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Extinção:
A Fauna Corre Perigo

Por Katia Machado

Pesquisadores descobrem 257 espécies de animais ameaçadas de extinção e orientam os professores quanto à preservação do meio ambiente

Não é de hoje que ouvimos falar na degradação dos ecossistemas. Este é um problema que vem persistindo há anos no globo terrestre. No momento em que o homem passou a habitar o planeta, muitas espécies de animais sumiram e algumas nem chegaram a ser conhecidas, somente através de explorações arqueológicas. Nas últimas décadas, no entanto, o problema tem se agravado bastante, principalmente no Brasil. Enquanto a população humana vem aumentando, a de animais vem diminuindo espantosamente, representando enorme prejuízo ao nosso país, que reúne a mais variada e importante gama de ecossistemas da Terra.
Esta extinção de espécies e a ameaça de desaparecimento de outras é uma das principais preocupações do Instituto Brasileiro de Meio e Ambiente (IBAMA), responsável por proteger e preservar a fauna e a flora brasileiras. Como o país é muito extenso e as espécies são diversificadas, o órgão solicitou a cada estado, como primeira providência, uma lista geral de animais em perigo, para que pudesse avaliar com maior precisão a situação real da fauna do Brasil e apresentar soluções para os problemas que as espécies enfrentam. Os estados de Minas Gerais, Paraná e São Paulo foram os primeiros a preparar a lista. E, recentemente, o Rio de Janeiro produziu a sua.

Cateto
No ano passado, o Setor de Ecologia do Instituto de Biologia Roberto Alcântara Gomes da UERJ, coordenado pela Professora e Doutora em Ecologia de Mamíferos Helena Bergallo, realizou uma extensa pesquisa sobre a fauna do Estado do Rio que culminou na lista solicitada pelo IBAMA. Junto com Helena, trabalharam os estudiosos no assunto Carlos Frederico da Rocha, Maria Alice Alves e Monique Van Sluys. “A pesquisa serviu para detectarmos as espécies ameaçadas, como também para atualizarmos as categorias de animais da nossa fauna, que é a maior do país”, informa Helena.
A pesquisa seguiu padrões científicos e contou com a colaboração de mais de cem pesquisadores de todo o país, que detinham informações precisas sobre cada grupo de animais. Desta forma, foi possível fazer a uma relação, ainda que inexata devido à diversificação de animais invertebrados, principalmente, de 257 espécies ameaçadas de extinção ou já extintas – um número alarmante para o estado que possui a maior concentração de Mata Atlântica do país.
Das espécies em perigo de extinção, 43 são de invertebrados terrestres, dentre elas, 36 de borboletas e mariposas e 4 de libélulas, e 28 de invertebrados aquáticos, como camarões, caranguejos e moluscos. Quanto aos vertebrados, 48 espécies são de peixes, sendo 39 de água doce e 9 de água salgada; 4 são de sapos e pererecas; 9 de répteis, sendo 1 lagarto, 2 cobras, 1 jacaré e 5 tartarugas; 82 são de aves e 43 de mamíferos.

Índice Edição 09
Índice Edição 09
Todas as espécies estão ameaçadas pelos mesmos motivos: “a destruição das matas e o comércio de espécies e a caça ilegais”, esclarece Helena. Ariranha
Na etapa final da pesquisa, o Setor de Ecologia da UERJ, com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPUERJ), da Sub-Reitoria de Pós-Graduação e do Centro de Produção da UERJ (CEPUERJ), organizou um workshop sobre a fauna ameaçada do Estado do Rio de Janeiro, a fim de organizar a lista final das espécies ameaçadas, publicada no Diário Oficial de 05 de junho de 1998 .
O evento reuniu os principais pesquisadores envolvidos na produção da lista, que puderam esclarecer o grau atual de conservação da fauna do Rio e registrar o nível de ameaça em que se encontra cada animal, os critérios utilizados para inclusão de cada um na lista e as medidas propostas para proteção das espécies, como a fiscalização no “habitat” natural dos animais, por parte dos órgãos responsáveis.
O Gambá é exemplo típico da fauna brasileira
A fiscalização é realizada pelo IBAMA, mas a educação ambiental pode ficar a cargo dos professores. “A primeira medida a ser tomada é estimular os alunos a preservarem o meio em que vivem e educá-los, por exemplo, a jogar papel no lixo. Devem separá-lo, para reciclagem, pois este material demora a se desintegrar na natureza”, esclarece Helena Bergallo.
Cabe ainda ao professor se reciclar, participando de cursos, palestras e seminários sobre a preservação dos ecossistemas. Utilizar materiais didáticos que façam alusão à fauna brasileira é outra medida a ser tomada. “Os livros de Geografia, muitas vezes, citam exemplo de canguru, animal que pertence à fauna africana, em vez de citar o gambá, espécie típica da nossa fauna que, aliás, pertence à família do canguru”, esclarece a Doutora em Ecologia de Mamíferos. Onça Pintada
O Instituto de Biologia da UERJ, para facilitar o trabalho dos professores, coloca-se à disposição para esclarecer todas as dúvidas sobre a fauna brasileira, principalmente sobre as espécies encontradas no Estado do Rio de Janeiro. Pode ser consultada, também pelas escolas, a pesquisa realizada pelo Setor de Ecologia sobre a fauna do estado.