
Alunos estudam a história de descobertas que mudaram o mundo
Por Antônia Lúcia
Graças à inquietude e inteligência humanas, inventos considerados, na época, “malucos” por alguns, ou melhor, por muitos revolucionaram a história da humanidade e deixaram nossas vidas mais confortáveis. Hoje, uma considerável parcela da população não saberia, por exemplo, viver sem a comodidade do telefone, da televisão, do rádio, do relógio, do avião... e de tantas outras tecnologias.
Entre descobertas e descobridores, um deles tem um significado especial para os brasileiros: Alberto Santos Dumont – o pai da aviação. Há exatamente 100 anos, comemorados em 23 de outubro de 2006, o mineiro, nascido em Santa Luzia do Rio das Velhas, hoje cidade de Santos-Dumont, realizava o primeiro vôo em aparelho mais pesado que o ar, utilizando unicamente os recursos do próprio avião.
A bordo do 14-Bis, o gênio da aviação voou à distância de 60m, à altura de 2 a 3 metros, em 7 segundos, no Campo de Bagatelle, em Paris, conquistando, com essa façanha histórica, a Taça Archdeacon e sagrando-se como o primeiro homem a construir e pilotar um avião que cumprisse,
dentro da norma doL’Aéro-Club de France – órgão oficial de aviação da época –, as exigências básicas de vôo: táxi, decolagem, vôo nivelado e pouso. Esse e outros feitos serviram de embasamento para a comunidade escolar do Colégio Prisma Bahiense realizar a III edição do projeto, com o tema: As Grandes Invenções.
Trabalhada entre todas as turmas do 1.º segmento do Ensino Fundamental (da 1.ª à 4.ª série), a proposta do projeto, segundo a coordenadora pedagógica Maria do Socorro, foi levar os alunos a compreender a importância dos inventos e de seus inventores. “Além de aprenderem sobre a vida de célebres artífices como: Santos Dumont, Leonardo da Vinci, Alexander Graham Bell e Thomas Edison, eles (os alunos) puderam perceber como um simples ato de acender uma lâmpada pode ter levado anos de pesquisa até chegar ao resultado final”, adverte.
Usando a interdisciplinaridade como fio condutor, as quatro turmas deram início aos preparativos da III Mostra do colégio. Na 1.ª série, as crianças alçaram vôo rumo à pesquisa e trouxeram para a comunidade escolar relatos sobre a vida do pai da aviação, que iam desde a construção do primeiro balão à concepção do 14-Bis, passando pela descoberta do chuveiro quente, do colete salva-vidas, do hangar e da pulseira para relógio, também inventados por Santos Dumont.Para estreitar ainda mais os laços de conhecimento da classe acerca do herói do ar, os estudantes visitaram o Museu Aéreo Espacial e conheceram, de perto, uma réplica do 14-Bis utilizada por Dumont no primeiro vôo de avião da história. Ainda no Museu, as crianças tiveram oportunidade de conhecer vários modelos de aeronaves que fazem parte da exposição permanente da instituição. De acordo com a professora Maria do Socorro, uma das informações que mais chamou a atenção da classe foi o fato de Alberto Santos Dumont ter se suicidado, aos 59 anos, inconformado por saber que seu principal invento – o avião – estava sendo usado para o lançamento de bombas durante a primeira guerra mundial.
Na sala da professora da 2.ª série, Roselene Salles, a pesquisa girou em torno da descoberta de um dos meios de comunicação mais usados pela população: o telefone. Patenteado nos Estados Unidos, no início de 1876, por Alexander Graham Bell, o achado encurtou a distância entre os povos. Durante as aulas, auxiliados por Rosilene, os alunos debruçaram-se sobre livros, jornais, revistas e outras fontes em busca de informações sobre o inventor. Uma das curiosidades descobertas foi a de que, por estranha coincidência, uma outra pessoa registrou, no mesmo dia, uma outra patente do mesmo gênero da inscrição feita pelo professor Graham Bell.
A turma da 3.ª série pesquisou sobre o gênio da lâmpada, não o das histórias em quadrinhos, mas o genial Thomas Edison, descobridor da lâmpada incandescente. “Foi instigante contar a história para as crianças sobre o inventor Thomas Edison”, garantiu a
professora Cristiane, ao falar sobre os resultados do desenvolvimento do projeto. Segundo Cristiane, a cada aula, os alunos traziam uma novidade sobre esse “gênio da lâmpada incandescente” para ser adicionada ao mural confeccionado pela turma. “Além do painel, eles catalogaram as informações sobre o patenteamento do invento e outros dados bastante curiosos, como a atribuição de mais de 1000 patentes registradas em nome de Thomas”, orgulha-se.
Para compor os preparativos da mostra, a turma da 4.ª série da professora Marta fez uma visita à exposição Por Dentro da Mente de Leonardoda Vinci, realizada no Espaço SESC. Lá, os alunos puderam contemplar a beleza e o realismo dos quadros do artista-inventor.
“Ao voltarmos da exposição, imediatamente começamos a tecer comentários sobre tudo que vimos, a elaborar textos para o mural, a compor a ficha biográfica do artista e a confeccionarmos um pára-quedas com embalagens de alimentos não perecíveis”, assegura a professora, acrescentando que, a partir da pesquisa na Internet, em jornais e revistas, os alunos descobriram que Da Vinci adotou o nome da sua cidade natal por sobrenome.


