro que, em se tratando de escrita “à mão”, será um pouco mais difícil estabelecer a diferença entre eles. Mas como a maioria de nós nos dias de hoje escreve utilizando dispositivos, pode ser relevante conhecer as diferenças entre os sinais. Amigos, é isso. Em breve voltamos com outra questão da nossa língua. Até a próxima, pessoal!
*Sandro Gomes é graduado em Língua Portuguesa, Literaturas brasileira, portuguesa e africana de língua portuguesa, redator e revisor da Revista Appai Educar Digital, escritor e Mestre em Literatura Brasileira pela Uerj.












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