A participação dos pais no evento animou os pesquisadores mirins
Alunos explicam os benefícios da ingestão de frutas e legumes durante as refeições
A aluna Laila Vieira vestiu-se de mosquito da dengue e deu seu recado
Os trabalhos abrangeram assuntos como Aids e meio ambiente
Além da pesquisa, os alunos também trocaram experiências entre si

Alunos trazem à luz diversas pesquisas que ajudam a humanidade

Por Wellison Magalhães

Darwin, aos nove anos, só pensava em colecionar minerais, insetos, cães e ratos. Na adolescência, Isaac Newton adorava construir pequenos objetos, desde pipas até relógios solares. Enquanto o pai de Galileu Galilei sonhava com um filho médico, este pensava, ainda jovem, apenas em ciências. Os grandes pesquisadores da história começaram muito cedo a tarefa de entender o mundo e facilitar a vida de todos que vivem nele. A fórmula, ao que parece, foi a de unir talento, inquietação, criatividade e energia para ultrapassar os limites.

Baseados nessa filosofia, os professores do Educandário Monteiro Lobato, localizado na zona oeste do Rio de Janeiro, vêm realizando, há oito anos, a Feira de Ciências, que reúne os trabalhos dos alunos da instituição, desde o Ensino Fundamental até a 2.ª série do Ensino Médio. A coordenadora do evento, professora Kátia Regina, há três anos responsável pela feira, acredita que o trabalho é muito positivo e diz que é isso que atrai outras escolas e até universidades a participarem do encontro.

Segundo os professores, em 2006, foram apresentados por diversas turmas cerca de 50 trabalhos, todos tendo como base o tema Novas Tecnologias e Qualidades de Vida. A preparação para a feira começou, na verdade, muito cedo, afirmou Marize Moreira, professora de ciências e biologia. “Desde o início do ano, estamos preparando os alunos para este encontro. Aqui eles põem em prática aquilo que, durante algum tempo, discutimos em sala de aula”. E, pelo que se viu, o preparo foi realmente grande.

A comunidade escolar utilizou-se de todo o espaço físico do Educandário, que inclui quadra, pátio e salas de aula. Qualquer área vazia servia para montar um estande com um tema ligado às matérias de química, física e biologia. Todo o corpo docente envolveu-se no projeto. Segundo a diretora da escola Marina Dantas, os professores da instituição e quase 800 alunos protagonizaram o encontro. “Este é um motivo de elogio de nossa escola: a relação que desenvolvemos fora da sala de aula”, disse a diretora.

Apresentados na exposição, os trabalhos também valeram pontos para as matérias de química, física e biologia. Além dos professores responsáveis por essas disciplinas, outros colegas ajudaram nas avaliações de cada material exposto. Para tanto, uma ficha foi distribuída aos docentes para que eles pudessem anotar a pontuação em relação a: conteúdo e pesquisa, criatividade, inovação, pontualidade, apresentação visual, apresentação oral e organização. “A cada ano, a feira trata de um assunto específico, estimulando a criatividade dos alunos. O trabalho é feito em grupo e cada um tem a sua tarefa. Além dos estandes das turmas, é possível participar de demonstrações científicas, exibições de vídeos e palestras”, comenta um dos professores.

Para os estudantes, a experiência é mais do que válida. Orrely Leary, 16 anos, aluno do Ensino Médio, confirma: “Aqui, a pesquisa se torna mais ampla. Trabalhamos durante duas semanas para falar sobre o petróleo. Aprendemos muito e ainda pudemos ensinar às pessoas que vieram nos visitar”. Já o tema desenvolvido pela aluna Elisa Afonso, também de 16 anos, foi o lixo. Para ela, a pesquisa para a elaboração dos trabalhos apresentados na feira tiveram uma contribuição ainda maior na formação pessoal dos alunos: “Aprendemos a lidar, em grupo, com as divergências e, também, com a liderança . Além disso, aprendemos com os outros trabalhos que foram expostos na escola”. E não foram poucos, cada um mais criativo que o outro.

A turma da 5.ª série exibiu um vulcão e fez a demonstração de como seria uma erupção de verdade. Em um outro estande, um grupo falou sobre o homem da caverna. Para dar mais realismo à demonstração, os estudantes confeccionaram bonecos em tamanho natural.

Alguns resolveram ir além da sala, literalmente. Uma turma da 5.ª série, responsável por abordar o tema “HIV”, convidou dois portadores do vírus para falar aos participantes da feira. O encontro atraiu muitos interessados no assunto, que fizeram várias perguntas ao casal, o que contribuiu para alertar os participantes sobre as causas e conseqüências da doença. Uma turma do 2.º ano do Ensino Médio convidou um funcionário da Comlurb para discorrer sobre a coleta de lixo e seus benefícios. Além do representante, a companhia cedeu galões para reciclagem de lixo, que ficaram à disposição da escola.

Vestida de Aedes aegypty, a aluna Laila Vieira, de 12 anos, da 6.ª série, chamou a atenção do público e acabou sendo uma das mais requisitadas pelos visitantes para falar sobre a doença transmitida pelo mosquito. “Todos queriam tirar uma foto com o mosquito da dengue. É bom porque a gente aprende e ensina, ao mesmo tempo, como se prevenir”, comemora a aluna, acrescentando que, além da explicação, foram distribuídos aos visitantes, durante toda a manhã, folhetos de orientação sobre a doença.

Temáticas envolvendo visão, oxigênio, água e meio ambiente também foram abordadas no evento. “Nosso grupo, por exemplo, recebeu mais de 100 assinaturas e visitas”, disse, entusiasmada, a aluna Júlia Pacheco, de 9 anos, componente da equipe que apresentou um trabalho sobre os olhos. Os pais que prestigiaram o evento estavam contentes com o resultado. “Assim, eles (alunos) aprendem a falar. E estão à vontade e seguros em relação aos temas abordados. Isso ajuda na construção do conhecimento”, afirmou Andressa Castro, ex-aluna da instituição, que assistia ao trabalho da filha.

A Feira de Ciências do Educandário Monteiro Lobato foi um sucesso. E o mais importante é que pode ser realizada em outras instituições de ensino, estimulando crianças e jovens à pesquisa científica. Desde o início do ano, nós trabalhamos com um objetivo comum, que é abordar e apresentar algo que seja coerente com aquilo que acreditamos ser o projeto de toda a escola. E foi isso o que vimos no evento apresentado”, finaliza a coordenadora com a certeza do dever cumprido.


Escola Paraíso Infantil Popaye
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Fotos cedidas pela escola