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Entrevista
Vivian
Mary, 16 anosEstudante de segundo grau de escola particular em Jacarepaguá Educar - Quantos alunos de sua sala fumam? E quantos costumam beber, ocasionalmente? Vivian Mary - Minha turma tem 56 alunos, e conto nos dedos os que não fumam. São nove meninas, contando comigo. Beber... acho que todos bebem, em festas ou quando saem. Sei de pelo menos uns quatro que fumam maconha e de uns seis ou sete que fumam cigarros de Bali. E tem um que, de vez em quando, chega "mamadão" na aula... E - Cigarros de Bali são considerados drogas, para você? VM - Sei lá. Um camelô, no Centro da cidade, me disse que tem um pouquinho de maconha. Muito pouquinho, mas tem. E - Você já experimentou fumar cigarros? Com que idade? VM - Experimentei, com 12 anos, mas não gostei, tossi muito. Além do mais, tinha que gastar dinheiro. Prá falar a verdade, não vi nenhuma graça, e nunca mais fumei. Enquanto a gente não experimenta, só sabe que faz mal porque os outros dizem. Mas, quando você prova, não dá pra não perceber: o hálito fica horrível, as roupas fedem, o suor fica diferente... aí você vê, por você mesmo, que é uma "podre"... E - E bebida alcoólica? VM - Não sou de cerveja, não gosto, e bebo um vinhozinho muito de vez em quando. Mas o que mais se vê numa discoteca é garotada com um cigarro numa das mãos e uma latinha na outra. E - Você vê diferença entre uma pessoa que fuma cigarro e bebe cerveja e outra que usa drogas como a maconha ou a cocaína? VM - Mais ou menos. Prá mim, tudo é droga, mas cigarro e cerveja são vendidos em qualquer lugar, são anunciados na tevê. Por outro lado, se eu sei que uma pessoa cheira cocaína, por exemplo, automaticamente imagino que ela teve que ir a algum lugar pra comprar, subir um morro ou qualquer coisa assim. Quer dizer, eu sei que aquela pessoa teve que entrar num ambiente estranho e se relacionar com gente estranha... Pra mim, isto faz diferença. Eu não namoraria um garoto envolvido nestas "paradas". E - Que atitudes você acha que os professores devem ter em relação a estas questões, na escola? VM - Passo metade do meu dia na escola. Tem épocas em que eu me relaciono muito mais com meus professores e colegas do que com a minha mãe. Eu acho que a escola deve estar preparada prá conversar sobre isto, esclarecer, fazer debates, seminários... Mas, por enquanto, vejo que depende muito de cada professor. Tem aqueles que entram em sala, dão a matéria, e nem é com eles. Acabou, vão embora. Tem outros que dão atenção, conversam, procuram esclarecer... E - Você tem algum professor assim? VM - Nosso professor de Língua Portuguesa. Uma vez, ele até parou a aula porque o assunto descambou pra preservativos e prevenção contra Aids. Passamos o resto do tempo de aula conversando sobre isto, e foi muito legal. Tiramos dúvidas sobre assuntos sobre os quais a maioria de nós não teria condições de conversar em casa. A gente precisa muito disto, porque nem sempre temos pai e mãe esclarecidos ou disponíveis e as informações que trocamos com os colegas às vezes são erradas ou incompletas. Além disto, ficamos com medo de "pagar mico" e admitir que não sabemos. Resultado: a gente não sabe, finge que sabe e acaba fazendo besteira...
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