
A história do Brasil por meio das diversidades, das belezas e das riquezas naturais e culturais como impulso para a reconstrução da identidade do país. Esse foi o objeto de estudo das atividades desenvolvidas durante todo o ano de 2006 na Escola Modelar Cambaúba, localizada na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro. O resultado das pesquisas realizadas pelos alunos foi apresentado à comunidade escolar durante a VI ExpoCambaúba, um projeto multidisciplinar que abrange a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio.
“A identidade brasileira é um tema instigante que foi pesquisado e desenvolvido sob as mais diferentes competências e habilidades. A abordagem permitiu atuar como um aporte entre o mundo real e o mundo-escola, que tem diante de si a tarefa de formar cidadãos”, justifica a professora Maria Masello Leta, diretora pedagógica. Segundo a educadora, projetos como esse estimulam os alunos – sujeitos do processo – ao trabalho em grupo, à autonomia e, sobretudo, ao gosto pela pesquisa na construção de vários e novos saberes.
O tema da mostra começou a ser definido no começo do ano letivo, durante a jornada pedagógica. Os professores sugeriram oito opções. Dentre elas, foram selecionadas três e, posteriormente, coube aos alunos, através de votação, definir o tema que nortearia o projeto. A Educação Infantil abordou a identidade literária brasileira. As turmas da Classe de Alfabetização à 4.ª série enfocaram os povos, a fauna e a flora.
Já os alunos de 5.ª a 8.ª séries e do Ensino Médio abordaram 57 subtemas que foram desde o desenvolvimento histórico e geográfico do Brasil até os avanços científicos e tecnológicos. “Entendemos que recontar as histórias do Brasil está no âmago da questão da cidadania. Ao desenvolver esse projeto, os alunos vivenciaram a diversidade de culturas trazidas para o nosso país e foram levados a refletir sobre a origem do nosso povo que, apesar de ser uma colcha de retalhos, formou uma nação, uma identidade”, explica o professor Amilton Ramos Carneiro, diretor da escola.
Os alunos da Educação Infantil fizeram um grande passeio literário pelas obras de alguns autores, com a proposta de despertar o que eles buscam retratar na identidade do nosso povo. Por meio de várias atividades, as crianças aprofundaram as discussões e pesquisas baseadas nas obras de Maurício de Sousa, Ziraldo, Monteiro Lobato, Ruth Rocha e Ana Maria Machado.

Para a supervisora da Educação Infantil, professora Sandra de Oliveira Couto, através dos escritores pode-se retratar a essência do nosso povo e as influências dos colonizadores. “A gente entende que é no conto, ou em qualquer outra forma de literatura, que os homens têm a oportunidade de ampliar, transformar ou enriquecer sua própria experiência de vida. Temos a convicção de que a prática da leitura é de extrema importância na vida de todas as pessoas e ser leitor é poder participar, de forma crítica, de um mundo com mais condição de igualdade. Acreditamos que as crianças precisam estar inseridas nesse contexto porque é a partir dessa faixa etária que a gente desenvolve o gosto pela leitura”, argumenta.
Já as turmas da C.A. à 4.ª série percorreram os caminhos dos diversos “Brasis”, indo a fundo nos aspectos étnicos e culturais da nação. Os alunos da 1.ª série do Ensino Fundamental abordaram a fauna e a flora no país. Eles estudaram as aves e árvores brasileiras e apresentaram um trabalho sobre as espécies em extinção. A 2.ª série desmitificou o estereótipo indígena, trazendo para a mostra a essência de uma cultura que tanto contribuiu para a formação do país. “Os alunos descobriram, em suas pesquisas, que a cultura indígena brasileira é bastante variada. O índio da Amazônia, por exemplo, é bem diferente do índio do sul do país. E o mais importante é que cada aluno pôde reconhecer, de verdade, quem são os índios e compreender a luta de um povo que também faz parte da nossa identidade”, define a professora Cátia Ferreira.
A 3.ª série se baseou na poesia de Cassiano Ricardo para abordar a mistura das raças. Os alunos produziram e encenaram esquetes que retratam a miscigenação do nosso povo. A 4.ª série enfocou as regiões brasileiras e todas as suas manifestações culturais. Os alunos pesquisaram as origens de fatos históricos, as modificações de costumes ao longo do tempo e o que isso desencadeou. Para Therezinha Coury Amin, supervisora desse segmento, os resultados pedagógicos do projeto podem ser mensurados ao percorrer cada estande e constatar o envolvimento dos alunos.

“É importante destacar que a mostra é apenas mais uma das etapas. Tudo começou em sala de aula durante as discussões sobre cada subtema. Em seguida, os alunos foram divididos em grupos e iniciaram um intenso trabalho de pesquisa, tanto na biblioteca da escola quanto na sala de informática. Como resultado, verificamos o amadurecimento desses alunos na construção do conhecimento a partir da investigação, no trabalho de socialização, do aprender a dividir e a aceitar outras opiniões, bem como do convívio com as diferenças. Durante todo o projeto, nossos alunos descobriram formas diferentes de aprender e trocar experiências, com responsabilidade, criatividade e, sobretudo, prazer”, conclui a professora.
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