Culminância

Com chapéus que lembravam o modelo usado por Dumont durante suas aparições, as turmas de 1.ª a 4.ª séries deram início à culminância do projeto. No vai-e-vem de estudantes, um chamou bastante a atenção dos visitantes. Vestido a caráter, com direito a bigode e chapéu, o aluno Caio de Lima personificou a figura do pai da aviação e encantou os convidados ao falar sobre as proezas, glórias e desilusões do gênio brasileiro da aviação. Além do clone de Santos Dumont, a turma da 1.ª série, pilotada pela professora Rita Marques, apresentou um painel e uma pequena réplica do 14-Bis, além de miniaturas de aviões feitas com palito de sorvete e uma engenhoca, com um formato que lembrava um avião, feita de garrafa Pet, batizada de Papa-Lixo.
Mais à frente, os trabalhos expostos sobre Thomas Edison iluminavam o ambiente. O mural montado pelos alunos da 3.ª série contou a trajetória de um dos primeiros inventores a aplicar os princípios da produção maciça ao processo da invenção. “Dotado de extrema inteligência, Thomas foi considerado um dos pioneiros da tecnologia do seu século ao inventar a lâmpada elétrica incandescente, o gramofone, o cinetoscópio, o ditafone e o microfone de grânulos de carvão para o telefone”, explicava um dos alunos.
Trim...trim...trim, no início eles pesavam cerca de 5kg e tinham um formato bem diferente dos telefones atuais. Segundo os ensinamentos passados pelos alunos da 2.ª série, os primeiros modelos, apresentados no século XIX, mais pareciam uma enorme caixa apoiada sobre um móvel. Para mostrar a evolução dos aparelhos telefônicos, os alunos fizeram demonstrações com vários modelos de diferentes épocas.
A pergunta lançada no ar pela equipe da 4.ª série, durante a mostra Grandes Invenções,
deixou muita gente sem resposta: Quem inventou o pára-quedas? "Não se espante, o inventor desse aparelho – feito de tecido, com um formato semelhante ao de uma sombrinha destinada a diminuir a velocidade da queda de pessoas de grandes alturas – foi Leonardo da Vinci, um dos maiores artistas do Renascimento", respondiam os alunos.
Anatomista, engenheiro, matemático, músico, naturalista, arquiteto, pintor e escultor. Essas foram algumas das profissões exercidas por Leonardo da Vinci ao longo de sua vida e expostas no painel montado pela 4.ª série com o intuito de passar para os visitantes informações relevantes sobre aquele que, apesar de suas inúmeras habilidades, só conseguiu reconhecimento e prestígio junto à sociedade através de suas obras de arte. No final da culminância, felizes pelo sucesso da última mostra do ano letivo, alunos e professores, com seus chapéus by Dumont, comemoraram o fechamento do projeto. “Os resultados não poderiam ter sido melhores. Ver a comunidade escolar envolvida e motivada é ter a certeza do dever cumprido”, completa Maria do Socorro.



Colégio Prisma Bahiense
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Coordenadora Pedagógica:
Maria do Socorro França
Fotos: Claudemiro Pereira |