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Matemática se Aprende Cantando

Por Andrëia Brilhante

 

Decorar fórmulas é fácil nas aulas da professora Marlene Antonietta, que, através da música, tornou o aprendizado prazeroso

Entre as disciplinas que mais reprovam e geram notas mais baixas no Vestibular, a Matemática deixou de ser um bicho-de-sete-cabeças nas aulas da professora Marlene Antonietta Mello Sampaio. A professora, que leciona para o ensino médio no Colégio Estadual Francisco Campos, no Grajaú, encontrou na música um jeito simples e agradável de ensinar e fazer a turma assimilar uma variedade de fórmulas que deixa muitos alunos de cabelo em pé. Há 30 anos, Marlene se utiliza deste recurso, que vem dando certo e já se mostrava bastante eficaz quando ela lecionava para o ensino fundamental.

“O m.d.c de números fatorados é o produto dos fatores primos/ comuns, comuns e elevados aos menores expoentes/ comuns e elevados aos menores expoentes”, diz a letra da música que parodia a cantiga de roda “Escravos de Jó” . Na revisão da multiplicação de potências com bases iguais, Marlene Antonietta utilizou, para o primeiro ano do ensino médio, o ritmo da música do anúncio da pipoca com guaraná: “Se as bases são iguais/ eu vou multiplicar/ vou repetir a base/ e os expoentes somar”, cantava a turma.

Quando dava aula para a terceira série do ensino fundamental, antes de Marlene apresentar aos alunos a noção de quadrado, pedia-lhes para levarem para a sala um quadrilátero com um metro de lado. Depois, a criançada cantava alegre a música parodiando “O Cravo brigou com a Rosa”. “Eu sou mil vezes maior/ mil vezes maior que o metro/ sou usado para medir estradas/ o meu nome é quilômetro”. A preocupação sempre foi não jogar simplesmente a matéria no quadro, mas fazer com que a criança soubesse por que estava aprendendo os conceitos.


A professora não tem dúvidas de que os alunos, cantando, fixam muito mais rápido a variedade de fórmulas de Matemática. “Toda vez em que dou matéria nova, eles perguntam se não tem música sobre o assunto e ajudam a escolher o ritmo para fazer a paródia. A música ajuda a desinibir, e eles começam a fazer perguntas em sala. Levo a turma a formar os conceitos matemáticos através de um processo, e ela fica com pena quando a aula acaba”, diz a professora.

Aos 64 anos, Marlene Antonietta sente que conseguiu acabar com o pavor à Matemática. “A música deixa o aluno mais motivado, participativo, e a aula fica mais leve. Nunca digo que a matéria é difícil, e sim fácil. As fórmulas são fixadas para o resto da vida. Encontro ex-alunos meus formados em Odontologia e Direito que dizem que ainda se lembram das músicas”, afirma a professora Marlene. “Todo dia é aquele arroz com feijão. Quando vemos o filet mignon, achamos superlegal. A gente vai cantando e pegando”, diz Simone Dias Caetano, 19 anos, do terceiro ano do ensino médio. “É diferente. A aula é animada. A maioria trabalha e, se não houver inovação, fica muito chato. Assim, é mais fácil de entender”, afirma Wilson Galdino Alberto, 21 anos, aluno da mesma turma.



Formada também em Pedagogia, Marlene Antonietta acha que deve haver um aprofundamento em metodologia na faculdade de Matemática, o que melhoraria a didática dos professores. “O ensino às vezes fica muito mecanizado. É preciso existir uma preocupação maior em desenvolver o raciocínio lógico, tomando por base problemas dados em sala de aula que façam o aluno raciocinar. Muitas falhas no sistema de avaliação acontecem porque o professor precisa trabalhar em vários colégios e não tem tempo de elaborar técnicas pedagógicas. Às vezes, ele acaba abordando várias questões sem se preocupar em ver se o assunto foi bem fixado”, diz Marlene. Ela também questiona o programa de Matemática, que considera muito extenso. E lembra que, nos Estados Unidos, o que se busca não é passar para o aluno conteúdo extenso, mas desenvolver seu raciocínio, seu senso crítico.

Segundo Marlene, muitos professores precisam investir mais na fixação de exercícios, ou seja, devem partir de atividades mais simples até chegar às mais complexas, fazendo uma gradação crescente de dificuldades. “Se o aluno não consegue resolver os mais simples, passo para os mais simples ainda”, diz. Levar o aluno ao conhecimento da Matemática depende, segundo Marlene, da relação professor-aluno.

 

Índice edição 09

 

 
Colégio Estadual Francisco Campos
Profª Marlene A. Sampaio
Tel.: 581-6214