Quando a praia vira sala de aula

Conheça o Projeto Botinho, programa do Corpo de Bombeiros que ensina segurança no mar, cidadania e educação ambiental a crianças no Rio


Muito antes da lógica atual que compreende o ensino para além das salas de aula e dos muros escolares. E anterior também ao entendimento de que o processo de ensino não é uma função exclusiva do profissional de educação, mas deve ser feita em conjunto com outros atores da sociedade. O Projeto Botinho já reúne esses conceitos há 63 anos. 

Trata-se de um programa gratuito de verão promovido pelo Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro. Considerada a maior colônia de férias gratuita da América Latina, esta edição atende cerca de 5 mil crianças e adolescentes em polos realizados em 29 praias do litoral fluminense. 

 

Modelo internacional

Criado de forma despretensiosa por alguns salva-vidas cariocas, em 1963, o Projeto Botinho atravessou mais de seis décadas se consolidando como um dos mais relevantes projetos educacionais fora do ambiente escolar. Ao longo dessas seis décadas, inspirou modelos semelhantes, replicados em outros estados brasileiros e em diferentes países. 

Há 42 anos, o Corpo de Bombeiros assumiu oficialmente o programa, com a incorporação do antigo Corpo Marítimo de Salvamento a esta instituição militar. Com o passar do tempo, o Botinho passou a contar também com professores e profissionais da educação atuando em conjunto com os experientes salva-vidas, além de firmar parceria com o Sesc RJ. 

 

Prevenção no ambiente praiano

Reconhecido como referência no Brasil e no exterior, o projeto contribui para a formação de jovens mais conscientes e preparados para a vida em sociedade. As atividades acontecem sempre no período da manhã e incluem exercícios físicos na areia, orientações sobre segurança no mar, noções de primeiros socorros e educação ambiental.  

Questões de saúde também foram incorporadas com a ascensão de novos problemas globais, como o aquecimento global e os perigosos buracos na camada de ozônio, fazendo com que práticas como o uso de protetor solar – fornecido pela instituição – passassem a ser um dos principais requisitos para participar das aulas.  

A programação e distribuição do conteúdo prático é planejado para estimular a convivência social e reforçar a prevenção de afogamentos, alinhando aprendizado, disciplina e cuidado coletivo. 

 

Patentes

Os participantes são organizados em três grupos, conforme a idade: Golfinho, para crianças de 7 a 10 anos; Moby Dick, de 11 a 14 anos; e Tubarão, para adolescentes. Ao final das atividades, todos recebem certificado de participação referente à etapa cursada. 

“O Projeto Botinho é uma ferramenta fundamental de educação e prevenção. Ao longo das atividades, crianças e adolescentes aprendem sobre segurança, cidadania e respeito à natureza, levando esse conhecimento para além da praia e ajudando a construir uma cultura de prevenção desde cedo”, destaca o coronel Tarciso Salles, secretário estadual de Defesa Civil e comandante-geral do CBMERJ. 

A iniciativa fortalece valores essenciais para a formação de cidadãos mais responsáveis e comprometidos com a segurança coletiva e a preservação do meio ambiente. 

 “A iniciativa contribui diretamente para a segurança nas praias, ao mesmo tempo em que estimula a consciência ambiental e a formação cidadã desde a infância. Ao trabalhar valores como disciplina, responsabilidade e convivência, o projeto deixa um legado que ultrapassa o período do verão e impacta positivamente as comunidades. Para nós, é motivo de satisfação estar ao lado de ações que geram aprendizado, proteção e qualidade de vida”, afirma Antonio Florencio de Queiroz Junior, presidente do Sesc RJ. 


Por Luiz André Ferreira | Professor universitário, Jornalista, podcaster, Mestre em Bens Culturais e em Projetos Socioambientais. 

Obs.: Toda a informação contida no artigo é de responsabilidade do autor. 


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