
Por Tony Carvalho
Projeto A OAB-RJ VAI À ESCOLA auxilia os educadores na formação de cidadãos conhecedores dos seus direitos e sabedores dos seus deveres
Em junho de 2002, diante de
um auditório lotado, a Ordem dos Advogados do Brasil
implantava um projeto ousado, cuja proposta era levar a instituição
para as escolas públicas e privadas, ensinando noções
de cidadania e conhecimentos básicos do Direito, como
os princípios fundamentais da Constituição.
Ao término daquele ano, mais de 80 advogados voluntários
já haviam aderido à iniciativa, batizada com
o sugestivo nome A OAB-RJ Vai à Escola. De lá
pra cá, o programa visitou cerca de 350 estabelecimentos
de ensino médio e fundamental das redes pública
e privada do Estado, atendendo, no total, a mais de 60 mil
alunos.
O programa funciona assim:
a escola entra em contato com a coordenação,
através do telefone (21) 2272-2015, e solicita sua
inclusão no programa. Tão logo a OAB disponibilize
um advogado voluntário, a escola é atendida
com a palestra inicial sobre cidadania. Após o primeiro
encontro, a escola pode agendar novas visitas e escolher o
tema que lhe interessar dentre os 14 listados pela OAB (veja
quadro).
“Dispomos de um sistema
computadorizado que indica o advogado mais próximo
da escola. Com isso, minimizamos custos e otimizamos o tempo,
já que o trabalho é inteiramente voluntário.
São profissionais qualificados, com especialização
nos assuntos a que eles se propõem a falar”,
explica o advogado Carlos Avelino Cavalcanti Fernandes, presidente
da comissão responsável pelo projeto.
As palestras duram, em média,
cinqüenta minutos, acrescidos de vinte e cinco minutos
para eventuais perguntas feitas por alunos e professores.
Cada advogado tem a liberdade de optar pela melhor didática.
Alguns, recorrem ao auxílio de equipamentos audiovisuais
e apresentações gráficas via computador,
enquanto outros preferem contar histórias que tenham
a ver com o tema abordado. O presidente da comissão
ressalta que, antes de ir à escola, os advogados voluntários
passam por uma capacitação pedagógica.
“É
enganoso pensar que, por ser advogado, bastaria chegar diante
dos jovens e proferir um discurso como se estivesse numa tribuna
falando para desembargadores e ministros. Por isso, para participar
do programa, eles passam por especialistas que lhes ensinam
como se portar diante dos alunos e como proceder nos momento
de dúvidas”, completa.
Uma das instituições
de ensino já visitadas pelo programa é a Escola
Epitácio Pessoa, no Andaraí. A palestra inaugural
sobre cidadania foi realizada em 2004 e, este ano, os alunos
já tiveram a oportunidade de assistir a duas palestras:
uma sobre Direito do Consumidor e outra sobre Direito Ambiental.
“Os alunos têm uma realidade bem diferente de
tudo que a gente entende como lei. Por isso, nada mais importante
do que – além de os professores transmitirem
um pouco do que sabem sobre o assunto – a visita de
profissionais preparados que vivenciam constantemente o mundo
jurídico”, afirma Carla Aida Duarte, coordenadora
pedagógica da escola.
Samara Alves Ribeiro, aluna
da 7.ª série, era uma das mais entusiasmadas com
as palestras. “Os advogados falaram de leis que eu ainda
não conhecia. Fiquei tão impressionada com o
papel que os advogados desempenham na sociedade que, se antes
eu achava a advocacia uma profissão chata, agora descobri
que é essa carreira que quero seguir”, diz.
“Na faixa etária
em que atuamos, é evidente que a maioria dos alunos
ainda não havia tido contato com as leis, mas é
importante plantar essa semente. Afinal, um dos objetivos
do projeto é tentar mostrar a importância do
Direito para cada cidadão e colaborar para o desenvolvimento
desse espírito de cidadania, seja abordando aspectos
específicos do Direito, seja levantando questões
de conteúdo filosófico e até didático-pedagógico”,
afirma o advogado José da Costa Nogueira, um dos voluntários
especialistas em Direito Ambiental.
O professor Francisco Moreira
e Silva faz parte da equipe de orientação e
capacitação dos advogados que participam do
projeto. Para ele, o tema Direito Ambiental deve ser abordado
com maior intensidade nas escolas. “A educação
ambiental é tratada como um tema transversal. Contudo,
o seu enfoque deveria ser de um tema de prioridade nacional,
dada a sua importância para o planeta”, garante.
Temas sugeridos pelo projeto:
Além do tema cidadania, pré-requisito para as demais, a escola pode agendar as seguintes palestras:
• Aborto
• Aprendiz, Estagiário e Trabalhador
• Conhecendo as Leis
• Crimes e Contravenções
• Democracia
• Direito Ambiental
• Direito à Educação
• Direitos da Criança e do Adolescente
• Direito do Consumidor
• Drogas
• Igualdade x Discriminação
• Instrumentos de Garantia dos Direitos
da Cidadania
• Maioridade: direitos e deveres
• Situações de Família |

Atualmente, o programa A OAB
Vai à Escola conta com mais de cem advogados voluntários
e, segundo Carlos Avelino, a comissão está ciente
de que o projeto é um trabalho de transformação
a longo e médio prazos. “O programa vai muito
mais além do que se pode imaginar. Nesse trabalho,
existe uma palavra-chave que se chama participação.
Não adianta Constituição se a sociedade
não participa. E é esse o objetivo maior: instigar
os alunos a participar da vida social e política do
país. Apostamos que cada aluno pode ser um agente multiplicador
em seu núcleo familiar”, completa.
Este ano, a OAB lançará
dois concursos de música e literatura com a participação
de alunos das escolas que foram atendidas pelo projeto. O
tema será cidadania e os alunos vencedores serão
agraciados com prêmios como microcomputadores.
Comissão A OAB-RJ VAI À ESCOLA
Tel.: (21) 2272-2015
E-mail: oabvaiaescola@oab-rj.org.br
End.: Av. Marechal Câmara, 150 – 2.º andar – Rio de Janeiro/RJ.
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